Numa sessão promovida pelo projeto Horizonte Solidário, assente num movimento de voluntariado e solidariedade social, cidadania ativa e promoção da saúde, com apoio do Grupo de Abrantes da Liga Portuguesa contra o Cancro, falou-se na prevenção e deteção precoce como a chave para uma resolução eficaz e desfecho positivo de uma luta que exige, acima de tudo, esperança no futuro e motivação.
A dias do fim do mês simbolicamente associado à sensibilização para a prevenção e luta contra o cancro da mama, participaram esta quarta-feira, dia 25 de outubro, alunos do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte e da Universidade Sénior de Mação, além de docentes, técnicos e comunidade em geral no auditório do Centro Cultural Elvino Pereira, numa manhã que já sugeria aprendizagem e partilha, mas também alerta, onde os tons rosa, seja em adereços e faixas decorativas, seja no vestuário que cada um optou por trazer, já carregava o simbolismo da iniciativa.
Numa primeira abordagem, Matilde Sacavém, coordenadora do Grupo de Apoio de Abrantes da Liga Portuguesa contra o Cancro, fez referência à missão da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), indicando que foi fundada em 1941 com o propósito de, enquanto associação de utilidade pública e sem fins lucrativos, “combater o cancro e apoiar o doente oncológico e a sua família”.

A LPCC tem, de facto, como principais pilares de atuação o apoio ao doente e sua família, além na aposta na prevenção primária (vacinação, mudança de comportamentos e estilos de vida) e na prevenção secundária (medidas que diminuem a prevalência da doença, como a realização frequente de rastreios e as ações que promovem o diagnóstico precoce), bem como no apoio à investigação e formação em Oncologia, com atribuição de bolsas de investigação e apoio à formação de técnicos de saúde.
Por outro lado recordou-se que se realizará o peditório anual da Liga, no dia 1 de novembro, feriado do Dia de Todos os Santos, que Matilde Sacavém destacou como sendo a iniciativa onde a LPCC angaria fundos para as suas iniciativas ao longo do ano, mantendo o apoio a quem necessita.
Neste âmbito reforçou-se a importância do Movimento Vencer e Viver, enquadrado no apoio ao doente e aos seus familiares. Este programa incide sobre o bem-estar físico e emocional da mulher, dando apoio emocional às pacientes, nomeadamente no pós-operatório, além de apoio prático com oferta/venda de próteses mamárias, sutiãs, mangas elásticas, entre outros. Também é feita a entrega de livros e folhetos informativos sobre o cancro da mama.

A psicóloga Cláudia Almeida, também da equipa do Grupo de Apoio de Abrantes, fez um retrato da luta contra o cancro da mama a nível global e nacional, sublinhando que a luta começa com a prevenção. “Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que 1 em cada 3 pessoas pode vir a ter cancro neste século”, sendo que “entre 30 a 50% dos cancros podem ser evitados através da adoção de hábitos saudáveis”.
Mas acontece que em Portugal são diagnosticados 7 mil novos casos de cancro da mama por ano, sendo que 1 em cada 8 mulheres portuguesas poderá vir a ter cancro da mama ao longo da vida e cerca de 95% são curáveis quando detetados precocemente.
O cancro da mama “afeta mulheres de todas as idades”, no entanto a incidência é maior nas mulheres com mais de 50 anos. Também os homens podem ter cancro da mama (cerca de 1% dos casos).
Entre os fatores de risco para o cancro da mama surge o facto de ser mulher, além de o risco aumentar à medida que se envelhece; também a história familiar e a história pessoal influenciam; algumas alterações na mama; alterações genéticas; primeira gravidez tardia; história menstrual longa; obesidade.

