Foto: mediotejo.net

Dezenas de professores, docentes e não docentes, alunos e encarregados de educação uniram-se para um cordão humano em Mação em defesa da Escola Pública, pelos direitos de todos os que permitem o ensino dos mais jovens, o futuro do país. A pé, ecoando cânticos, lembrando na via pública e para quem quisesse ouvir as suas reivindicações e um apelo ao respeito e reconhecimento do ensino público e da carreira docente.

Eram 17h30, muitos pais tinham os carros estacionados na avenida para recolherem os seus filhos. A maioria dos alunos seguia nos transportes escolares. Mas foi ficando evidente um ajuntamento na estrada da Escola Básica e Secundária de Mação. Uma faixa não deixava margem para dúvidas: o Agrupamento de Escolas Verde Horizonte está em luta.

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À frente da iniciativa as professoras Lucília Nogueira e Sandra Gil, responsáveis pela comissão de greve no Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação, e que promoveram o cordão humano junto da comunidade educativa. Esta quinta-feira ao final da tarde juntaram-se na porta da escola, segurando uma faixa larga, símbolo da luta e da união em prol da escola pública.

Lucília Nogueira, docente de português e atualmente delegada do S.T.O.P. (Sindicato de Todos os Professores), referiu que o objetivo passou por “continuar a mostrar e a passar a mensagem que efetivamente temos que ser reconhecidos no nosso trabalho”.

“Há que continuar a fomentar esta união, não podemos desistir, não podemos parar, porque nós temos trabalhado sempre com espírito de missão e não pode continuar a assim. Temos que ser pagos pelo trabalho que fazemos, temos que ter as carreiras reconhecidas e o tempo de serviço que efetivamente trabalhamos contado”, enumera.

Sobre a presença de alunos na iniciativa, nomeadamente a presidente da Associação de Estudantes, Lucília Nogueira crê que “os alunos estão cientes, têm questionado e querem saber o que se passa e penso que estão atentos a toda a comunicação social. É uma geração de alunos que nunca viu professores em luta, porque desde 2010 que não se viam manifestações assim, e isto acaba por ser uma mensagem também para eles, para saberem que podem e devem lutar sempre pelos seus direitos”, concluiu.

O cordão humano juntou professores, assistentes técnicos, assistentes operacionais, pais e encarregados de educação e alunos, que foram clamando que “Escola Unida Jamais Será Vencida” e “Costa! Escuta! A Escola está em luta”.

Numa caminhada entre a escola-sede do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação, e até à zona do centro histórico, junto ao Largo dos Combatentes, os professores puderam vincar mais uma vez a sua posição e passar a mensagem à população de que a sua luta ainda não terminou.

Enquanto porta-voz da iniciativa, Lucília Nogueira vincou que o que move os professores é a luta pela Educação enquanto direito fundamental, referindo que “a Escola Pública, em Portugal, tem vindo a ser paulatinamente depauperada, fruto de políticas educativas gravosas ao longo dos anos, que transformaram a Escola numa espécie de laboratório experimental dos diversos governos legislativos e dos seus devaneios políticos”.

Lucília Nogueira, docente do AEVH Mação, membro da comissão de greve da escola e delegada do S.T.O.P. Foto: mediotejo.net

Referiu ainda que os governantes têm sido “alheios ao superior interesse dos alunos, escusando-se a ouvir docentes, não docentes, técnicos e todos os que, efetiva e diariamente pugnam pela Escola”, referindo-se a inúmeras situações impostas ao ensino público, desde “alterações constantes de currículo escolares, modelos de avaliação, burocratização excessiva, pseudo-autonomia das escolas, transição de alunos, com vista a alcançar rankings de escolaridade, capacitações digitais sofríveis”.

