Foto ilustrativa: DR

A Câmara Municipal de Mação vai reunir, a 11 de setembro, com as cinco associações de caçadores existentes no concelho para procurar soluções para o aumento da presença de javalis e os problemas provocados pela espécie. A reunião surge depois dos sucessivos alertas e reclamações que têm chegado à autarquia, incluindo relatos de animais dentro das localidades.

O presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, afirma que a questão dos javalis “é um problema que se está a colocar cada vez mais”, com a autarquia a receber cada vez mais “reclamações e queixas” relacionadas com a presença dos animais. O autarca revela ainda que já chegaram à Câmara pedidos de indemnização por prejuízos atribuídos aos javalis.

“Existe uma entidade responsável por essa matéria, que é o ICNF. Aquilo que nós estamos a fazer é pressionar, por um lado o ICNF, mas, por outro lado, internamente, a tentar encontrar medidas de contenção para travar um bocadinho esta espécie”, explica José Fernando Martins.

É neste contexto que a autarquia pretende envolver diretamente as associações de caçadores. “Aquilo que pretendemos fazer no próximo dia 11 de setembro é uma reunião com todas estas associações e fazermos uma reunião de trabalho objetiva para tentarmos perceber se conseguimos, através das associações de caçadores, encontrar aqui alguma solução diferente daquelas que têm sido adotadas para fazer caça, fazer montarias, fazer aquilo que for para tentar eliminar alguns destes animais”, afirma.

Segundo o presidente da Câmara, todas as cinco associações de caçadores do concelho já foram contactadas e convocadas para o encontro. A intenção passa por coordenar esforços e procurar garantir uma intervenção em todo o território municipal, tendo em conta que as associações não têm todas a mesma disponibilidade ou capacidade de atuação.

José Fernando Martins, presidente da Câmara Municipal de Mação. Foto: mediotejo.net

Embora o contacto com o ICNF seja mantido, o autarca explica que a autarquia está pronta para assumir a liderança e realizar esforços para combater a presença da espécie na vila. “Queremos assumir a liderança. Queremos ter aqui como grandes parceiros as associações de caçadores”, afirma José Fernando Martins, acrescentando que o município pretende perceber “quais as condições que as associações de caçadores podem precisar” e está disponível para participar num trabalho conjunto.

O autarca defende que o objetivo deverá passar por reduzir o número de animais no território, considerando que os javalis “reproduzem-se com muita facilidade”. Recorda ainda que a realidade da espécie no concelho mudou significativamente nas últimas décadas.

“Há 20 ou 30 anos, quando se falava javali, era uma espécie protegida e era uma espécie rara. Raramente se encontravam. Os caçadores procuravam-nos com uma finalidade. Hoje em dia, os javalis encontram-se com toda a facilidade”, refere.

A presença dos animais deixou de estar circunscrita às zonas rurais, segundo o autarca, que afirma ser já comum avistar javalis dentro das aldeias e da própria vila de Mação.

ÁUDIO | José Fernando Martins, presidente da Câmara Municipal de Mação

José Fernando Martins relaciona esta aproximação com a alteração do território e a disponibilidade de alimento. “Os javalis antes tinham comida em todo o território. As hortas eram cultivadas e, portanto, havia muita comida. Hoje em dia não, isso não acontece. Existem apenas muitos matos e os javalis, como qualquer outro animal, sente a necessidade de se aproximar mais das aldeias, de se aproximar mais das casas.”

A presença de alimentos acessíveis junto das localidades é, para o autarca, outro fator de atração. A Câmara já tinha apelado à população para acondicionar corretamente os resíduos e não alimentar os animais, numa informação divulgada nas redes sociais do município.

Além dos riscos para pessoas e animais, o autarca aponta os prejuízos materiais provocados pelos javalis. “Há destruição massiva que fazem dos haveres das pessoas. Destrói hortas, destrói paredes” e existem ainda perigos associados ao trânsito.

José Fernando Martins confirma que a Câmara já recebeu pedidos de ajuda e pedidos de indemnização relacionados com situações deste tipo, incluindo paredes danificadas e viaturas abalroadas. “As pessoas quando veem os seus bens destruídos, depois querem recorrer insistentemente à Câmara”, explica.

O autarca refere também situações em que os animais provocaram a queda de pedras ou danos em espaços particulares e vias, levando moradores a solicitar a intervenção da autarquia.

Foto ilustrativa: DR

Perante este cenário, a Câmara pretende que as associações de caçadores assumam um papel mais ativo no controlo da população de javalis. José Fernando Martins considera que os caçadores devem ser encarados também como “pessoas úteis” à comunidade e não apenas associados à atividade cinegética.

“Queremos estimular os caçadores e que os caçadores sejam vistos não só como as pessoas que querem ter as arcas cheias de carne, mas como os caçadores que são pessoas úteis e que querem criar utilidade à sociedade, nomeadamente matando estes animais para impedir que eles provoquem estragos às pessoas”, afirma.

O presidente da Câmara acrescenta que a caça destes animais está autorizada durante todo o ano, desde que sejam cumpridas as condições legais e os caçadores disponham das respetivas licenças.

A reunião de 11 de setembro deverá servir para avaliar a capacidade de resposta das cinco associações e definir uma estratégia conjunta para o território. “Aquilo que vamos tentar fazer aqui é que haja um esforço coletivo para darmos uma cobertura total ao território”, conclui José Fernando Martins.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Deixe um comentário

Leave a Reply