Foram ainda enumeradas dicas práticas para a prevenção, de onde se destaca:
- Não fumar, nem utilizar qualquer forma de tabaco.
- Faça da sua casa uma casa sem fumo. Apoiando regras anti-tabágicas no local de trabalho.
- Mantenha um peso saudável.
- Mantenha-se fisicamente ativo, limite o tempo que passa sentado.
- Faça uma alimentação saudável. Coma bastantes cereais, leguminosas, vegetais e frutas. Limite alimentos com muito açúcar e gordura e evite bebidas açucaradas. Evite carnes processadas (enchidos, carnes fumadas,…), carnes vermelhas e alimentos com elevado teor de sal.
- Se consumir álcool, limite a quantidade. Não consumir bebidas alcoólicas é benéfico para a prevenção do cancro.
- Evite a exposição excessiva ao sol, especialmente nas crianças, e use protetor solar.
- Proteja-se de substâncias cancerígenas no seu local de trabalho, seguindo instruções de segurança e saúde.
- Verifique se está exposto a radiação derivada de altos níveis de radão natural em casa. Tome medidas para reduzir os níveis.
- Para as mulheres: amamentar reduzir o risco de cancro da mama. Se puder, amamente o seu bebé. Alguma terapêutica hormonal de substituição aumenta o risco de determinados cancros, pelo que o seu uso deve ser limitado.
- Assegure-se de que os seus filhos estão vacinados contra a Hepatite B para recém-nascidos; Vírus do Papiloma Humano (HPV).
- Participe em programas organizados de rastreio – cancro colorretal (homens e mulheres), cancro da mama (mulheres), cancro do colo do útero (mulheres).
Quanto à importância da deteção precoce, esta pode “salvar vidas” pois irá “permitir que os tratamentos não sejam tão agressivos e/ou mutilantes e melhorar o prognóstico”.
Para a deteção aconselha-se fazer o auto-exame mensalmente, o exame clínico anual mesmo que sem sintomas; mamografia de 2 em 2 anos a partir da altura indicada pelo médico; participe no rastreio, gratuito, quando receber a carta-convite (50 aos 69 anos).
Por outro lado, destaca-se que não se deve descurar a realização de rastreios, mesmo que não se detete nada na palpação mamária e/ou não tenha sintomas ou sinais de alerta.

A deteção precoce é a chave, seja por via do auto-exame ou do check-up anual que é aconselhado fazer, nomeadamente por via de mamografia prescrita pelo médico assistente.
De todo o modo, existem alguns sinais de alerta que são exemplificativos de que algo não está bem e que devem merecer atenção e atuação eficaz para diagnóstico, estudo e tratamento.
A imagem da caixa de ovos com vários limões de diferentes aspectos, ajuda a perceber esses sinais de alerta, nomeadamente: a) qualquer alteração na mama ou no mamilo, quer no aspecto quer na palpação; b) qualquer nódulo ou espessamento na mama, perto da mama ou na zona da axila; c) sensibilidade no mamilo; d) alteração do tamanho ou forma da mama; e) retração do mamilo (mamilo virado para dentro da mama); f) pele da mama, aréola ou mamilo com aspecto escamoso, vermelho ou inchado; g) pode apresentar saliências ou reentrâncias, de modo a parecer “casca de laranja”; h) secreção ou perda de líquido pelo mamilo.

Quanto ao acompanhamento psicológico dado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro é gratuito, por via de consulta de Psico-oncologia, onde são atendidos os doentes, seus familiares, cuidadores e profissionais de saúde. Este apoio pode ser solicitado em qualquer fase da doença (diagnóstico, tratamento, remissão ou recidiva).
O conselho é que, sempre que existam alertas, desconfianças ou dúvidas, deve-se ir ao médico quanto antes e avaliar e acompanhar no sentido de obter respostas concretas.
Na iniciativa esteve presente o diretor do Agrupamento de Escolas, José António Almeida, e o docente referiu na abertura da ação que “a escola hoje não é a escola que era há 10 anos, nem há 15 ou 20; hoje a escola mete-se em domínios muito mais abrangentes. Hoje a escola não ensina só conteúdos disciplinares, e conceitos. Hoje a escola forma para a vida e tem um papel importante”, frisou.
“Felizmente temos agentes que têm essa preocupação todos os dias na escola, como é o caso do Horizonte Solidário, um projeto de grande envolvimento, não é só um projeto de solidariedade, é um projeto de cidadania”, e agradeceu à coordenadora, a professora Cláudia Olhicas, pedindo um aplauso à equipa do projeto pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.
Falando nos domínios onde a escola atualmente assume compromisso, disse que um deles visa promover a qualidade de vida em todas as gerações. “Temos uma educação ao longo da vida, é sempre importante que haja envolvimento com as gerações mais jovens, porque é com experiência que se aprende muito”, destacou.

