Trata-se de um documento cujos resultados ainda não estão finalizados, carecendo de análise mais profunda, mas com o município a avançar desde já com alguns dados sobre os jovens. Em nota informativa, a Câmara de Mação realça que “alguns resultados superaram as expectativas” – e aquilo que parece ser o desígnio do interior – quando 68,8% dos jovens indicam que gostariam de ficar a viver no concelho de Mação.
No tema Habitação é visível o grau de preocupação nos jovens ser elevado, com a atribuição de uma importância na ordem dos 92,6%. Outro valor a destacar é o do empreendedorismo assente no facto de 70% dos jovens ter afirmado que já pensou, ou pensa, desenvolver o seu próprio negócio/serviço no concelho de Mação.
Estes e outros fatores relevantes constam do relatório preliminar de um inquérito aos jovens do concelho de Mação que decorreu entre 20 de março e 20 de maio de 2024.
Ao inquérito aplicado, composto por 37 perguntas, foram obtidas 80 respostas. Segundo o Censos 2021, o número de jovens do Concelho de Mação era de 588. Assim, a taxa de resposta dos jovens é de 13,6%, considerando-se representativa, com uma margem de erro de 10% e um grau de confiança de 95%. Quer isto dizer que, aplicando este inquérito 100 vezes, em 95 das mesmas os resultados seriam idênticos.
Grupo I – Caracterização
Dos jovens que responderam 72,5% são naturais de Mação, os restantes vivem no Concelho atualmente.
Em relação às habilitações literárias, 38,75% dos jovens frequentam ou já concluíram o ensino superior (com licenciatura ou mestrado). Os restantes frequentam o 3.º ciclo e ensino secundário ou profissional.
Dos jovens que frequentam o ensino secundário, 69,2% pretendem frequentar o ensino superior.
Em relação ao agregado familiar, 5,1% vivem sozinhos, 6,3% vivem com uma pessoa, 32,6% coabitam com duas pessoas, 36,3% habitam com mais três pessoas e os restantes 19,7% vivem com quatro ou mais pessoas.
Na questão 10 era perguntado se “pretendes, ou gostarias, de viver em Mação após a conclusão dos teus estudos?” e 68,8% dos jovens afirmaram que “Sim”.
Em relação aos restantes 31,2% os motivos para não pensarem viver em Mação prendem-se com “falta de oportunidades em Mação para a profissão que vou ter”; “Sempre adorei Mação, mas sempre fui uma pessoa de conhecer muitos sítios”; “Não há empregos nesta área no concelho e arredores”; “Preferência pessoal”; “Quero viver num sítio maior e com mais oportunidades”, entre outros muito relacionados com a falta de emprego na área de estudo e o querer viver numa cidade.
Grupo II – Gostos e desafios
Em relação ao modo como ocupam os tempos livres, a maioria referiu o “estar com os amigos”, seguindo-se “cafés”, “cinema”. Viajar, ler e jogar consola apresentaram a mesma média, cerca de 35% dos jovens. Outras atividades são o futebol, piscina, ginásio e teatro.
No tema associativismo, 30% dos jovens está, de alguma forma, ligado a uma associação do concelho.
Em relação à prática de atividades desportivas, a percentagem de jovens que frequenta ginásio em Mação (20%) é o dobro dos que frequentam ginásio fora do concelho. Os valores relativos à prática de natação são muito idênticos aos do futebol.
Em relação ao futebol, os jovens que praticam esta modalidade são 22,25%, dos quais 18,75% fazem-no em Mação e só 2,55% joga fora do concelho. Referir a existência de várias equipas no concelho, nesta área, que captam e aproveitam os jovens locais para integrar as suas equipas.
Sobre as infraestruturas disponíveis, do Município, os jovens referiram frequentar, por ordem decrescente: o cine-teatro, jardins, polidesportivo, campo de futebol, pavilhão gimnodesportivo, campo de padel, biblioteca, galeria e piscina. Com menor expressão foi indicado o Museu Municipal sendo que um fator para isso poderá ser o facto de estar em obras.
