Praia fluvial de Ortiga (Mação). Foto arquivo: Joaquim Diogo

A época balnear arranca, em Mação, dia 14 de junho, data em que “estará tudo operacional e em condições para receber os visitantes”, garante a presidente da Câmara, Margarida Lopes (PSD). À semelhança de anos anteriores, as três praias fluviais do concelho, em Cardigos, Carvoeiro e Ortiga esperam receber muitos banhistas até 14 de setembro.

“Está tudo a correr a bom ritmo. Portanto, esperamos ter tudo a postos para a época balnear que se avizinha. Esperamos, obviamente, ter cá muitos visitantes este verão”, disse ao nosso jornal a presidente.

Para já o Município de Mação prepara as praias para a época balnear, com as intervenções finais ainda a decorrer nas três praias. Este ano a manutenção iniciou mais tarde devido ao inverno longo e chuvoso, justifica o executivo municipal.

A praia fluvial de Cardigos é aquela que merece uma intervenção “mais significativa” devido à substituição da tela, explica, por seu lado, o vereador Vasco Marques (PSD) após o vereador socialista, Nuno Barreta, solicitar um ponto de situação.

“O inverno foi longo, não nos permitiu proceder a certas intervenções que estavam identificadas mais antecipadamente. Estamos a trabalhar a fundo nas três, para que no dia 14 de junho estejam em condições de abrir ao público”, disse Vasco Marques no decorrer da reunião de executivo de quarta-feira.

Reunião de Câmara Municipal de Mação. Créditos: mediotejo.net

Quanto ao parque de campismo de Ortiga, o vereador afirmou que o Município está “a pagar o preço de uma gestão privada danosa” durante o ano de 2022.

“Tem-nos chegado muitas consultas, temos grupos, temos muita procura, estamos a evitar também um excesso de pessoas no mesmo dia. Portanto, uma boa gestão do espaço e do tempo que possa permitir recuperar a excelente imagem que tínhamos antes dessa gestão privada. Temos uma lista de grupos e por vezes não temos a capacidade instalada para responder positivamente a todos. Carece de uma gestão mais equilibrada ao longo do tempo para combater o fator de sazonalidade, para que o espaço possa ser atrativo 12 meses por ano e não apenas em julho e agosto”, declarou o vereador socialista.

ÁUDIO | VEREADOR VASCO MARQUES

A presidente do município, Margarida Lopes, manifestou preocupação com a época balnear, particularmente na praia fluvial de Ortiga, devido às obras da EDP no rio Tejo, a jusante da barragem do Fratel, que decorrem desde maio e até outubro. Isto porque a praia terá “menos água” do que habitualmente, a albufeira de Belver já revela uma cota muito inferior à existente nos anos anteriores, uma vez que as descargas são realizadas, através da barragem do Fratel e de Belver, unicamente durante a noite.

A autarca lamentou que os concelhos ribeirinhos, nomeadamente Mação, não tenham sido escutados ou sequer informados sobre a respetiva intervenção. “Já manifestámos o nosso descontentamento relativamente a este assunto”, declarou.

E confirmou que tal intervenção “vai mexer com a questão da cota em Ortiga. Vai estar abaixo daquilo a que estamos habituados precisamente por causa das descargas e das horas a que essas descargas são feitas”.

Segundo Margarida Lopes, a Proteção Civil “está de sobreaviso e irá acompanhar toda esta situação, mas claro que em termos turísticos ficamos preocupados e esperemos que não interfira com os visitantes que queiram vir até Ortiga”, porque, explica, “vai haver menos água durante o dia”.

Além das obras a jusante da Barragem do Fratel poderem ter implicações no turismo, a preocupação prende-se, ainda, com a população que vive do rio Tejo, ou seja, os pescadores que, de acordo com Margarida Lopes, “estão a sentir” os efeitos das obras.

“A descida do caudal já se nota” e por conseguinte, na praia fluvial de Ortiga, a autarquia viu-se já obrigada a depositar mais areia no espaço de areal.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MAÇÃO, MARGARIDA LOPES
Barragem de Ortiga/Belver Foto: EDP

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) autorizou a EDP a realizar um conjunto de intervenções no rio Tejo, a jusante da barragem do Fratel, entre maio e outubro de 2025, mas a informação só foi conhecida há duas semanas. Segundo a APA, as obras visam melhorar a produção de energia e facilitar a circulação de peixes entre as albufeiras de Belver e Fratel.

Entre as ações previstas encontramos o reperfilamento e rebaixamento do canal de restituição, o que permitirá, de acordo com a APA, “melhorar a produção de energia utilizando o mesmo volume de água já concessionado”. A EDP irá também construir uma passagem para peixes, permitindo que se movimentem entre as duas albufeiras, atendendo que a eclusa existente na barragem do Belver foi recentemente intervencionada, encontrando-se operacional.

Porém, o plano de intervenção envolve alterações na gestão da água, no sentido de “garantir a segurança das pessoas e dos equipamentos” durante as obras no leito do rio, explica a APA. Entre as medidas consideradas “necessárias” destaque para “não turbinar e minimizar os descarregamentos da barragem do Fratel” com horários anunciados: entre as 7h00 e as 19h00. De notar a descida da cota mínima de exploração da albufeira do Fratel de 71 para 69 metros, no sentido de “garantir maior encaixe dos caudais que venham de Espanha”.

A APA indica igualmente que, durante o período da intervenção, a albufeira de Belver será explorada entre as cotas 44,5 e 45 metros. Para repor os níveis da albufeira do Fratel, as descargas necessárias, através das barragens do Fratel e de Belver, ocorrerão à noite, entre as 19h45 e as 06h15. A agência salienta que a reposição do nível da albufeira do Fratel poderá implicar o lançamento de caudais com alguma significância, sempre que os caudais afluentes de Espanha sejam muito significativos. Este regime de exploração poderá originar caudais mais elevados do que o habitualmente observado em época de estiagem.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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