José António Almeida referiu-se ainda ao conceito de cancro e à dificuldade em pronunciar a palavra e falar desta doença, referindo que tem de se falar no tema, porque assim consegue-se “prevenir, antever e antecipar determinados problemas”.
Para o professor esta sessão de sensibilização foi, mais do que uma iniciativa de sensibilização, uma “lição de cidadania, de educação para a saúde e de educação para a solidariedade”.
“Na escola temos essa obrigação, de promover e cultivar valores, e garanto-vos uma coisa: não há nada mais importante do que estes dois valores, a solidariedade e a saúde. Se formos saudáveis e solidários temos tudo para ser felizes”, terminou, dirigindo-se aos alunos.
Também presente na iniciativa esteve Margarida Lopes, vereadora da CM Mação com o pelouro da Saúde, que saudou o Agrupamento de Escolas pelas iniciativas inovadoras que tem levado por diante, caso do projeto Horizonte Solidário. A vereadora frisou que esta é uma temática em que é importante “envolver todos, nomeadamente os mais jovens” e que seria pertinente e relevante retirar da cabeça a ideia de que “só acontece aos outros”, crendo que todos devem estar alerta para a prevenção e diagnóstico de cancro.

“Nunca estamos preparados para este tipo de situações, mas quanto mais informação tivermos sobre como proceder, como ajudar e como prevenir é uma mais-valia para que as coisas possam correr de outra maneira”, disse.
Por outro lado, quanto ao cancro da mama, frisou que é importante estar ciente que não ocorre só às mulheres, mas também aos homens, pelo que é importante existir informação, além da noção da importância da prevenção e diagnóstico precoce e que é impreterível todos estarem alerta para esta doença nos dias que correm.
Testemunhos de quem trata o cancro da mama por tu
No auditório, o momento mais impactante foi o relato de quem passou ou está a passar por um cancro de mama. Fez-se silêncio para ouvir as vozes guerreiras de quem ultrapassou duras batalhas com vigor, e quem sabiamente hoje lida, com as ferramentas necessárias, com esta doença pela segunda vez.
Palavras de quem passou a tratar o cancro da mama por tu, e que por isso compreende mais facilmente e tem empatia de sobra para com doentes oncológicos que sejam recentemente diagnosticados, disponibilizando-se para ouvir e para aconselhar ou apenas para motivar durante a caminhada dos tratamentos e no combate à doença.

No caso da voluntária, e coordenadora do Movimento Vencer e Viver, do Grupo de Apoio de Abrantes da LPCC, Paula Villaverde, contou que após ter tido o último filho começou a fazer exames de rotina, recomendados pelo médico, e numa mamografia foi detetado cancro da mama, tendo depois passado pelo processo de tratamento. Quis por isso deixar o “testemunho de que a deteção precoce é fundamental para que a cura tenha um bom fim”.
“Hoje em dia continuo a fazer os meus rastreios, impreterivelmente todos os anos faço os exames que o médico manda fazer, tudo certinho e não falho. Todos anos lá estou, porque não quer dizer que não venha a ter uma recidiva. Sou uma pessoa de risco, como é óbvio. Mas o testemunho que posso dar é que, detetado a tempo, que foi o meu caso, consegui a cura. Estou aqui para dar esse testemunho e dar o meu apoio a quem precisar”, frisou.
Já Rosário Rufino, docente de profissão e voluntária do Movimento Vencer e Viver em Abrantes, no Grupo de Apoio de Abrantes da Liga Portuguesa Contra o Cancro, teve cancro da mama há 13 anos. Na altura com 32 anos, reconhece que não se enquadrava na idade em que a prevalência é maior, e não tem nenhum caso na família até hoje. Foi caso único.

