Segundo o autarca, mais de duas semanas depois da passagem da tempestade Kristin, o concelho continua a sentir os efeitos da chuva persistente e das cheias no Tejo, com agravamento de derrocadas, muros e habitações em risco de ruína.
No sul do concelho, na freguesia de Ortiga, a subida do Tejo provocou novos danos, nomeadamente a destruição de parte dos passadiços ribeirinhos. No total, 52 pessoas ficaram sem condições para permanecer nas suas casas, correspondendo a 41 habitações sem condições mínimas de habitabilidade.
Atualmente, nove pessoas continuam desalojadas, embora realojadas em instituições ou junto de familiares, com vários munícipes a necessitar de acompanhamento psicológico.

Foram ainda registados danos significativos em edifícios municipais, empresas e habitações particulares, incluindo pavilhões industriais, bem como nas praias fluviais de Carvoeiro e Cardigos, afetadas por quedas de árvores, pela força das águas e detritos arrastados pelas ribeiras.




A Escola de Cardigos sofreu danos estruturais, entretanto estabilizados, e vários cemitérios do concelho foram atingidos por quedas de árvores, mantendo-se alguns encerrados.
O levantamento municipal contabilizava, até 11 de fevereiro, 580 formulários de registo de danos – 53 de empresas e associações e 527 de particulares.
“Estamos a fazer um levantamento muito exaustivo dos prejuízos, tanto das pessoas como dos equipamentos municipais. A ordem de grandeza é de milhões de euros”, sublinhou o presidente.

ÁUDIO | JOSÉ FERNANDO MARTINS, PRESIDENTE CM MAÇÃO:
A eletricidade e o abastecimento de água estão já repostos, mas persistem falhas nas comunicações em várias freguesias, situação que o autarca considera “inaceitável”, alertando para as dificuldades acrescidas na submissão de candidaturas a apoios públicos.
José Fernando Martins alertou ainda para os impactos na floresta e na agricultura, bem como para os atrasos nos trabalhos de prevenção de incêndios, num concelho historicamente fustigado pelos fogos rurais.
“Vai ser preciso muito trabalho e muito investimento para reerguer o concelho”, afirmou.




Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu em 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Não deverão insistir nos passadiços, porque o retorno não é grande e o Turismo sustentável passa por outro tipo de infraestruturas onde o investimento terá de ser muito maior para construir passadiços com outras normas de segurança e robustez, onde a engenharia existe em Portugal e por exemplo no LNEC, com saberes para salvaguardar estes picos de catástrofes que continuarão a surgir.
Atrair visitantes preocupados com a sustentabilidade da Natureza, passa prioritariamente por políticos que nestes Concelhos do Interior tenham nas suas Grandes Opções a Mobilidade como exigência, promovendo uma Rede Intermunicipal de Transportes Colectivos que una os Concelhos adjacentes com viaturas amigas do ambiente e não superior em lotação a 30 lugares, mas com regularidade diária de meia em meia hora de forma que a exigência de Directivas Europeias sejam cumpridas e integradas nos Planos de Adaptação às Alterações Climáticas que a maioria dos Concelhos em Portugal estão ainda em incumprimento.
Recorrer a Fundos disponíveis para atingir essa procura de chamar mais visitantes e pessoas que se possam fixar nestes territórios de baixa densidade que continuarão a perder população à medida que as áreas metropolitanas no Litoral crescerão em termos de demografia e do seu produto interno bruto. Concelhos que se não se fixarem na exigência junto ao Governo Central na prioridade da Mobilidade pelos Transportes Colectivos e de fazer compreender a esse Poder Central que o investimento na Ferrovia é fundamental para toda esta Região do Médio Tejo e Pinhal Interior sobreviver e não verem agravadas as assimetrias regionais, não conseguirão inverter esta acentuada tendência dos últimos 40 anos, onde as imensas estradas construídas, não resolveram a coesão do território.
Têm os autarcas coragem de assumir essas exigências e desprezarem a sua doentia concorrência partidária abdicando da sofreguidão de cumprirem três mandatos ?
Fica à reflexão.