No âmbito do projeto Apadrinhamento de uma Criança, integrado no Horizonte Solidário, do Agrupamento de Escolas de Mação, realizou-se uma atividade no Centro Equestre do Cabrito, em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes) onde madrinhas e afilhados puderam conviver de forma lúdica e estreitar laços. Além da visita à Quinta, os nove alunos participantes tiveram a oportunidade de usufruir de uma experiência de equitação.
“Este é um projeto de felicidade! Porque tem o objetivo de deixar as crianças e jovens mais felizes”, começa por dizer o diretor do Agrupamento de Escolas de Mação, José António Almeida. Sendo que o Agrupamento Verde Horizonte assume-se como “elemento estratégico na melhoria da qualidade de vida no concelho de Mação e concelhos limítrofes”.
Portanto, as ações solidárias “têm uma importância fundamental!”, assegura o diretor. A iniciativa passa por ser “um olhar atento para todas as necessidades de crianças e jovens. E esse olhar atento tem de que ser bem abrangente; ou seja, olhar para tudo o que as crianças necessitam”, diz.
José António Almeida admite que “à partida é mais fácil olhar para as necessidades em termos pedagógicos, em termos de aprendizagens, mas para que as aprendizagens aconteçam é necessário que um conjunto de necessidades sejam satisfeitas”.

Para tal a Escola de Mação conta com “a professora Cláudia e a equipa que acompanha no Horizonte Solidário fazem isso muitíssimo bem; têm um olhar atento a todo o universo escolar, detetam essas fragilidades e de uma forma subtil, ajudam as crianças e jovens a colmatar essas necessidades que as famílias, muitas vezes não têm condições para o fazer”, explica.
No fundo, apresenta-se também como uma iniciativa “para a promoção do sucesso escolar” considera. Porque “se as crianças tiverem as suas necessidades básicas, mais e melhores satisfeitas, se tiverem as condições materiais mínimas para ter sucesso e conseguirmos desencadear uma vontade de aprender, é muito mais fácil!”, defende.
O projeto Apadrinhar uma Criança, nasce da consciência da comunidade escolar das necessidades/fragilidades de algumas das crianças do pré-escolar, do 1º e 2º ciclos, do Agrupamento de Escolas de Mação, percecionadas no decorrer do último ano letivo pela equipa Horizonte Solidário.

“Tentamos que tenham mais momentos de felicidade. E o projeto não consegue com todos mas consegue com parte deles. Todos aqueles que envolvemos no projeto acabam por ter estes momentos de outra forma não teriam”, acrescenta ainda o diretor.
Essas fragilidades foram compreendidas pelos professores no inicio do ano letivo “através de um questionário, mais de 300 aplicados a todos os alunos e pais. Foi com base nessa informação que fomos ao encontro daqueles que mais precisavam, em função das suas fragilidades e necessidades. Trabalhamos para que se sintam melhor na escola para que as aprendizagens sejam efetivamente melhores”, explica ao mediotejo.net a coordenadora do projeto, Cláudia Olhicas.
A equipa permanente do Horizonte Solidário conta atualmente com 10 elementos e mais quatro colaboradores; ou seja um total de 14 pessoas entre professores e técnicos.

A ideia passa portanto, por estabelecer um vínculo afetivo com a criança que permita o seu bem-estar e desenvolvimento integral. Designadamente acompanhar a criança nas suas necessidades e características individuais; orientar a criança no seu percurso escolar; cuidar e ajudar para que a criança sinta harmonia e amor; proporcionar ao afilhado momentos únicos de alegria e felicidade; e assumir as responsabilidades próprias deste vínculo.
Esse laço afetivo fortaleceu-se na quarta-feira na Quinta do Cabrito, um centro hípico com escola de equitação, da responsabilidade de Gonçalo Fragoso, em Rossio ao Sul do Tejo.
Gonçalo não tem dúvidas quanto às mais-valias que a equitação acrescenta na Educação das crianças. “Quem respeita os animais, respeita as pessoas”. Lembra que a equitação “era a única coisa que os reis tinham de aprender verdadeiramente, porque o cavalo não distingue quem o monta, e as crianças percebem que toda a ação gera reação e que temos de ser bons para também nos darem coisas boas”.