“Não estava minimamente sensibilizada para fazer prevenção”, confessou, dando conta que notou um nódulo enquanto tomava banho. Foi depois de consultar o seu médico e de fazer uma série de exames que recebeu o diagnóstico de cancro da mama, algo que não esperava e que assume ter sido “um choque” inicialmente.
Reforçando que a deteção precoce é fundamental, disse que depois foi submetida a mais exames para apurar qual o estádio da doença. “Saí da consulta sem saber muito bem o que me iria acontecer, com uma panóplia de requisições de exames para tentar perceber o ponto em que se encontrava a doença. Para depois se definir os tratamentos”, contou, referindo que após a consulta ficou muito tempo na casa de banho do hospital a chorar. Seguiu-se a altura de contar aos pais e aos amigos sobre a doença, até porque “não podia viver uma situação tão dura, tão difícil, sozinha. Queria o apoio de todos”.
Passou por uma cirurgia, e depois fez quimioterapia, radioterapia e todos os tratamentos, continuando hoje a fazer consultas de rotina e exames periódicos. “Felizmente há 13 anos estou bem; não estou livre que me surja uma recidiva. Mas estou bem e, pessoalmente, sinto-me curada”, disse, testemunhando ainda o facto de sempre ter tido vontade de formar família mas que a quimioterapia lhe fintou os planos ao trazer consigo a infertilidade.
“O meu desejo de ter filhos não foi possível devido aos tratamentos. Mas como não há um único caminho para chegarmos aos nossos objetivos e para atingirmos a nossa felicidade, eu sou mãe por via de adoção, adotei duas crianças. Estou bem, com saúde, feliz… e mãe”, concluiu.
De Mação surgiu o testemunho de Rui Cardoso, alguém que já passou por dois episódios de cancro, e que hoje se encontra a lutar contra um cancro da mama. “Tive o primeiro cancro, no intestino, com 33 anos e tinha três filhos pequenos. Com 42 anos tive cancro da mama no peito esquerdo, algo que consegui superar. Presentemente tenho cancro no peito direito, é um ‘amigo’ que anda comigo há cinco anos, está parado, mas claro que me preocupa”, explicou.

“São situações que nos deixam um bocado desmoralizados. No entanto, quero-vos transmitir o seguinte: quanto tive o primeiro cancro estive internado nove meses. E mantive sempre pensamento positivo. Sempre pensei que me ia curar e que saía de lá pelo elevador do meio, por onde entra e sai toda a gente”, prosseguiu Rui Cardoso.
A lição que Rui passou a todos os presentes, nomeadamente aos mais jovens, foi que “o pensamento positivo vale tanto como a medicina”, e que é importante não desmoralizar, não perder a esperança e acreditar na Medicina e na cura.
Alertando que o cancro não escolhe idades, diz que a força, a coragem e a confiança e esperança no futuro são palavras-chave para ultrapassar a doença e sair vitorioso. Deixou ainda a dica de que os jovens podem e devem recorrer ao Grupo de Apoio de Abrantes da Liga Portuguesa Contra o Cancro se entenderem que precisam de ajuda ou aconselhamento neste âmbito.
Entre o momento de partilha e testemunhos na primeira pessoa, refletiu-se ainda na questão da importância da saúde mental e do apoio psicológico, que tal como o cancro, há décadas atrás eram assunto tabu, e nem sempre estiveram disponíveis ao cidadão comum e ao doente oncológico, tendo os oradores referido que faria todo o sentido existir esse apoio psicológico e que até teriam recorrido, se fosse hoje, uma vez que a doença e o conceito de cancro tem vindo a ser desmistificado e é debatido com maior naturalidade e conhecimento.

