A Câmara de Mação pretende concretizar a instalação de um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) com lar residencial na vila, projeto que consta do documento do Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2017. A intenção seria que, numa parceria com o CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, o concelho ganhasse esta valência, uma vez que, neste momento, cerca de duas dezenas de utentes são transportados diariamente para Alferrarede, Abrantes, a fim de poderem ser acompanhados pelo CRIA. A proposta é que este centro com lar residencial seja instalado no edifício do antigo quartel dos bombeiros, algo que não obteve consenso junto da bancada socialista do executivo, na passada reunião de câmara.

Segundo Vasco Estrela, “não é um assunto pacífico”, devido ao edifício em causa e à sua localização, e às “reservas” apresentadas pelos vereadores. Ainda assim têm sido consultados os responsáveis pelo CRIA, bem como a Segurança Social, que dão sinal verde a esta reutilização antigo quartel de bombeiros para a instalação do CAO, cuja gestão ficaria a cargo do próprio CRIA.

“É minha convicção que é uma boa aposta, que tem obviamente condicionalismos pelo sítio onde está inserido, reconheço. Essa questão foi colocada aos responsáveis do CRIA, a quem percebe desta matéria e quem está habituado a lidar com estes utentes, e não é motivo para colocar em causa o projeto”, assumiu o presidente da câmara.

Pretende-se que seja “um centro onde os jovens estarão no seu dia-a-dia, alguns só em dia, e outros que viverão lá eternamente ou muito perto disso”, entendendo o autarca que “é um projeto que possa ser estruturante para o futuro, e tem a mais-valia de ser no centro da vila”. No entanto, Vasco Estrela reconhece “a desvantagem de ser num espaço que não pode crescer à sua volta, onde não há espaço ajardinado”.

Porém, “o que me dizem é que isso não é impeditivo, em virtude de serem jovens autónomos, obviamente com limitações, mas perfeitamente enquadráveis na sociedade, que podem fazer o seu dia-a-dia, podem sair e andar à vontade, e até é bom que assim seja”.

O presidente da CM Mação acha que vale a pena arriscar neste projeto, até porque existe outra vantagem, que se deve ao facto de aquele edifício do antigo quartel ter uma candidatura aprovada no âmbito do PARU, para sua reabilitação. “Poderia ser para outro fim, agora, se pudermos ter aqui uma candidatura aprovada, se o fim que estamos a tentar destinar for gerador de postos de trabalho, algo que de o concelho está tão carente, que ajudará à fixação de pessoas, que será uma resposta social da qual o concelho está carente, ajuda a reabilitar a e reavivar o centro histórico, acho que todas as carências podem ser minimizadas, tendo o senão que já referi”, declarou.

O autarca assumiu que poderiam ter sido instaladas associações ou serviços da câmara naquele local, no entanto o aproveitamento não seria o mesmo. “Nada disto tem a mais valia de ser gerador direto de postos de trabalho, dar tanta vida ao local, de ajudar a potenciar outro tipo de negócios no concelho (…) reconheço que eventualmente haveria outro local mais apropriado que não este, sendo certo que teria de ser feito de raiz. Com tudo ponderado, acho que é a melhor utilização”, concluiu Vasco Estrela.

Nuno Neto, vereador do PS, levantou algumas questões. Referiu que tem uma ideia diferente do que deveria ser um lar residencial, referindo que acha o espaço muito confinado e que tem a desvantagem de não poder ser expandido nem ter um pedaço de terreno que pudesse facultar aos utentes um jardim ou espaço de lazer ao ar livre.

O vereador socialista apontou ainda que, perante os números que se estimam em termos de funcionários e utentes em permanência no local, o edifício parece tornar-se pequeno demais.

Os vereadores socialistas Nuno Neto e César Estrela mostraram reservas quanto à instalação do lar residencial no antigo quartel dos bombeiros de Mação. Foto: mediotejo.net

Já César Estrela (PS) partilhou da opinião do colega de bancada, acreditando que o edifício deveria albergar apenas o CAO, e não o lar residencial, uma vez que considera que o edifício não tem as condições que normalmente se verificam nos espaços em que estes lares se instalam, referindo ainda que mantém a sua convicção independentemente de o relatório da Segurança Social dar aval a esta reutilização do antigo quartel para instalação do CAO. Para o vereador “Não seria pela falta de verbas nem de espaço que o CAO e lar residencial não seria construído de origem”, referiu o vereador socialista.

Recorde-se que, após aprovação do Orçamento para 2017, uma das apostas do município na área social é a criação desta valência. Na altura, o autarca disse ao mediotejo.net que havia a intenção de construção do Centro de Atividades Ocupacionais para Pessoas e Jovens Deficientes em Mação, um projeto considerado “ambicioso, que não é barato, mas que será também estruturante e que pode ter uma relevância muito grande no concelho de Mação. É nossa intenção avançar a muito breve prazo com essa medida”.

Este projeto poderá incluir até 50 utentes e gerar 40 postos de trabalho, segundo estimativa da autarquia. Segue agora para estudo prévio, e o assunto deverá ser debatido na próxima Assembleia Municipal, dia 7 de fevereiro, pelas 10h30, no Agrupamento de Escolas de Mação.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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