Foto: mediotejo.net

Em mais um ano, o Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação decidiu abrir portas à comunidade, com uma programação diferente, com demonstração daquilo que se faz e aprende ao longo do ano letivo nas várias áreas e cursos. O último dia culminou com uma homenagem à melhor aluna do Agrupamento e com um jantar degustativo e harmonioso, servido pelos alunos do Curso de Cozinha e Pastelaria, e onde o talento musical não faltou, entoando-se desde a música mais contemporânea até ao tradicional fado português. 

Começamos pelo jantar, no ex-libris da escola, o Restaurante Pedagógico, que sempre nos surpreende com ementas originais e apelativas, quer de sabor, quer de apresentação. Desta vez, somos alertados por José António Almeida, diretor do AEVH, que iniciamos com momentos musicais, que foram sucedendo à medida que surgiam novos pratos da ementa. O jantar inicia com um apontamento musical já de si surpreendente por uma das formandas do curso de Cozinha, Bebiana Farias, de Casa Branca, concelho de Abrantes, com o tema de Carolina Deslandes, “A Vida Toda”.

Seguindo-se também a aluna Maria Isabel, de Belver, do 6º ano, com o tema “Melhor de Mim”, da fadista Mariza, com uma voz doce, e numa estreia absoluta que pareceu prometer no futuro.

Também Beatriz Pereira (vídeo acima) e Francisca Correia (segundo vídeo), ex-alunas maçaenses do Agrupamento de Escolas, brindaram os presentes, participando neste momento solene fazendo soar grandes êxitos do fado, acompanhadas pela viola de Manuel Correia. Vozes fortes, já a fazer crer no à-vontade com que envolvem o público, que chegou a acompanhar os temas cantados.

José António Almeida, que  não conseguiu esconder a emoção a cada prestação das alunas e ex-alunas, mostrou-se satisfeito com a edição de 2018 da “Escola Aberta” fazendo um balanço “positivo”. A comunidade e os pais deviam participar mais ativamente nesta iniciativa, mas segundo o diretor, lá chegarão.

A iniciativa abre as portas da escola para “mostrar um pouco do que vai sendo feito ao longo do ano em termos científicos, pedagógicos, culturais, desportivos”.

“Senti algum envolvimento dos pais, não tanto como gostaria, porque queria todos os pais envolvidos na escola”, que possam vir não só assistir ao desempenho dos seus próprios filhos mas também “aos filhos dos outros”, referiu, notando ainda assim que com a estreia de uma “abertura formal” que incluiu apresentação de trabalhos científicos de aluno do ensino secundário, levou a que o auditório do Centro Cultural Elvino Pereira enchesse para estar “em ambiente académico”.

Também as exposições permanentes patentes na sede do Agrupamento de Escolas, uma sobre um tema forte da história mundial, o Holocausto, foram visitadas diariamente.

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Os alunos puderam “mostrar tecnicamente” aquilo que é feito nos cursos profissionais do AEVH, caso do Curso de Saúde, que abriu uma sala de relaxamento.

E na noite de sexta-feira, dia 23, foi a vez dos alunos do curso de Restauração e Hotelaria, nas áreas de Cozinha e Pastelaria, darem (mais uma vez) cartas no espaço do Restaurante Pedagógico, num estilo intimista, glamoroso e com uma ementa gourmet que assaltava os olhos dos convidados, numa experiência sensorial que só é explicável ali, saboreando, experimentando.

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Depois das entradas, foram servidos pratos com produtos endógenos e típicos da cozinha tradicional portuguesa, mas onde o requinte não pôde faltar. Desde aquele “muffin” com presunto e ovo de codorniz, as barrigas de leitão com redução de laranja, com pipocas em molho de leitão e esparregado, às farófias com leite creme com um aroma inconfundível e agradável de alfazema assente em folha de arroz, ao final bem adocicado com queijinhos de figo…

Não. Não o faremos sofrer mais com aspectos descritivos. Apenas podemos afirmar que qualquer crítica gastronómica aqui descrita não faria jamais jus à qualidade do serviço prestado quer pelos alunos das quatro turmas do curso, quer pelos “comandantes” dos mesmos, os chefs Bárbara Vieira, Sílvio Martins e Raquel Rosa.

