Mais uma vez, o nosso rio Tejo foi alvo de uma agressão. Depois da poluição, do não funcionamento das escadas de passagem de peixe do açude de Abrantes, só nos faltava a construção de uma parede no meio do rio, junto à central termoelétrica do Pego.
Um autêntico “paredão”, para alguns uma verdadeira muralha, cresceu no rio Tejo mesmo debaixo do nosso nariz.
Alguns, irresponsavelmente, preferiram assobiar para o lado. Outros, sobretudo movimentos de cidadãos como a SOS Observatório do Tejo, decidiram agir e alertar. As autarquias locais também tiveram comportamentos diferentes. A PEGOG é uma empresa estratégica da região que sempre respeitou o Tejo e a região. Cometeu um erro, confiou talvez em entidades, empresas, que não o mereciam. A Agência Portuguesa do Ambiente, que licenciou a obra, agiu rápido, exigiu alterações e correções, assim que inspecionou e “chumbou” o resultado final.
Hoje, felizmente, já se pode dizer que há “fumo branco” no rio Tejo, o travessão já foi interrompido, a água já passa livremente, os peixes já sobem e falta apenas tornar o rio novamente navegável. Recordo que, ainda recentemente, a Assembleia da República aprovou por unanimidade um Projeto de Resolução em “defesa da sustentabilidade do rio Tejo” que defendia precisamente a sua navegabilidade e o respeito pelas espécies.
No início da semana, tive oportunidade de me deslocar ao local e de poder mediar uma reunião informal, no próprio travessão, com a APA, a PEGOP, o Presidente da Câmara Municipal de Mação, o Presidente da Junta de Freguesia de Ortiga, os representantes da SOS Observatório do Tejo e alguns membros das Assembleias Municipais de Mação e de Abrantes (de diferentes partidos). Fiquei com a clara convicção que era possível encontrar uma solução e conciliar todos os interesses, respeitando sempre o interesse público e o respeito pelo ambiente.
Entretanto, o travessão foi rompido, está aberto, os peixes e a água podem passar livremente. Resta agora avaliar se aquela estrutura é de facto a mais indicada para acautelar todos os problemas, os ambientais e os económicos. É por isso mesmo que, em conjunto com os restantes Deputados do PSD eleitos por Santarém, pedi já ao Ministro do Ambiente que procedesse a uma avaliação ao tipo de projeto / solução tecnológica adotado no travessão do rio Tejo, em Abrantes.
Não podia deixar de recordar que são ainda muitos os problemas de fundo que exigem resolução no rio Tejo. Destaco o problema da passagem de peixes no açude de Abrantes, mas também a poluição que nos chega diariamente à barragem de Belver, a definição de um caudal ecológico, mas também os problemas das margens do rio. A nossa atenção vai continuar focada no rio, no recurso que une todo o Ribatejo.
A terminar, deixou uma palavra de enorme reconhecimento aos cidadãos que nunca deixam morrer este assunto nem deixam de defender o rio Tejo. O meu muito obrigado a todos eles.

E os problemas continuam. As escadas de peixe das barragens do tejo simplesmente estão inactivas