Os utentes da unidade de Mação do CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, foram desafiados a refletir sobre os seus direitos enquanto pessoas com deficiência. Escolhendo um direito, cada utente fez transparecer numa tela colorida e por si desenhada aquilo que é a sua interpretação dessa sua liberdade e do impacto que tem no seu quotidiano.
“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”, Hannah Arendt, é a citação que integra o abertura do catálogo desta exposição dos 23 utentes da unidade de Mação do CRIA.
É esta a mensagem que se quis trabalhar internamente, com cada utente, sendo que estas obras de arte fazem parte da decoração da instituição, no polo que nasceu da conversão do antigo quartel dos bombeiros, no centro da vila. Saltaram das paredes da unidade para fazerem serviço público, numa ação de sensibilização da sociedade.

Lembrando a importância do compromisso assumido pelo país ao assinar a Convenção das Nações Unidades sobre os Direitos das Pessoas, em 2007, que visa desde 2009 “promover, proteger e garantir o pleno e igual gozo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua dignidade”, a mostra é ainda uma lição sobre força e resiliência, e com criatividade os ‘artistas’ do CRIA trazem para cima da mesa a reflexão sobre os princípios universais e as suas liberdades fundamentais e garantias que asseguram o seu primordial direito a uma vida com dignidade, integridade, igualdade e não discriminação.
É nesta ótica de valorização dos atributos artísticos, e humanos, de cada utente, de diversas idades, que o CRIA promove esta iniciativa, que serve de lembrete e sensibilização da comunidade em geral, mas também dos próprios utentes da instituição, sobre os direitos da pessoa com deficiência, conforme explica José Carlos Veríssimo, diretor técnico da unidade de Mação do CRIA.
ÁUDIO | José Carlos Veríssimo, diretor técnico da unidade de Mação do CRIA
Na inauguração da exposição, Vítor Moura, presidente da direção do CRIA, com sede em Abrantes, disse que são os utentes do CRIA o centro daquela exposição e os protagonistas, relembrando que a instituição é a sua casa. O dirigente referiu que os utentes “têm duas famílias, a de origem e a grande família do CRIA”, e notou que aquela iniciativa é “uma demonstração do que são capazes de fazer, são artistas”.
“Mostraram aqui que são capazes de fazer várias coisas. Esta é apenas uma das capacidades”, disse Vítor Moura, destacando ainda a colaboração da Câmara de Mação, mostrando “a família a funcionar” numa rede de parceiros na comunidade maçaense.
“O próprio povo do Mação creio que se orgulha de ter aqui uma unidade do CRIA a funcionar, e vocês são a prova da importância que isso tem para toda a gente”, concluiu.

Também na iniciativa esteve presente Vasco Estrela, presidente da CM Mação, acompanhado da vereadora Margarida Lopes, além do pároco Amândio Mateus.
Vasco Estrela foi primeiramente surpreendido por intervenção de utentes do CRIA, desde logo com a oferta de uma tela cheia de cor e que retratava o polo da instituição em Mação, assinada por Nuno Heitor.
Também recebeu em mão uma carta, que leu em voz alta, e cujo gesto representou um agradecimento ao autarca e à Câmara de Mação pelo apoio dado para a implementação deste projeto na vila maçaense. A carta referia-se a Vasco Estrela pela “sua sensibilidade para as preocupações sociais de uma forma geral, o seu trabalho enquanto cidadão e responsável político fala por si. Não precisamos acrescentar muito, só dizer que nos iremos sentir eternamente gratos pela sua ação na construção desta nossa/vossa casa. Trabalhamos diariamente para que esta casa, tornada realidade pela persistência do seu caráter humanista, seja sempre um exemplo de grande humanismo, fazendo jus a quem pela sua existência lutou e trabalhou”.
“As famílias precisam todas de uma casa, e nós, aqui, temos a nossa”, afirmou Vítor Moura.
O autarca exprimiu um “enorme obrigado” a todos e não conseguiu esconder a emoção ao abrir este presente, criteriosamente embrulhado e que trazia um grande laço amarelo e um embrulho verde – além da importância da cor verde pelo contexto de Verde Horizonte, o amarelo é a cor da bandeira do Município.

O edil notou que a Câmara tem trabalhado no sentido de ajudar os utentes a estarem integrados na sociedade e no concelho, acrescentando ser “com enorme orgulho” que Mação recebe o CRIA desde 2017.
“Tem sido uma parceria profícua para o concelho de Mação, mas principalmente para os utentes e para as suas famílias. É também a nossa obrigação, tornar-vos iguais a nós mesmos, porque somos todos cidadãos de pleno direito (…) Todos devemos ser iguais. Esse é também o compromisso da Câmara Municipal de Mação”, sublinhou.
O autarca agradeceu ainda a todos os técnicos e auxiliares pelo trabalho que desenvolvem, e também dirigiu agradecimento a Vítor Moura, presidente da direção do CRIA.
“Foi uma aposta da CM Mação o investimento para criar condições para que o CRIA aqui pudesse ser instalado. Foi uma aposta ganha. Deixo aqui o meu compromisso, que acho que é unânime no concelho, de que o CRIA faz hoje realmente parte da nossa comunidade como aliás sempre fez ao longo dos anos, mas agora de forma mais profunda e efetiva (…) estamos a cumprir a nossa obrigação, que é integrar aqueles que são cidadãos de plenos direitos como todos nós”.

Fica o convite para visitar esta mostra dos utentes do CRIA, tal como referiu João Machado em nome dos colegas, dando as boas-vindas na inauguração, lembrando que “todos temos direitos e esta exposição serve para lembrar as pessoas com deficiência que também os têm. Nós, através da arte, pintámos estas telas, que retratam esses direitos do nosso ponto de vista. Espero que gostem. Desfrutem da exposição”.
A exposição está patente até dia 27 de junho, na Galeria Carlos Saramago, no Centro Cultural Elvino Pereira (Rua Sacadura Cabral 6120-722 Mação). Pode ser visitada de segunda a sexta das 9h00 às 17h30 e aos sábados das 14h00 às 17h30.




























