Está a decorrer em Mação o Programa Intensivo APHELEIA, que vai no terceiro de nove dias. O Programa decorre até 18 de março, com trabalhos diários intensivos e foca os indicadores de organização e transformação das matrizes culturais das sociedades, nos seus territórios de forma transversal no tempo (do Paleolítico ao presente) e com um foco multidisciplinar nas áreas da arqueologia, antropologia, história, filosofia, geografia, ciências da terra, economia, direito, sociologia, etologia, entre outras.

Estão em Mação especialistas destas áreas de vários países. Hoje, 11 de março, no período da manhã decorreu uma mesa redonda sobre “A Humanidade na Ordem do Dia – rever o quadro de gestão da paisagem”.

Esta sessão teve a participação de Mathieu Denis, do Instituto Internacional das Ciências Sociais (ISSC); de Elizabeth Silva, da Comissão Nacional da UNESCO; de  John Crowley, da UNESCO e de Luiz Oosterbeek, do IPT, ITM, CGEO, CIPSH.

Este sábado, 12 de março, os trabalhos do dia incidem sobre a temática “Urbanismo, Arte e sustentabilidade local”. Destaque, às 17h00, para a inauguração da Exposição de Helena Zémanková na Galeria do Centro Cultural.

Domingo, dia 13, os trabalhos incidirão sobre “Entendimento Global: métodos e desafios” com foco, no período da tarde, para o Workshop “Conceber uma Paisagem Natural”.

Projeto internacional quer 100 palavras-chave da sustentabilidade até 2017

Formar 40 líderes por ano e definir as 100 palavras-chave da sustentabilidade até 2017 são objetivos do projeto internacional APHELEIA, que reúne 17 parceiros de 7 países e é coordenado pelo Instituto Politécnico de Tomar (IPT).

O projeto parte de um balanço negativo dos resultados concretos das últimas décadas de políticas de desenvolvimento sustentável, e defende um novo quadro de referência, que assume as necessidades humanas e a diversidade cultural como o núcleo de um novo paradigma de desenvolvimento.

Com coordenação geral de Luiz Oosterbeek, Benno Werlen e Renaldas Gudauskas, a parceria, intitulada APHELEIA (o espírito da simplicidade na Grécia antiga), tem na sua base a colaboração estreita em Portugal entre o IPT, a Comunidade Internacional do Médio Tejo (que será o território europeu prioritário para a formação de quadros em contexto aplicado), o Instituto Terra e Memória (que desenvolveu o modelo de gestão territorial cultural integrada, o município de Mação (onde ficará a sede do Centro de Ações de Referência do IYGU (International Year of Global Understanding para a Europa ocidental) e o Centro de Geociências da Universidade de Coimbra (o único que em Portugal integra as ciências naturais e as ciências humanas).

Em declarações à agência Lusa, Luíz Oosterbeek, professor do IPT e diretor do Museu de Arte Pré-Histórica e do Instituto Terra e Memória (ITM), ambos em Mação, disse que o objetivo do projeto, aprovado em sede de Comissão Europeia, é desenvolver um conjunto de atividades até 2017 em torno do desenvolvimento sustentável, tendo defendido a “importância da cultura na sustentabilidade do planeta”.

“Até 2017, o objetivo é, por um lado, produzir três livros em que vão colaborar as pessoas que, no espaço europeu, refletem sobre estas questões, e criar um léxico base com as 100 palavras-chave da sustentabilidade, a traduzir numa série de línguas”, elencou Oosterbeek, que é, atualmente, o secretário-geral do Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanas da UNESCO.

“O significado das palavras varia de entendimento de país para país e isso tem levantado problemas na aplicabilidade de conceitos. Por isso, vamos organizar um debate aberto, na internet, a nível mundial, e queremos formar até 2017, ainda no âmbito deste processo, cerca de 40 líderes por ano para a Europa”, destacou.

O projeto APHELEIA decorre da reflexão desenvolvida na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em 2012, na cidade do Rio de Janeiro, e que contribuiu para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas e articula-se com a proposta do IYGU, do ano internacional do entendimento global, e com o conceito de Filosofia e Ciências Humanas da UNESCO.

“As mensagens para a mudança não devem criminalizar comportamentos e pessoas, antes, devem ser muito simples e construídas pelo lado positivo para levar as pessoas a mudarem os seus comportamentos pela eficiência e convencimento”, defendeu.

“As questões do aquecimento global e da sustentabilidade ambiental e energética são muito complexas mas, no limite, elas são questões que encerram em si respostas muito simples: ou se muda alguma coisa, ou nós vamos morrer, e isto não tem nada de complicado de entender”, vincou.

Na aprovação do projeto, a Comissão Europeia destacou o consórcio e a metodologia do projeto, bem como a sua contribuição para a agenda Europeia de modernização, em especial por integrar a formação teórica com a aplicação prática.

C/LUSA

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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