Grupo III – Sociedade
O grupo III de questões procurou medir o grau de importância que os jovens dão a várias áreas e temas nas suas vidas, tendo sido verificados os seguintes resultados:
No tema “Educação e formação (ensino escolar, formação, desenvolvimento de competências)” a maioria dos jovens (88,8%) considerou ser: Importante (32,5%) e Muito Importante (56,3%).
Em relação à área do “Emprego e empreendedorismo (oportunidades de emprego, estágios, vagas de acordo com os teus conhecimentos)” 27% dos jovens considera ser Importante e 61,3% indicou ser Muito Importante.
Na área da “Saúde” os valores foram muito idênticos: 28,7% indicou ser Importante e 61,3% Muito Importante.
Já no tema “Participação cívica e cidadania” os valores mudam um pouco com a percentagem a atingir a maioria (31,3) no grau Médio de importância, e Importante em igual medida.
Em relação aos “Direitos humanos, igualdade de oportunidades e não discriminação” o grau de Importante e Muito Importante volta a ser maior, atingindo os 90%.
No tema “Criatividade e cultura (acesso à cultura, artes, expressão pessoal)” o grau de atribuição de muita importância foi na ordem dos 33%. Curiosamente regista-se um valor maior (em comparação com as outras áreas) no grau “Não importante”, ainda que de apenas 2,5%.
O tema “Mobilidade nacional e internacional (participar em atividades fora do local de residência, estudar no estrangeiro, intercâmbios)” tem uma expressão muito idêntica á anterior.
Na área da “Paz e segurança (promoção de sociedades pacíficas, respeitadoras da liberdade)” os valores são de 86,7% nos graus mais elevados de importância.
No tema Habitação (arrendamento jovem, condições dignas de habitação) é visível o grau de preocupação nos jovens ser elevado, com a atribuição de uma importância na ordem dos 92,6%.
O tema “Ambiente e desenvolvimento sustentável (preservação da natureza, proteção dos direitos dos animais, gestão dos recursos do planeta)” volta a ter um crescimento no grau Médio de Importância mas, ainda assim, não muito expressivo pois 86,3% atribui os dois graus maiores de preocupação.
Em relação à área dos “Apoios fiscais (medidas para apoio aos jovens, no IRS ou acesso à habitação)” 65% referiu ser Muito Importante e 21,3% Importante.
Procurámos saber também se os jovens já ponderaram, ou se está nos seus planos, desenvolver um negócio ou serviço no concelho de Mação. 70% afirmou que sim.
Em relação ao tipo de negócio em que ponderam fazê-lo foram indicadas: Agência Criativa; Clínica; Construção civil, Economia ou Gestão; Entretenimento; Informática; Restauração e desenvolvimento da gastronomia local; Saúde, gabinete de Nutrição; Mecânica; Cabeleireira; Trabalhos florestais; Turismo ou área do Desporto.
No final deste grupo, duas questões com resultados igualmente interessantes: 67,1% dos jovens considera que poderá desenvolver a sua profissão em teletrabalho.
Destes, 80% indicam que, se for possível fazer teletrabalho, ficariam a viver em Mação.
Grupo IV – Bem-estar
O último grupo de questões era de desenvolvimento, estando os resultados ainda a ser compilados e serão apresentados futuramente.
Ainda assim, o município avança que as áreas das necessidades e interesses que os jovens sentem que deveriam receber maior atenção localmente são: “mais áreas de estudo no ensino secundário”, “emprego”, “habitação”, “melhorar os serviços de saúde”, “aumentar a capacidade de apoio psicológico”, “apoio aos novos negócios”, “maior promoção do contacto dos jovens com certas realidades profissionais”, “apoio aos jovens recém-licenciados”, “arrendamento acessível e controlado”, “melhores apoios à natalidade”, “medidas cativantes para os jovens se fixarem no concelho”, “mais atividades para jovens entre os 13/18 anos”, “mais espetáculos de teatro musical”, “mobilidade dentro do concelho”, “criar mais zonas de lazer”, “atividades que instiguem a pratica de desporto e que cativem os jovens a sair de casa e socializar”, “atividade desportivas gratuitas” e “cultura”.
