Hospital de Abrantes, do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Foto: mediotejo.net

“Esta resposta [do Ministério da Saúde] à questão colocada pelos deputados do PS basicamente diz que [terá a luz verde] quando o orçamento do CHMT tiver a sua aprovação”, disse Hugo Costa, tendo feito notar que, neste momento, “estão a ser aprovados orçamentos de todos os hospitais, como foi hoje notícia o de Santarém. Por isso, certamente também estará por dias a sua aprovação”, disse o deputado eleito pelo distrito.   

“É um problema antigo, que necessitava de solução, e a administração do CHMT, em reunião com os deputados do PS, tinha comunicado e conversado sobre o problema existente, nomeadamente com autorizações de portaria de extensão [de encargos] do Ministério das Finanças”, lembrou Hugo Costa, situação que fica ultrapassada assim que o orçamento for aprovado.

Hugo Costa e os deputados do PS eleitos por Santarém questionaram o Governo sobre o atraso nas obras nas urgências do hospitais de Abrantes. Foto: Carlos Ferreira

ÁUDIO | HUGO COSTA, DEPUTADO PS ELEITO POR SANTARÉM:

Os deputados do Partido Socialista (PS) eleitos por Santarém questionaram em janeiro deste ano o governo, através do Ministério da Saúde, sobre as obras nas urgências do Hospital de Abrantes do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), processo várias vezes anunciado mas nunca iniciado.

No requerimento, os deputados perguntam se “tem o Ministério [da Saúde] conhecimento desta situação”, questionaram pelo “atual ponto de situação” e “em que data está prevista a resolução” do processo.

“As obras de requalificação e expansão das urgências médico-cirúrgicas no Hospital de Abrantes, com um custo de 2,9 milhões de euros, são centrais para um melhor serviço aos cidadãos, mas igualmente para dotar os profissionais de melhores condições de trabalho”, argumentaram os cinco deputados – Hugo Costa, Alexandra Leitão, Mara Lagriminha, Manuel Afonso e Francisco Dinis – tendo feito notar que este é um “centro hospitalar crucial para um vasto território”.

Na resposta da tutela, a que o mediotejo.net teve hoje acesso, pode ler-se que “a requalificação e expansão da Urgência Médico-Ciirúrgica no Hospital de Abrantes se reveste de grande importância para a melhoria dos cuidados hospitalares em toda a região abrangida pelo CHMT” e que os planos de investimento foram rececionados no final de 2022, onde se irá enquadrar esta empreitada, no valor estimado de 2.9 milhões de euros.

“No final de 2022, o Ministério da Saúde recebeu os Planos de Atividade e Orçamento (PAO) de todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), instrumento de gestão essencial para a programação da atividade hospitalar, onde se incluem os projetos de investimento que cada unidade hospitalar se propõe realizar”, pode ler-se.

Nesse sentido, continua, “a requalificação da urgência Médico-Cirúrgica do Hospital de Abrantes faz parte do PAO do CHMT e, dentro em breve, após a devida aprovação definitiva deste instrumento de gestão, a obra poderá avançar visto que o CHMT dispõe, para o efeito, dos necessários recursos financeiros”.

A empreitada de requalificação do Serviço de Urgências no Hospital de Abrantes representa um investimento de 2,4 milhões de euros – 2,9 milhões com IVA – e permitirá redimensionar o espaço da Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital de Abrantes, do CHMT.

Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 260 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, no distrito de Santarém, Vila de Rei e Castelo Branco, do distrito de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.

Hospital de Santarém prevê investimentos de 22 milhões de euros de 2023 a 2025

O plano de atividades e orçamento (PAO) para o triénio 2023-2025 do Hospital Distrital de Santarém (HDS), com investimentos previstos de 22 milhões de euros, foi aprovado pelo Ministério das Finanças, anunciou a instituição.

Em comunicado, a presidente do conselho de administração, Ana Infante, realça o facto de o HDS ser o primeiro hospital a ver o seu PAO aprovado pelas Finanças e sublinha que é “um instrumento de gestão essencial”, por permitir “contratar os profissionais de saúde definidos no plano como indispensáveis à prestação de cuidados e fazer os investimentos sem que seja necessário solicitar autorização às tutelas, como acontecia anteriormente”.

Do valor global do plano de investimentos para o triénio, está prevista uma verba de 6,8 milhões de euros para 2023 (65% da responsabilidade da instituição e 27% de fundos comunitários), com destaque para a melhoria do equipamento médico e a requalificação de serviços, iniciada em 2022.

A rubrica prevê a requalificação de cinco enfermarias e aquisição de equipamentos para substituir os que se encontram obsoletos, como um microscópio para a Oftalmologia (140.000 euros), um ‘fibroscan’ (98.000 euros) ou uma torre de laparoscopia (100.000), além da continuação da substituição de camas antigas (algumas da origem do HDS, há 37 anos) por camas elétricas (105.280 euros).

Hospital de Santarém. Foto: DR

No documento é salientada a importância do ‘fibroscan’ para a Unidade de Doenças Infecciosas do HDS, a qual “trata grande número de doentes com Hepatite C crónica” e tem em curso um projeto para consultas descentralizadas no Estabelecimento Prisional de Torres Novas para microeliminação da infeção pelo vírus nos reclusos.

O plano prevê, ainda, a requalificação, em 2024 e 2025, da Unidade de Cuidados Intensivos, que não cumpre atualmente os requisitos legais, respondendo às aspirações “de muitos anos” dos seus profissionais, num investimento global de 6,1 milhões de euros que o HDS quer candidatar a fundos comunitários.

A construção de um ambulatório do Departamento de Psiquiatria de Adultos e Infância, no valor de 1,2 milhões de euros, a candidatar ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), é outro projeto apontado.

Entre os projetos elencados encontram-se igualmente obras no serviço de Anatomia Patológica, a instalação do Gabinete Médico-Legal e melhoria nas infraestruturas (redes de água e eletricidade) e nas novas tecnologias.

O HDS quer também desenvolver projetos para “dar uma resposta articulada à população”, como a referenciação de doentes não urgentes para os cuidados de saúde primários, a dispensa de medicamentos de proximidade, o aumento da resposta na hospitalização domiciliária ou a realização atempada de exames a doentes em situação pré-operatória ou de início de tratamentos oncológicos.

O Hospital de Santarém serve uma população de 183.300 habitantes de nove concelhos do distrito, caracterizados pela dispersão rural e população envelhecida, prestando cuidados à população de outros concelhos da região em especialidades como cirurgia vascular, dermatologia, infecciologia, psiquiatria ou radioterapia oncológica, de acordo com a instituição.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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