O espetáculo inédito “Ópera na Prisão: Só Zerlina ou Così Fan Tutte” decorreu nos passados dias 12 e 13 de julho, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O evento, que faz parte do projeto “Pavilhão Mozart”, foi organizado pela SAMP – Sociedade Artística Musical dos Pousos, e financiado pelo Portugal Inovação Social, PARTIS – Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Caixa Agrícola de Leiria.

Esta ópera contou com três apresentações: uma na Tanoaria do Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens, e outras duas no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tendo sido a primeira vez que a orquestra portuguesa atuou dentro de uma prisão.

A estreia pública ocorreu no início de junho, no EPL–J, com a especial participação da Orquestra Gulbenkian, onde o público teve a oportunidade de assistir à interpretação  de uma obra de Mozart, por 30 reclusos.

Um comunicado enviado à Comunicação Social explica que “desde o seu início, em 2003, o projeto “Ópera na Prisão” cumpriu com os seus objetivos de aumentar o envolvimento de familiares e amigos dos jovens reclusos potenciando uma rede de proximidade que intervenha positivamente no processo de reinserção social após o período de reclusão trabalhando assim as vertentes intra e extramuros”.

“Para já são evidentes resultados positivos como: diminuição ou eliminação de reincidências criminais e comportamentos de indisciplina. A nível global, pretende-se minimizar o estigma da sociedade em relação aos reclusos contribuindo para o sucesso da sua integração”, lê-se no documento.

Nesta segunda edição, envolveram-se 67 reclusos do EPL-J, contando ainda com a participação de 37 familiares e amigos em palco e dez técnicos superiores do estabelecimento prisional e reinserção social.

O projeto entrará agora num novo percurso: a construção do “Pavilhão Mozart”, que “consiste num Centro de Artes Performativas, dentro do Estabelecimento Prisional de Leiria. Um espaço de criação permanente no âmbito das artes de palco, para todos o que habitam o estabelecimento prisional, mas também aberto à comunidade como mais
uma sala de cultura na cidade e região de Leiria. É já a partir de outubro que inicia uma das três residências artísticas para reclusos, procurando investir nas competências e experiências energizantes do palco e da ópera em novos projetos e novos parceiros”, refere o comunicado.

Gisela Oliveira

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.