Com o auditório do Museu Agrícola de Riachos repleto de riachenses e interessados pela história local, José Manuel Martins apresentou o seu livro “Os valadores de Riachos, mestres do ofício milenar da valagem”, já publicado em formato digital, e agora editado em versão impressa, sob a chancela do Município de Torres.
‘Os valadores de Riachos’ , apresentado no dia 29 de setembro, é o resultado de uma investigação considerada pelo município de Torres Novas como “bastante rigorosa e completa”, levada a efeito pelo seu autor, em que o antigo ofício da valagem é alvo de uma abordagem histórica e etnográfica, tendo como protagonistas os próprios valadores, mais especificamente os valadores riachenses.
Na sua investigação, o autor recorre a numerosas fontes bibliográficas, mas também a testemunhos orais, documentais e materiais das práticas, das técnicas e do valor simbólico da valagem, sendo os valadores os grandes obreiros das “intervenções mais exigentes de enxugo, irrigação e segurança das terras bordejadas pelo Almonda, pelo Tejo, por tantas outras águas que correm ou encharcam o Ribatejo e terras vizinhas, e como mestres indiscutíveis nessa arte da valagem”.





Sobre a obra, o autor disse que foi um trabalho de paixão (pela temática), coração (pela família) e interesse (pela ciência). Tudo em doses bem medidas e justas”, afirmou, relativamente a uma obra que demorou cerca de ano e meio a ser concluída.
Segundo o trabalho de pesquisa, notou, “não é despropositado pensar que o trabalho dos valadores nos campos de valada e demais terrenos marginais ao Almonda, ao proporcionar a irrigação e/ou enxugo dos terrenos e a consequente exploração agrícola dessas terras, tenha contribuído decisivamente para a fixação de pessoas nas quintas e casais da região, dando-se assim, mais tarde, a possibilidade do aparecimento do agregado populacional e da aldeia”. O livro é “mais um contributo para essa tese da origem desta terra” .

ÁUDIO | JOSÉ MANUEL MARTINS, AUTOR DO LIVRO:
José Manuel Martins fez toda a sua carreira profissional como militar da Força Aérea, que terminou no posto de tenente-coronel, ocupando vários lugares de comando e coordenando setores diversos, nomeadamente ao nível da formação. Paralelamente, fez uma licenciatura em Gestão de Recursos Humanos (2001) e um mestrado em Educação de Adultos e Desenvolvimento Local (2014).
A sua atividade cívica é vasta, desde a participação política como presidente da Assembleia da Freguesia de
Riachos, na direção de associações locais, como na Sociedade Velha Filarmónica Riachense, no Clube Atlético Riachense, no Rancho Folclórico “Os Camponeses”, no jornal “O Riachense”, e outras atividades.
Atualmente, assume cargos de direção na Cooperativa Editora e de Promoção Cultural “o riachense”, na Associação para a Defesa do Património Histórico e Natural da Região de Riachos e é investigador
científico do NEstMAR, Núcleo de Estudos do Museu Agrícola de Riachos. Faz parte dos corais Litúrgico da Paróquia de Riachos e Polifónico da Associação “Cantar Nosso”, da Golegã.
Fotogaleria de Zé Paulo Marques:
Na sessão, entre populares, convidados e o próprio autor, marcaram presença Mafalda Luz, presidente da Associação para a Defesa do Património Histórico e Natural da Região de Riachos (ADPHNRR), entidade a que pertence o Museu Agrícola, Elvira Sequeira, vereadora da Cultura e responsável pelo impulso editorial da obra por parte do município de Torres Novas, acompanhada de Luís Silva, vice-presidente da Câmara Municipal, Carlos Simões Nuno, professor (reformado) e antropólogo, coordenador do NEstMAR, Núcleo de Estudos do Museu Agrícola, e, a convite do autor, Manuel Carvalho Simões, riachense, popularmente conhecido como “Manel Pé leve” e João Vicente Saldanha, 4.º Marquês de Rio Maior, ambos já nonagenários, que muito ajudaram na investigação para o trabalho agora publicado.










