A liderança de 27 concelhos nunca mudou de cor política desde as eleições de 1976, as primeiras em democracia, com o PSD com 12 autarquias, os socialistas a dominar em nove municípios e os comunistas em seis. Mação é caso singular no Médio Tejo. Desde que há eleições livres, o PSD venceu sempre as autárquicas no concelho. Já em Gavião venceu sempre o PS. No país, quase 90 presidentes de câmara estão de saída nestas autárquicas por terem chegado ao limite de três mandatos consecutivos na mesma autarquia.
De acordo com a contabilidade feita pela Lusa, é este o cenário de partida para as eleições autárquicas de 12 de outubro, depois de, em 2021, sete câmaras municipais terem trocado de partido pela primeira vez desde as eleições que se seguiram ao 25 de Abril de 1974.
Há ainda o caso do município de Odivelas, no distrito de Lisboa, que sempre foi presidido pelo PS, mas apenas foi criado em 1998, após a separação de Loures.
Na Madeira, onde o PSD governa o executivo regional desde 1976, estão quatro autarquias sempre fiéis ao partido, sempre com maiorias absolutas: Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Calheta e São Vicente.
O distrito de Viseu tem Penedono e Oliveira de Frades desde sempre com presidências do PSD, embora em alguns mandatos a candidatura vencedora tenha sido em coligação com o CDS-PP.
No distrito de Vila Real, dois municípios do PSD nunca mudaram de cor partidária: Boticas, onde houve quatro presidentes após o 25 de Abril, e Valpaços, onde Francisco Tavares liderou durante 28 anos, cumprindo sete mandatos, entre 1985 e 2013.
Também é social-democrata desde 1976 a presidência de Câmara de Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, Oleiros, distrito de Castelo Branco, e Mação, distrito de Santarém.
No caso dos socialistas, o distrito de Lisboa concentra três concelhos com um presidente eleito pelo PS nas últimas cinco décadas. É o caso de Alenquer, onde Álvaro Pedro liderou o executivo durante 33 anos (1976-2009), e da Lourinhã, onde José Manuel Custódio presidiu ao longo de 28 anos, mas também Torres Vedras.
No distrito de Faro, com um total de 16 municípios, o PS tem mantido a presidência das câmaras de Olhão e de Portimão e, já em Portalegre, o ‘rosa’ tem sido a cor predominante em Gavião, que já teve seis presidentes de câmara do PS, e em Campo Maior, com sete autarcas socialistas.
Nos distritos do Porto e de Coimbra, respetivamente, apenas um concelho mantém o mesmo partido, o PS, no poder: Santo Tirso, que teve Joaquim Couto na liderança durante 23 anos, e Condeixa-a-Nova, que teve quatro presidentes de câmara desde 1976.
Os comunistas seguram a liderança em Palmela, Seixal e Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, quase sempre em coligação e com diversas siglas, como FEPU, APU e CDU (PCP/PEV).
Nas eleições autárquicas de 1979 as coligações lideradas pelo PCP venceram nos 13 municípios do distrito, mas o PS tem vindo a conquistar terreno ao longo das últimas décadas.
No distrito de Portalegre, Avis mantém-se como bastião comunista desde as primeiras eleições autárquicas democráticas e livres.
O mesmo acontece em Arraiolos, no distrito de Évora, e em Serpa, no distrito de Beja.
Quase 90 presidentes de Câmara saem por limite de mandatos
Quase 90 presidentes de câmara estão de saída nestas autárquicas por terem chegado ao limite de três mandatos consecutivos na mesma autarquia, a maior parte deles socialistas. No distrito de Santarém, são 11 os municípios que vão mudar de presidente (sete do PS, três do PSD e um do PCP-PEV), entre os quais cinco do Médio Tejo; Entroncamento (PS), Mação (PSD), Sardoal (PSD), Torres Novas (PS), e Vila Nova da Barquinha (PS).
Além dos 89 presidentes de câmara que saem das respetivas autarquias nestas eleições, marcadas para 12 de outubro, outros 46 que também estavam no limite dos mandatos já deixaram os cargos nos últimos dois anos, sobretudo para ocuparem lugares no Governo, como deputados na Assembleia da República ou na Europa e cargos públicos: 28 do PSD ou coligações social-democratas, 16 do PS, um CDU (PCP/PEV) e um do Juntos Pelo Povo (JPP).
Nesta situação de fim de ciclo alguns autarcas deixaram o cargo livre para a sucessão dos seus vice-presidentes, já a pensar nas eleições de 2025, o que sucedeu, por exemplo, em Tomar, com a saída de Anabela Freitas (PS) do cargo, ainda em 2023, para assumir uma das vice-presidências da Turismo do Centro, tendo Hugo Cristóvão assumido a liderança do município tomarense. Outros autarcas deixaram os cargos para dirigir outras entidades: Ricardo Gonçalves (PSD), que já estava no seu último ano de mandato, deixou a presidência da Câmara de Santarém a João Leite, depois de ter aceitado o convite para liderar do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), Vasco Estrela deixou a câmara social-democrata de Mação (Santarém) para assumir a vice-presidência da CCDR Centro, e Ricardo Aires (PSD) deixou o município de Vila de Rei para assumir o cargo de deputado, para o qual foi eleito nas legislativas.
