Câmara Municipal de Mação entregou viatura à GNR para reforço da proximidade com a população em 2019. Foto de arquivo: mediotejo.net

A diminuição do número de elementos no posto da GNR de Mação aliada ao recente reforço de militares em destacamentos desta força policial na região, excetuando no concelho maçaense, levou o presidente da autarquia a expor publicamente o seu desagrado em reunião de executivo. Admitindo que não está a meter em causa a ação da Guarda Nacional Republicana no seu município, Vasco Estrela reclama, porém, um “tratamento equilibrado” na distribuição de meios entre concelhos.

“É do meu conhecimento que tem havido reforço de militares nalguns postos da região (sem pôr em causa a pertinência dos mesmos) ao contrário do que tem acontecido em Mação. Objetivamente, quando se comparam áreas, população, número de localidades, e se vê o rácio dos nossos militares para outros, há algo que não bate certo”, começou por afirmar o presidente da Câmara de Mação na reunião do executivo de 26 de janeiro.

Admitindo que gostaria de ser elucidado quanto aos critérios subjacentes à colocação de militares nos respetivos postos, Vasco Estrela sublinha que aquilo que se tem verificado no concelho é que “não só o número de elementos não aumentou, conforme era nossa expectativa aquando da celebração do protocolo em que a Câmara cedeu uma viatura para a Guarda, como esse número diminuiu”.

Aos jornalistas, o autarca contextualiza que a autarquia assinou em tempos um protocolo com a GNR no qual cedeu uma viatura para “se poder fazer um acompanhamento dos idosos isolados no nosso concelho e que isso iria implicar um reforço de meios, que era justo que assim fosse – 400 km2, mais de 120 localidades altamente dispersas. Portanto, havia por parte da Câmara uma expectativa legítima de que pudesse haver um reforço de meios”.

Abordada a necessidade desse reforço, lembra Vasco Estrela que da parte da GNR “houve evidentemente uma anuência de que essa situação pudesse vir a acontecer (…) e o que tem acontecido é que tem havido junto do destacamento de Abrantes, um reforço de meios para este destacamento [que abrange os postos de Constância, Tramagal, Sardoal e Mação] ao contrário daquilo que tem acontecido em Mação (…) pergunto-me que razões é que levam a que não haja algum reforço”.

O presidente do município maçaense demonstrou já o seu desagrado com esta situação junto do Comando Distrital de Santarém, dando conta de ter recebido o comandante na Câmara “há mais de um ano e infelizmente as coisas não só não melhoraram como até se deterioraram”.

“Passado todo este tempo, nada aconteceu, está na altura de revermos o protocolo, não sei se a viatura faz falta – se não há homens provavelmente não haverá necessidade – e isto tem de ser posto em cima da mesa para perceber se vamos continuar desta ou de outra maneira”, disse ainda o autarca, que clarificou que não está a meter em causa aquilo que tem sido a ação da GNR no concelho.

“Chamo a atenção que estamos perante um município que ao longo dos anos tem tido um tratamento, penso eu, irrepreensível para com esta força de segurança, através de várias contribuições e ajudas, e onde parece que quanto mais vamos ajudando a resolver os problemas pode dar a impressão de que não há problemas para resolver”, diz também Vasco Estrela, que assume ter vindo a haver “uma alteração de postura por parte da Câmara que será para manter, no sentido de haver o distanciamento e que tem de existir entre as duas entidades, salvo evidentemente aquilo que são devem ser as nossas obrigações legais na resolução dos problemas que sejam emergentes para contribuir para a segurança dos nossos cidadãos”.

Reclamando “um tratamento equilibrado relativamente ao Município de Mação e aos seus cidadãos”, o autarca lembra ainda a promessa feita ao município de um posto da GNR para o concelho, continuando até hoje a funcionar em instalações da Câmara, num edifício “com mais de 50 anos” em que é a autarquia que faz a manutenção do espaço.

ÁUDIO | Presidente da Câmara Municipal de Mação fala aos jornalistas sobre situação com a GNR

Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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