José Moleiro, 61 anos e Rui Ferreira, de 37 anos viveram um episódio na noite de sexta-feira, 18 de agosto, que dificilmente vão esquecer: depois de terem estado parte da tarde a combater o incêndio que ameaçava uma casa na Ortiga – aldeia que, neste dia, esteve cercada pelas chamas – acabaram a noite no Posto da GNR de Mação a ser interrogados por suspeita de fogo posto. Tinham estado a trabalhar numa obra de uma vivenda, por conta de Joaquim Abelho, quando foram intercetados pela GNR, cerca das 21 horas, no Cruzamento do Restaurante “O Bigodes”. Dirigiam-se para casa, em Vale da Abelha, Ortiga, Mação.

Não tinham percorrido mais de 200 metros quando o Nissan Micra vermelho, conduzido por Rui Ferreira, foi bloqueado por dois carros da GNR. No seu interior tinha algum entulho das obras, alguns sacos com ervas que tinham arrancado e ainda um bidão para transporte de gasolina que estava vazio.

Dali foram, acompanhados por elementos da GNR, para o Posto de Mação onde estiveram até cerca das duas da madrugada. Acabaram por ser libertados, sem muitas explicações. Joaquim Abelho disse ao mediotejo.net só quer que seja feita justiça e que o nome dos dois homens seja limpo. Ortiga é um lugar pequeno e este sábado, 19 de agosto, as conversas na aldeia acabavam por dar ao mesmo: a detenção dos dois. Uma equipa da RTP estava a jantar neste restaurante e acompanhou a operação policial.
José Moleiro é seu primo e Rui Ferreira um amigo do mesmo. “Estiveram aqui o dia todo a trabalhar e quando vi que andava fogo junto à casa do sogro do meu primo, na Lagoinha, disse para ele deixar o trabalho e ir proteger a casa porque esta podia arder”, disse. Há fotografias dos dois a proteger a casa das chamas que estiveram muito próximas do local. “Saíram daqui, foram lá e quando voltaram tomaram banho, vestiram-se e foram intercetados à porta do Bigodes onde os carros da GNR estavam a trancar a estrada”, conta ao mediotejo.net.

De acordo com o mesmo, houve alguém que denunciou à GNR que tinha visto dois carros na Barragem, com duas pessoas, a deitar o fogo. “Não sei se é verdade ou mentira e passaram dois carros dos bombeiros para o lado da barragem. Quando eles saíram daqui foram intercetados”, disse.
José Moleiro diz que tem carta mas que nunca conduziu. Refere ainda que o “jerrican” que foi encontrado dentro do carro estava vazio. “Como é que podem dizer que me viram na Barragem quando eu nem sequer conduzo”, disse, indignado. Joaquim Abelho lamenta que os dois homens estivessem no “local errado, à hora errada” e considera que esta situação se deveu a um mal-entendido provocado pelo descontentamento da população em relação à coordenação (ou à falta dela) de meios no terreno.

Pois, um deles, o Rui até no ano passado incendiou um anexo no Vale da Abelha.E não foi por negligência. Realmente é uma grande injustiça.
Se fossem os bombeiros a interceptar as vítimas deste mal entendido estava tudo bem. Mas foi a Guarda e nem foram detidos. Foram foi conduzidos os Posto para se esclarecer a situação. Coitados foi mesmo um grande mal entendido.