No inquérito, o município de Mação procurou, também, perceber quais as maiores dificuldades ou desafios que os jovens enfrentam atualmente, nas várias áreas da sua vida, no global.
Muitas respostas indicam as questões do emprego e habitação, algumas questões mais pessoais, sendo referidos: “transportes”, “os estudos”, “inexistência de emprego área de estudos”; “procura de emprego”, “gostaria de continuar a viver em Mação, mas sinto que não vai ser possível”, “oportunidade de trabalho”, “meios de transporte para quem se desloca de aldeias para a vila ou cidade mais próxima”, “na saúde a falta de um médico de família e na questão da empregabilidade sinto que encontro melhores opções fora de Mação”.
Foi também referida a “pouca oferta de emprego para pessoas com cursos”, “aos fins de semana há sempre imensas coisas a acontecer, mas durante a semana há poucos espaços e ofertas de lazer”, “seria muito bom ter um jardim grande onde as pessoas pudessem ir passear”, “falta de oferta comercial”, “desemprego, salários baixos, dificuldade no acesso ao mercado imobiliário (arrendar e comprar), dificuldade no acesso a cuidados de saúde no público, impostos altos, custo de vida elevado para os salários praticados”, “apoio ao estudo”, “conseguir um emprego na região”, “conciliar o tempo”, “falta de emprego e oportunidades para o futuro”, “adquirir habitação com boas condições”, “fracas acessibilidades, falta de serviços adicionais, baixa relevância hoteleira”, “falta de estacionamento no centro da Vila”, “equilibrar atividades escolares, sociais e pessoais”, “ter espaços para estar ao ar livre mais desenvolvidos”, “transportes para fora do concelho e não ter nada para fazer quando não tenho aulas”, “a Câmara de Mação fornece tudo o que um jovem pode pedir, além de terem uma escola excelente, na época das férias há muitas atividades para sairmos de casa e aproveitar o concelho”, “apoio na saúde”.
O município indica que as questões deste grupo estão a ser tratadas com maior profundidade.
No final, foi feito um conjunto de perguntas que procuravam averiguar e compreender o estado emocional dos jovens, bem como o seu sentido de pertença e integração. A maioria dos jovens, 65,7%, sente-se Feliz todos, ou quase todos, os dias. Em maior número, 77,5% dizem-se muito interessados pela vida.
Socialmente a maioria diz que não se sente diariamente em comunidade sendo que 46,2% por vezes afirma nunca, ou quase nunca.
Em relação ao futuro, 63,75% refere não sentir medo do futuro afirmado não o sentir de todo, ou senti-lo esporadicamente.
72,4% dos jovens referem, ainda, sentir que a vida tem sentido, número parecido com o dos que afirmam que se sentem interessados pela vida. Ainda assim, há uma percentagem relevante de jovens que não o sentem, número sobre o qual o município diz que há que “refletir”.
Em setembro, com o início do ano letivo, será apresentado o relatório final e a reflexão da Câmara Municipal de Mação sobre o mesmo.
Conceitos técnicos:
População-alvo: O grupo específico de pessoas para o qual um estudo, pesquisa ou campanha é direcionado.
Margem de erro: A margem de erro indica o nível de correspondência dos resultados da pesquisa com as opiniões da população total.
Intervalo de confiança: O intervalo de confiança é uma medida estatística que ajuda a avaliar a precisão e a confiabilidade das estimativas. O intervalo de confiança é expresso em percentagem, denominada por nível de confiança, sendo 90%, 95% e 99% as mais indicadas.

Fantástica iniciativa da Cãmara de Mação. Os jovens são o futuro !
Achei o inquérito muito abrangente e bem concebido.
Parabéns