A Quinta do Cabrito disponibilizou-se para esta ação solidária da Escola Verde Horizonte com Gonçalo Fragoso a garantir que também está aberta a outras iniciativas.
“Às vezes as pessoas falam que a equitação é para os ricos ou para pessoas com mais poder monetário. Aqui não funciona assim! Ninguém fica sem montar a cavalo, quer tenha ou não dinheiro. Se não tiver dinheiro dou aulas de borla. Sempre fiz isso! Porque acho que deve ser mesmo assim”.
Na tarde daquela quarta-feira, que porventura ficará na memória dos nove alunos participantes e também dos oito professores presentes, aprendeu-se que “montar é um finalmente. Há muitas outras coisas antes, que têm de ser feitas, e isso sim é a piada da questão; tratar os animais, aparelhá-los, conviverem uns com os outros e no fim temos o ‘prémio’ de montar. Porque montar por si só, acho que é pouco para o que podemos desfrutar nesta vida ao ar livre”, considera o proprietário da Quinta.
O projeto Horizonte Solidário surgiu no ano letivo de 2019/2020 “motivado por algumas ações pontuais que fomos desenvolvendo em anos anteriores, de forma espontânea. Quem pensou no projeto convidou-me porque sempre desenvolvi na escola ações solidárias. Este ano letivo firmamos o Horizonte Solidário, concebemos o projeto e temos vindo a realizar atividades em prol das nossas crianças. São todas desenvolvidas dos nossos alunos para os nossos alunos e dos nossos professores para os nossos alunos”, explica Cláudia Olhicas.

Até então as iniciativas solidárias passavam por um trabalho “para fora. Agora estamos a trabalhar para dentro, apoiando os nossos alunos das diferentes formas, seja na forma psicológica – porque também temos uma psicóloga no grupo – seja na orientação para o estudo, um conforto, um afeto e temos feito algumas ações que acabam por ajudar financeiramente aquelas famílias que não têm condições, por exemplo, para comprar uns óculos, como já fizemos e estamos agora a ajudar mais duas famílias”, acrescenta.
O Horizonte Solidário propõe-se trabalhar a dimensão humana, os afetos, os relacionamentos e as emoções e a caminhar no sentido da mudança coletiva de comportamentos e atitudes, promovendo a igualdade de oportunidades. Pretende, por isso, criar uma rede humana, a partir da qual todos contribuam para uma comunidade mais justa; afetiva/equitativa/igualitária.
Com o objetivo de obter fundos “para ajudar alunos com fracos recursos financeiros”, a equipa do Horizonte Solidário tem realizado feiras, nomeadamente no Natal passado, desenvolveu este ano uma campanha de doação de equipamentos digitais móveis usados, como smarthphones ou tablets, e no acompanhamento dos alunos, no ensino à distância, através no Apadrinhamento de uma Criança “conseguimos trabalhar muito bem a afetividade, ouvi-los e ter tempo para eles. Agora estamos com o horário muito preenchido, mas ainda assim a vinda à Quinta do Cabrito é o culminar do trabalho feito ao longo do segundo e terceiro período”, refere Cláudia.

O apadrinhamento é levado a cabo por professores mas também por alunos. Atualmente a equipa acompanha apenas alunos do 1º e 2º ciclos, “mas os alunos a partir do 10º ano também podem apadrinhar. Hoje temos cá duas meninas”, revela a professora.
Fala num projeto “muito gratificante” também ao nível pessoal. “Basta um olá madrinha, por exemplo. São ganhos! Crescemos imenso como pessoas, e é isso que andamos cá a fazer, para podermos ajudar quem precisa. São construções até para a nossa identidade, para a nossa forma de estar. Claro que não é para todos, é para quem sente no coração!”.
No final da ação, após todos terem a experiência de montar a cavalo e de visitarem o centro hípico, a Escola Verde Horizonte ofereceu um certificado de reconhecimento a Gonçalo Fragoso, por disponibilizar a Quinta do Cabrito para esta ação solidária.
