SMA e Abrantáqua identificam descargas indevidas que poluiam ribeira em zona urbana. Foto: mediotejo.net

Maus cheiros, descargas poluentes e pragas de ratazanas e mosquitos estão a preocupar os moradores da Urbanização da Samarra, em Abrantes, devido à poluição numa pequena linha de água que atravessa a zona, junto ao quartel dos bombeiros. Os residentes pedem a intervenção urgente das autoridades, enquanto os Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) garantem que as equipas estão no terreno e que o problema “será resolvido”.

A ribeira, cuja nascente se situa junto ao antigo quartel dos bombeiros e que atravessa a Encosta da Barata, tem sido palco de descargas poluentes há várias semanas. Segundo os moradores, as águas apresentam espumas, resíduos oleosos e um “cheiro insuportável”.

“É tudo, é o cheiro, é o óleo, são as águas sujas, o sabão… de vez em quando fazem estas descargas e ultimamente tem sido todos os dias, há mais de um mês. É um cheiro horrível, há ratos, há de tudo e mais alguma coisa”, lamentou Odília Rosa, residente na urbanização.

Linha de água em Abrantes apresenta sinais de descargas ilegais e preocupa residentes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | ODÍLIA ROSA, MORADORA NA URBANIZAÇÃO:

 “Apelo para que isto seja limpo, que se descubra de onde vem e que sejam tomadas medidas. É para o bem de todos”, acrescentou.

Outro morador, João Damásio, recorda que o problema “já vem de há muitos anos” e que “já foi reportado à PSP e à Junta de Freguesia”, mas sem resultados.

“Isto é um atentado ao ambiente e à saúde pública. Há descargas aqui de tudo, desde esgotos a óleos, além do cheiro e dos mosquitos. É uma situação que se tem agravado nos últimos 30 dias”, afirmou.

“Ontem houve aqui uma intervenção dos serviços municipalizados, mas não resolve, porque não está identificada a causa. É preciso perceber o que se passa a montante e resolver isto de uma vez por todas”, sublinhou.

Linha de água em Abrantes apresenta sinais de descargas ilegais e preocupa residentes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | JOÃO DAMÁSIO, MORADOR NA URBANIZAÇÃO:

Também Arnaldo da Luz, outro residente, diz que “há um mês para cá tem sido todos os dias o mesmo”.

“É sempre mau cheiro, um cheiro que tresanda. Às vezes parece cinza, outras vezes óleo, outras só espuma. As pessoas que moram aqui não podem ter as janelas abertas, é um pivete que só visto”, contou.

Linha de água em Abrantes apresenta sinais de descargas ilegais e preocupa residentes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | ARNALDO DA LUZ, MORADOR NA URBANIZAÇÃO:

Contactado pelo mediotejo.net, o diretor delegado dos Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA), Ricardo Aparício, confirmou a receção de uma denúncia e garantiu que as equipas estão a investigar a origem do problema.

“Recebemos um e-mail de um cidadão preocupado, e bem, a comunicar que havia despejos naquela linha de água. É uma situação que estava identificada e que foi alvo de uma correção há alguns meses, mas aparentemente subsistem ocorrências pontuais”, explicou.

Segundo o responsável, “a Abrantáqua, concessionária do saneamento em Abrantes, já esteve no local, fez averiguações e limpezas à linha de água, mas a origem da descarga ainda não foi identificada”.

“A informação que temos é que a situação se encontra colmatada neste momento, embora não a 100%, porque é uma linha com águas sujas. A Abrantáqua tem estado no terreno e, se necessário, fará filmagens às tubagens para tentar encontrar a causa”, adiantou Ricardo Aparício.

O diretor delegado sublinhou ainda que “pode tratar-se de um problema na rede de saneamento ou de alguma ligação ilegal” e garantiu que “tudo será feito para descobrir e resolver a situação”.

Serviços Municipalizados de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

ÁUDIO | RICADO APARÍCIO, DIRETOR DELEGADO DOS SMA:

“É natural e compreensível a preocupação dos moradores, é também a nossa. A garantia que posso deixar é que vamos fazer tudo ao nosso alcance para identificar a causa e terminar com ela”, afirmou.

Os moradores esperam agora que as autoridades consigam resolver, de forma definitiva, um problema que, segundo dizem, “já dura há demasiado tempo e afeta a qualidade de vida de quem ali vive”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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