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Quanto aos alunos, este ano inserem-se em quatro turmas de Cozinha e Pastelaria, e todos os alunos vão sendo colocados em várias tarefas, de forma rotativa, servindo em eventos como este, de contexto real.

Segundo explicou o diretor do Agrupamento escolar, a experiência é importante, na medida em que “todos eles passem por experiências de desconforto, no sentido de servirem quem não conhecem, de contactarem com o contexto real. E eles estão a ter formação de cozinha, não de mesa; e no entanto vêm servir à mesa”, notou, frisando que a modalidade de Mesa e Bar não tem suscitado interesse por parte dos alunos, mas que é dada formação genérica nesse âmbito, dando polivalência aos formandos. Polivalência essa que, desta vez, já assume outros contornos, como o caso de poderem também os formandos ser entertainers nos espaços hoteleiros ou de restauração onde trabalhem.

No final, os alunos foram aplaudidos de pé por todos os convidados, numa longa e sentida salva de palmas pela sua prestação e serviço. Foto: mediotejo.net

“O que nós queremos é que estes miúdos, por estarem num curso profissional, não fiquem privados de nenhuma das outras experiências em termos formativos e educativos, e nós temos conseguido fazer isso. Não é por acaso que, quando falamos de formação de Cozinha e Pastelaria na área do Médio Tejo, as pessoas se lembram se Mação”, terminou, visivelmente orgulhoso dos seus alunos enquanto “reconhecimento do trabalho que tem sido feito”.

Sala “Inês Pereirinha” – uma homenagem simbólica a uma aluna com desempenho “singular”

A escola tem instituído um conjunto de prémios que reconhece a qualidade do desempenho dos alunos a vários níveis, e no último ano aconteceu algo que é “perfeitamente singular”, referiu o diretor.

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Inês Pereirinha conseguiu conquistar todos os prémios do Agrupamento, e “isso não está ao alcance de qualquer um”. “E a quem conquista todos os prémios do Agrupamento é-lhe atribuído um prémio em especial, que é o prémio Verde Horizonte Excelência”, explicou aquele responsável.

A aluna conquistou assim o prémio Exame, sendo a melhor aluna dos dois exames obrigatórios do Agrupamento, o Prémio Valor, participando em ações de voluntariado, o Prémio de Mérito e Mérito Contínuo (média de 16 em todos os períodos letivos, e no final do ano) e por fim o Prémio Aluno 100% (não teve qualquer ponto negativo em termos de comportamento, assiduidade ou em termos de avaliação).

“É um exemplo para todos os outros, daí ficar aqui a sua marca”, afirmou José António Almeida.

“Quisemos hoje, de uma forma muito simbólica, fazer algo que já está devidamente validado pelo Conselho Geral, que é atribuir à sala do Agrupamento que mais importância simbólica tem, uma sala de referência, (onde se reúne o Conselho Geral, o Conselho Pedagógico) o nome “Inês Pereirinha”, que manterá este nome até que um colega consiga conquistar o prémio Verde Horizonte Excelência”, disse o docente, explicando este incentivo, em estreia absoluta naquela instituição.

E a placa foi descerrada pela aluna e pelo diretor do Agrupamento, na presença dos pais, professores, assistentes operacionais e demais convidados, num momento de ovação.

“É algo simbólico, mas tenho a certeza que é algo que a Inês nunca mais irá esquecer”, algo que a própria confirmou de imediato, visivelmente feliz por ter ali uma sala “sua”, indicando que, enquanto aluna da escola (Inês já frequenta o primeiro ano do ensino superior) aquela seria a sua sala preferida.

O diretor do AEVH com a aluna distinguida e os pais. Foto: mediotejo.net

Para José António Almeida “o desempenho dos alunos não é de tal monta que permita dar-lhe o nome de um edifício, de uma rua, mas é de tal importância que pode ter, mesmo por um período mais ou menos longo de tempo, a marca deles na escola. E não há nada que marque mais, de forma perfeitamente visível, do que ir identificar espaços escolares”.

Agora a sala Inês Pereirinha existirá até que outro aluno consiga alcançar o mesmo feito da aluna Inês. Assim que outro aluno conquiste o prémio Verde Horizonte Excelência, conquistando todos os restantes em primeira volta, o nome da Sala B1 transitará para o mesmo.

“O nosso objetivo é que os alunos apareçam como modelos para os outros”, concluiu José António Almeida, aguardando expectante a luta pela sucessão.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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