Natural de Riachos, em Torres Novas, Martinho Branco reside no Entroncamento, é professor na Escola EB1 de Azinhaga, na Golegã, e faz parte do movimento internacional Poetrix desde 2001. Apesar de ter obra publicada de forma dispersa, este é o seu primeiro livro em nome individual. Perante uma praça lotada, falou da sua paixão pela escrita, que o acompanha desde criança.
Mora em mim um desejo de escrever e de somar palavras,
uma a uma, multiplicando-as
pelos sonhos que nunca tive
Quando criança
pelos sapatos que nunca calcei
Quando criança
pelas calças que nunca me engomaram
Quando criança
pelo casaco de três botões que nunca abotoei
Quando criança
pelos bancos da escola onde nunca me sentei
Quando criança
pelo sorriso amanteigado do pão macio que nunca comi
Quando criança
pela infância alegre e confortável que nunca vivi
porque não me deixaram
não me deixaram ser criança
Quando criança
Logo depois foi a vez de Nuno Garcia Lopes lançar o seu “arremedilho aos homens minúsculos”. O “arremedilho” é um tipo de representação satírica, criada nos tempos dos bobos da corte, imitando de forma grotesca e exagerada uma figura. O poeta de Tomar inspirou-se neste tipo de teatro medieval para construir um brilhante trabalho crítico daqueles que mais poder têm no mundo, e de como nos querem manter ordeiros e previsíveis.
Nuno Garcia Lopes foi distinguido com uma Menção Honrosa na categoria de Poesia nas duas edições já realizadas do Prémio Literário do Médio Tejo (2017 e 2018). A editora entendeu, também por isso, que o autor merecia ter a sua obra publicada, tal como os primeiros classificados.
O livro, seguindo o espírito do texto, foge à norma. Tem um formato mais pequeno (“minúsculo”), e as folhas não são coladas ou cosidas a uma lombada mas presas por um parafuso. A percorrer as páginas, formigas.
aos homens minúsculos pede-se que sigam a direito o trilho das formigas e eles cumprem como se lhes fora ordenado que o fizessem.
acreditam, os homens minúsculos, que irão perder
o sentido da vida se não se imiscuírem no rebanho,
tosquiados por igual e se amansarem no mesmo pasto deglutindo por igual a janta de ervas.

A outra obra vencedora em 2018, desta feita na categoria de Não-Ficção, foi o trabalho de ilustração “A árvore cantante”, de Paulo Alves, lançado na mesma Praça Verde, às 20h00. O ilustrador científico e consultor ambiental de Abrantes ensina crianças a desenhar num atelier de arte privado, mas passa grande parte do ano a viajar pelo mundo, envolvido em projetos de conservação de aves na Indonésia, Egipto e Djibuti.
Em Lisboa falou de como uma árvore velha e retorcida no centro histórico de Abrantes o levou a criar uma história que, apesar da sua simplicidade, contém uma profunda mensagem sobre o sentido da vida.

O fotógrafo Paulo Jorge de Sousa, de Sardoal, distinguido em 2017 no Prémio Literário do Médio Tejo com o ensaio fotográfico “O Arneiro – 100 anos depois da I Guerra”, partilhou também alguns “segredos” da concepção da sua obra, explicando por exemplo que apenas fotografou em dias cinzentos e nublados, para que todas as fotos pudessem ter como que o mesmo filtro de tristeza, e que usou apenas uma objetiva de 50 mm, por ser a que mais se aproxima do olho humano.
“O Arneiro” foi editado em novembro de 2018, por ocasião do centenário do final da I Guerra Mundial, tendo sido lançada em dezembro, na Casa-Memória de Camões em Constância, uma edição limitada a 100 exemplares, numerados e assinados pelo autor.

O Prémio Literário do Médio Tejo, uma iniciativa da Médio Tejo Edições com o apoio do TorreShopping e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, já havia marcado presença na Feira do Livro de Lisboa em 2018, lançando as obras “20 poemas de dores e amores”, de António Lúcio Vieira (Poesia), e “na massa do sangue”, de Evelina Gaspar (Romance).

