Depois de muito falar, ver imagens e até pequenos trailers, finalmente saiu o filme “Loving Vincent”.

Mais um filme sobre Vincent Van Gogh? Sim e não. Sim, porque fala do famoso e amado pintor holandês que todos conhecemos. Não, porque não é um “outro” filme e porquê?

Tudo se prende em como foi realizado: Primeiro, é um filme de animação; Segundo, os “desenhos são os quadros do artista que fazem parte do fundo ou animam-se quando são retratos ou paisagens; Terceiro, foram pintados a óleo cerca de 40.000 quadros por um grupo de artistas escolhidos pelo realizadores Dorota Kobiela & Hugh Welchman e pelo Estúdio Breakthru Films.

Não sei se podemos realmente entender o que quer dizer reunir um grupo de artistas (e deveriam ser muito técnicos), fazer cópias e cópias das obras de Vincent com pequenas diferenças para dar movimentos e às vezes reinterpretar as feições das personagens retratadas nos vários planos do filme enquanto andam ou falam.

Uma obra monumental, complicada, que demorou 6 anos a concluir, em que tiveram de “inventar” muita logística e interacção como por exemplo, onde armazenar, e como, esta enorme quantidade de quadros, e, repito, pintados a óleo e ainda quem iria pintar e quais quadros.

Foi feita muita pesquisa para escrever o guião. O filme concentra-se no tempo após a morte do artista e há várias personagens que o recordam e desvelam o enredo da peça como fosse um filme policial para explicar como morreu Vincent. A relação com Gauguin, com Theo, seu irmão, com os amigos e os médicos ajuda a conhecer as razões e os pensamentos deste génio da arte.

Ele nunca estudou numa academia ou liceu artístico, mas aos 28 anos começou a desenhar, estudou anatomia, perspectiva, teorias das cores… e em oito anos pintou cerca de 800 quadros. Uma obra impressionante e sobretudo com o estilo próprio que o distingue (isto é raro e não devemos pensar como muitos “gosto de pintar e então qualquer coisa que faço é arte”). Ele amava a natureza, procurava Deus e a amizade com os outros, mas havia algo que o impedia de realizar concretamente estes relacionamentos e tudo isto é representado com fluidez e calma nesta longa metragem.

Para quem ama a Arte e Van Gogh penso que ver a peça, que já ganhou muitos prémios e está indicada para ser representada nos Óscars, seja fundamental.

Para mais informações : @lovingvincentmovie, http://www.lovingvincent.com

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

Deixe um comentário

Leave a Reply