“É muito importante o acompanhamento psicológico também para os familiares, porque muitas vezes sofrem mais do que os doentes”, referiu Rosário Rufino, assumindo que após ter conhecimento do seu plano de tratamento ficou com mais serenidade, mas os familiares não, pois não se sentiam parte da ação e era mais difícil a espera e o acompanhamento. Além disso, há também a hipótese de uma mulher com cancro da mama poder ser mutilada, ou o facto de os tratamentos causarem alopécia total, e isso mexer com a auto-estima da doente, o que por vezes só se consegue ultrapassar com apoio psicológico.
Atualmente, no Grupo de Apoio de Abrantes da Liga Portuguesa contra o Cancro, o apoio e consulta de Psico-Oncologia é gratuito, podendo ser dado a doentes, cuidadores, familiares e técnicos, bastando contactar ou deslocar-se ao local.
Do público, uma das alunas da Universidade Sénior de Mação recordou a morte do marido, com cancro do pulmão, há várias décadas atrás, numa altura em que o diagnóstico de cancro não era falado abertamente. Disse que, no seu caso, o apoio psicológico teria sido importante para si e para as suas filhas, menores na altura, além de outros apoios nomeadamente para as deslocações que fazia de táxi até ao Hospital para ver o marido e com poucos rendimentos.
Também questionado aos oradores foi se sentiram algum tipo de exclusão ou discriminação, mas estes dizem não ter-se sentido excluídos, afirmando ser natural a curiosidade do outro, e os olhares. Quanto ao trabalho, pelo facto de ser menos produtivo e estar mais frágil, também não houve indicação de nenhum dos participantes sobre se sentirem discriminados nesta fase.
Na plateia, um grupo de alunos do ensino secundário do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte e da Universidade Sénior de Mação, ouvia atentamente cada discurso e intervenção. Foi uma manhã frutífera e de sensibilização, que deixou lições e dicas práticas que permitem a todos estar munidos de informação para saber agir em caso de suspeitas ou alertas, seus ou de pessoas que lhes sejam próximas.
Após a palestra, decorreu um almoço com convidados e parceiros da iniciativa no Restaurante Pedagógico da escola-sede do Agrupamento de Escolas, onde o tema “Outubro Rosa” estava bem vincado, tendo que alunos e formadores receberam com primor, pompa e circunstância, numa ementa a fazer jus à temática.




Horizonte Solidário: um projeto escolar que une professores e alunos na senda do voluntariado, da solidariedade e da cidadania ativa
O Agrupamento de Escolas de Mação tem como imagem de marca a criação de projetos inovadores, ‘fora da caixa’, que estimulam à participação cívica, à cidadania ativa, à solidariedade e empatia, além da promoção da saúde e bem-estar coletivos.
Aqui se insere o projeto Horizonte Solidário que o nosso jornal procurou conhecer melhor junto da sua coordenadora, a docente Cláudia Olhicas, professora de Educação Física no AEVH, também reconhecida cidadã voluntária empenhada em causas sociais não só no agrupamento de escolas, mas também na sua comunidade.

Mediotejo.net: Este projeto nasce para envolver os alunos e professores ou depende de mais intervenientes? Quem são os atores da iniciativa?
Cláudia Olhicas: O projeto tem sido levado a bom porto graças à generosidade dos alunos do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte que se têm inscrito no projeto e de alguns patrocinadores e entidades que têm contribuído, ajudando o Horizonte Solidário a tornar a vida escolar das nossas crianças um pouco mais felizes.
Em que consiste o projeto Horizonte Solidário?
O Horizonte Solidário, através de um conjunto de ações de sensibilização, evocação, e cujo mote é a solidariedade, desenvolvidas a cada ano letivo para os alunos e restante comunidade escolar, consiste num projeto que procura contribuir para uma comunidade mais justa, afetiva/equitativa/igualitária. É um projeto que busca a Felicidade, através da Solidariedade.
Quando foi criado e com que intuito?
O projeto nasceu no ano 2020, espontaneamente numa sala de professores … Do olhar atento e sensível … Da constante preocupação em solucionar… Da necessidade ambiciosa de mudar o mundo de alguém… Da vontade de desenhar sorrisos… Do desejo de resgatar ou transmudar o brilho no olhar de alguém… Pela motivação em criar condições mais favoráveis à igualdade de oportunidades, melhorando a inclusão educativa… Pela vontade de preparar para a vida, de proporcionar experiências únicas, marcantes em emoções e ancorado em diversos objetivos.

