Projeto de autodefesa em Mação envolve população de 122 aldeias no combate aos fogos. Foto arquivo: CMM

Apesar de ter a rede principal de estradões florestais praticamente limpa, o presidente da Câmara de Mação pede atenção e prudência e reforça a necessidade de vigilância permanente face ao risco de incêndios rurais.

O presidente da Câmara Municipal de Mação, José Fernando Martins, sublinha que, apesar do trabalho de limpeza dos principais estradões florestais estar praticamente concluído em todo o concelho, a preparação para a época de incêndios deve ser encarada com prudência e vigilância constante.

“Nós nunca estamos preparados para nada. Estamos alertas, estamos atentos”, afirmou o autarca, recordando que fenómenos recentes demonstram a vulnerabilidade do território.

A referência surge num concelho com forte mancha florestal e histórico de grande exposição a incêndios rurais, onde a gestão do território e a acessibilidade são fatores críticos na resposta a ocorrências.

O autarca recordou ainda os impactos da tempestade recente identificada como Kristin, que provocou danos significativos na floresta local, com queda de árvores e acumulação de material combustível em vários pontos do território.

“No dia 28 de janeiro tivemos uma surpresa para a qual não estávamos preparados. Fomos muito frágeis”, disse, sublinhando que a resposta passa por “estar atentos e atuar com os meios ao alcance”.

Apesar do contexto de risco, José Fernando Martins destaca que a rede estruturante de acessos florestais se encontra praticamente operacional.

“Posso concluir que estamos praticamente a 100% de limpeza dos estradões principais”, afirmou, acrescentando que apenas alguns caminhos secundários permanecem por intervencionar.

No que respeita às áreas sob gestão das Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP) da primeira geração, o município indica que os trabalhos também estão muito próximos da conclusão.

Em paralelo, está em curso uma operação aprovada no valor de cerca de 200 mil euros, inserida na estratégia Floresta 2.0 e nas Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP), com intervenção em cerca de 171 hectares.

A operação visa a remoção de madeira derrubada pela tempestade e a recuperação de áreas florestais afetadas.

“Esta operação consiste em retirar da floresta as madeiras que foram derrubadas com a tempestade. Vai ser um trabalho árduo, em conjunto com os proprietários”, explicou o autarca.

Neste momento decorre a identificação dos proprietários dentro dos polígonos definidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), de forma a permitir intervenções conjuntas no terreno.

O processo integra a estratégia Floresta 2.0 e as OIGP, que abrangem diferentes áreas do concelho, incluindo freguesias como Amêndoa, Cardigos, Envendos e a União das Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, numa lógica de gestão integrada da paisagem.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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