Dos 89 presidentes de câmara em fim de mandato, 49 são socialistas, 21 social-democratas ou de coligações lideradas pelo PSD, 12 da CDU, três do CDS-PP e quatro independentes.
No distrito de Santarém, Almeirim, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, todas do PS, Benavente (CDU) e Sardoal (PSD), têm presidentes de câmara em final de mandato.
A nível nacional, entre os autarcas que vão ter de deixar a presidência dos municípios, estão o independente Rui Moreira, no Porto, Carlos Carreiras (PSD) em Cascais e Basílio Horta (PS) em Sintra, no distrito de Lisboa, Ribau Esteves (PSD), presidente da Câmara de Aveiro, Ricardo Rio, em Braga (PSD/CDS-PP/PPM/Aliança), e Rogério Bacalhau, em Faro (PSD/CDS-PP/IL/MPT/PPM)
Além do independente Rui Moreira, no distrito do Porto estão em fim de mandato outros seis autarcas, nomeadamente três do PS (Lousada, Paços de Ferreira e Valongo) e três do PSD ou coligações lideradas pelos sociais-democratas (Póvoa de Varzim, Penafiel e Amarante).
Em Viana do Castelo, os socialistas de Paredes de Coura e de Melgaço também não se podem recandidatar, enquanto no distrito de Aveiro há seis presidentes no limite dos mandatos: Aveiro, Estarreja e Murtosa (todas PSD), Vale de Cambra e Albergaria-a-Velha (ambas do CDS-PP) e a presidente da Anadia, eleita por um movimento de cidadãos.
Em Braga, além do presidente da câmara capital de distrito também estão no fim do ciclo os autarcas de Guimarães (PS) e de Amares (PSD), enquanto no distrito de Vila Real não se pode recandidatar o presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião (PS).
Em Viseu são oito os presidentes em final de mandato nas câmaras de Armamar, Tabuaço e Tarouca (PSD ou em coligação com o CDS-PP) e os socialistas de São Pedro do Sul, Santa Comba Dão, Resende, Penalva do Castelo e Cinfães.
Em Coimbra estão de saída os presidentes de seis câmaras municipais, todos socialistas, em Condeixa-a-Nova, Lousã, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Soure e Vila Nova de Poiares.
No distrito da Guarda são três: os socialistas de Trancoso e de Fornos de Algodres e o social-democrata de Gouveia.
No distrito de Castelo Branco há seis presidentes, cinco dos quais socialistas, que não se podem recandidatar às mesmas autarquias por atingirem o limite de mandatos nas câmaras da Covilhã (PS), Fundão (PSD), Belmonte (PS), Penamacor (PS), Idanha-a-Nova (PS) e Vila Velha de Ródão (PS).
O socialista de Figueiró dos vinhos, no distrito de Leiria, também chegou ao limite de mandatos.
Em Lisboa, atingiram o limite de mandatos cinco presidentes, em Cascais (PSD/CDS-PP) e Sobral de Monte Agraço (CDU), além dos socialistas de Sintra, Lourinhã e Alenquer.
No distrito de Setúbal há quatro presidentes da CDU impedidos de se recandidatarem à mesma autarquia em Palmela, Grândola, Santiago do Cacém e Alcácer do Sal, além do presidente de Sines (PS).
Em Évora, existem quatro presidentes de câmara impedidos de se recandidatarem aos municípios de Évora e de Arraiolos, ambos comunistas, de Portel (PS) e Borba (independente).
Em Portalegre, existem seis presidentes de câmara que não podem recandidatar-se às autarquias socialistas do Gavião, Ponte de Sor e Nisa. Os presidentes das câmaras comunistas de Monforte e de Avis também não se podem recandidatar, assim como o social-democrata de Castelo de Vide.
No distrito de Beja chegaram ao fim dos mandatos os presidentes de Almodôvar (PS) e de Cuba (CDU).
No Algarve, são cinco os presidentes em fim de ciclo, entre os quais o presidente de Faro (PSD) e os socialistas dos concelhos de Loulé, São Brás de Alportel e de Olhão, além da autarca comunista de Silves.
Nos Açores, estão de saída os presidentes socialistas de Angra do Heroísmo, Corvo e Santa Cruz das Flores, além de um centrista em Velas, um social-democrata em Ribeira Grande e um independente na Calheta.
Na Madeira têm de sair cinco do total de 11 autarcas: três social-democratas ou de coligações lideradas pelo PSD das câmaras de Calheta, Ribeira Brava e São Vicente e os socialistas de Machico e Porto Moniz.
Bragança é o único distrito onde não existem presidentes no limite de mandatos autárquicos.
Portugal tem 308 concelhos, a maior parte dos quais elegeram em 2021 executivos socialistas.
Há um ano, no início de agosto, de um total de 308 presidentes das câmaras municipais portuguesas, eram 105 os que se mantinham no cargo, impedidos de uma recandidatura nas próximas eleições autárquicas devido à limitação de três mandatos consecutivos à frente do mesmo município.
c/LUSA