Quais são os objetivos?
Desde provocar o espanto e o brilho no olhar; sensibilizar toda a comunidade educativa para a prática do voluntariado; incentivar e capacitar os alunos para atitudes empreendedoras; desenvolver a consciência cívica dos alunos em termos de responsabilidade social; reforçar as boas práticas do exercício de cidadania empenhada e solidária, com recurso ao compromisso; reforçar o reconhecimento da importância do seu contributo para o desenvolvimento de competências fundamentais nos jovens em diferentes eixos (inclusão social, empreendedorismo, educação, emprego e cidadania); qualificar alunos e famílias para a participação mais ativa numa sociedade democrática, e potenciar as práticas colaborativas, numa lógica de trabalho de equipa em articulação e sequencialidade; contribuir para a melhoria das condições socioeconómicas dos nossos jovens, que possa servir de exemplo para o desenvolvimento de novos projetos na área da responsabilidade social.
Que atividades são dinamizadas?
Desde o seu início foram muitas as atividades desenvolvidas, desde questionários para conhecer melhor a realidade, as necessidades e fragilidades sentidas nos alunos do pré-escolar ao ensino secundário, a atividades integradas no Outubro Rosa para sensibilização para a prevenção do cancro da mama. Também promovemos uma Feira Solidária On-line, e procedemos à entrega de óculos, na vertente da promoção da saúde ótica.
Promovemos a ação Apadrinhamento de Uma Criança por professores e alunos do ensino secundário, além de uma campanha de doação de Smartphones e Tablets, e também decorreu uma visita ao Centro Hípico Quinta do Cabrito com experiência de Equitação proporcionada a alunos apadrinhados.
São também entregues bens a famílias carenciadas, e no Natal também é promovida a doação e entrega de bens alimentares a famílias sinalizadas.
Entre as muitas atividades, também se contam exposições com desenhos e trabalhos inseridos em diversas temáticas sociais, comemorando efemérides como o Dia Global da Dignidade ou o Dia Mundial da Gentileza, ou o Dia Internacional da Felicidade.
Também são promovidas caminhadas na vila ou iniciativas simbólicas, caso da Ação de Solidariedade – Uma Fita pela PAZ – que decorreu no mês de maio e que juntou todos os níveis de ensino, do pré-escolar ao ensino secundário, num ato simbólico, de homenagem ao povo ucraniano.


Quantos elementos compõem a equipa Horizonte Solidário?
Neste momento temos apenas seis elementos e várias colaboradoras docentes.
Que iniciativas se preveem para o futuro?
As iniciativas vão ao encontro do que, por norma, temos vindo a desenvolver. Este ano está pensada para o mês de dezembro a comemoração do Dia Internacional da Solidariedade, a 20 de dezembro. Contudo, a cada mês é sempre feito o balanço de cada atividade já realizada e projetada a seguinte.
Significa que o balanço é positivo e que tem sido alcançado o sucesso almejado?
Este projeto conseguiu para a escola, por três vezes consecutivas, o selo “Escola Amiga da Criança”, uma atribuição na categoria Cidadania e Inclusão”, pela CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais), LeYa e pelo psicólogo Eduardo Sá. Esta distinção visa reconhecer “escolas que concebem e concretizam ideias extraordinárias contribuindo para um desenvolvimento mais feliz da criança no espaço escolar e essencialmente partilhar essas boas práticas.”