“Os direitos dos professores, técnicos e assistentes operacionais têm sido postos em causa, com aquilo que achamos serem graves atropelos à lei”, notou, referindo como exemplo os múltiplos problemas notados nos últimos meses em ações de protesto e greves de professores, caso das “carreiras pouco dignificadas, em situações de precariedade, tempo de serviço subtraído, poucas perspetivas de progressão”, considerando estes alguns dos temas que têm garantido a união entre a classe docente.

“É urgente que se façam cumprir princípios de justiça, equidade, igualdade e dignidade”, concluiu, referindo que também os governantes e legisladores devem ser escrutinados pelas suas decisões.

Na ocasião, o diretor do Agrupamento de Escolas, José António Almeida, marcou presença e caminhou junto do pessoal docente que coordena em Mação, demonstrando estar ao lado dos professores. “Estarei sempre ao vosso lado, tal como costuma estar do lado da justiça. Merecem o maior reconhecimento pelo trabalho que fazem pelos nossos alunos”, referiu.

Também a presidente da Associação de Pais, Ana Heitor, integrou a iniciativa, deixando palavras de agradecimento e reconhecimento ao papel desempenhado pelos professores. O presidente da Câmara Municipal, Vasco Estrela, assistia de fora, também enquanto encarregado de educação, e na ocasião cumprimentou os presentes na iniciativa.

No Largo dos Combatentes, apesar do frio que já se fazia sentir, aos pés da Antiga Escola Primária de Mação e junto à Câmara Municipal, os participantes deram as mãos formando um cordão humano unido, a fazer jus à luta que tem vindo a ser travada. Desenharam um símbolo da união que continuará a ser necessária para que as vozes não calem agora que foram notadas e até que a tutela corresponda às solicitações que têm sido fortemente vincadas desde o final de 2022, em múltiplas ações de greve e manifestações nacionais.

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Profissionais da educação voltam a manifestar-se este sábado em Lisboa

Professores e trabalhadores não docentes voltam a manifestar-se este sábado em Lisboa, numa marcha organizada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop) em defesa da escola pública e por melhores condições de trabalho e salariais.

É a quarta manifestação promovida pelo Stop desde dezembro, quando iniciou também uma greve por tempo indeterminado que ainda se mantém, para exigir melhores condições para todos os profissionais das escolas, como um aumento salarial de 120 euros.

A marcha tem início marcado para as 14:00 em frente ao Palácio da Justiça, porque, explicou o coordenador nacional do Stop – estão “a exigir justiça” e prossegue até à residência oficial do primeiro-ministro.

O protesto deverá juntar-se depois à concentração do movimento Vida Justa, em frente à Assembleia da República, onde alguns professores e não docentes vão iniciar uma vigília de três dias, também organizada pelo Stop.

Em comunicado, o sindicato antecipou que, até terça-feira, estará ali acampada mais de uma centena de pessoas, “de boca amordaçada e os braços presos em sinal de protesto perante todos os ataques” que consideram estão a ser feitos contra a democracia e o direito à greve e “a uma escola pública de qualidade para todos que lá trabalham”.

Além de melhores condições de trabalho e salariais para os profissionais das escolas, o Stop reivindica também a recuperação dos mais de seis anos de tempo de serviço dos professores e o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões da carreira.

Contestam também a proposta do Governo para o novo modelo de recrutamento e colocação de docentes, que esteve em negociação com as organizações sindicais.

O processo negocial terminou na quarta-feira, sem acordo por parte dos representantes dos docentes. No final da reunião, o coordenador nacional do Stop, André Pestana, não adiantou se o sindicato iria pedir a negociação suplementar, mas considerou que os avanços, que diz terem sido conseguidos graças à contestação, foram, ainda assim, insuficientes.

“Manifestamente, é muito pouco para as questões centrais e que não estão a ser colocadas em cima da mesa”, sublinhou.

Na última marcha do Stop, em 28 de janeiro, que percorreu a Avenida 24 de Julho, desde o Ministério da Educação até aos jardins em frente à residência oficial do Presidente da República, o sindicato diz ter juntado mais de 100 mil pessoas.

c/LUSA

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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