A nova médica do Centro de Saúde de Mação junto do presidente de Câmara Vasco Estrela e da vice-presidente Margarida Lopes. Foto: CMM

Entrou em funções no Centro de Saúde de Mação uma nova médica ao abrigo do regulamento de incentivos à fixação de médicos instituído pela Câmara Municipal. A clínica assinou contrato na quarta-feira, dia 24 de julho, tendo chegado ao concelho por via de processo de mobilidade. A fixação de médicos no concelho continua, no entanto, a preocupar a autarquia, que diz que a situação “não é nada tranquilizadora”.

Atualmente o centro de saúde está dotado de duas médicas que exercem funções através do programa de incentivos municipal, em regime de prestação de serviços, e ainda uma outra clínica que tem estado a aguardar a sua entrada na aposentação, o que pode ocorrer a qualquer momento.

A médica Maria Silvestre Domingos entra ao serviço do centro de saúde de Mação por via do regulamento de incentivos à fixação de médicos que atribui um incentivo financeiro de até 2.500 euros mensais a cada médico de família que se fixe no concelho de Mação, até um máximo de três profissionais de saúde.

O autarca Vasco Estrela frisa que este tema continua a ser “difícil de gerir”, sendo que a autarquia apesar de não ter responsabilidade direta nesta matéria, tem “encetado diversos esforços através de diversos contactos para tentar ajudar a resolver o problema”.

“Neste momento a situação não é nada tranquilizadora”, assumiu, descrevendo aquilo que tem sido a luta dos cidadãos maçaenses ao permanecer em longas filas e dificuldades na tentativa de acesso às consultas de recurso disponíveis ao fim de semana, “a grande solução que as pessoas encontram para tentar resolver o problema”, sendo certo que “não há neste momento médicos de família em Mação a não ser o ficheiro da Dra. Fernanda” [médica que aguarda a aposentação].

“Em breve não haverá em Mação um único médico de família. Infelizmente é a nossa realidade”, lamentou.

Quanto às duas médicas integradas por via do programa de incentivos municipal, apesar de serem da área da Medicina Geral e Familiar, não têm ficheiro atribuído, uma vez que não ocupam a vaga de médico de família através do concurso habitual, mas chegam sim através da prestação de serviços.

“É uma situação muito precária que aqui existe”, disse o presidente de Câmara, notando que talvez haja agora possibilidade de concurso para duas clínicas.

Centro de saúde de Mação. Foto: mediotejo.net

Da parte da ULS Médio Tejo, Vasco Estrela diz que foi assegurado estarem a tentar e que abriram vagas, indicando que “há esperança que nestas 26 vagas onde está contemplado Mação, hajam médicos a concorrer para a zona, mas eu tenho as minhas dúvidas. Esta é uma situação transversal a esta zona do país, e que nos está a causar muitos problemas”.

Quanto às condições no tempo de espera pelos utentes, o autarca afirma que continuam aquém e por isso diz manter a sua decisão de, no início de setembro, a autarquia avançar com a abertura do Centro de saúde mais cedo ao fim de semana, para que as pessoas estejam pelo menos comodamente instaladas à espera de poderem se inscrever para terem consultas.

“Da parte da ULSMT já deram luz verde. Na semana passada foi-me transmitido que sendo as instalações agora da responsabilidade da Câmara quase que não seria necessário haver essa luz verde”, notou, indicando que também será contratada segurança no sentido de “evitar acesso a zonas críticas do equipamento”.

Refira-se que a Câmara Municipal lançou um pacote de medidas de incentivo à fixação de médicos para tentar estancar um problema que afeta a população maioritariamente idosa, dispersa por mais de 100 localidades, num concelho com mais de 400 km2 de área e que necessita de acompanhamento médico e cuidados regulares, sedo que no concelho há um grande número de utentes que sofrem constrangimentos no acesso a consultas, devido à falta de médicos de família.

A autarquia revelou que será lançado em breve um novo período de candidaturas ao abrigo do Regulamento de Incentivos à Fixação de Médicos do Município de Mação.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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