O ex-padre Humberto Gama dedicava-se à prática de exorcismos. Foto: RTP

A diocese de Leiria-Fátima tornou a publicar na sua página de facebook uma declaração de repúdio quanto à atividade do ex-Padre Humberto Gama, acusado de violação durante um exorcismo por uma cliente na passada semana. O “Padre” Humberto Gama foi deixado em liberdade no sábado, 4 de agosto, após audição judicial, devendo apresentar-se periodicamente.

A declaração foi publicada inicialmente em 2011, aquando uma reportagem televisiva e várias notícia sobre a atividade do padre exorcista com casa em Fátima, e agora republicada face à sua detenção. Refere o texto que haviam chegado “ao Santuário de Fátima e à secretaria episcopal de Leiria queixas e pedidos de informação sobre a pessoa em causa. Tendo recolhido as devidas informações, no intuito de corresponder ao interesse geral e, em especial, das pessoas tentadas a solicitar os serviços “religiosos” do referido senhor, levamos ao conhecimento dos interessados o seguinte”.

A diocese informa assim que “Humberto Gama, cujo nome completo é Marcelino Humberto Gama, foi efectivamente membro da Congregação religiosa dos Marianos da Imaculada Conceição, tendo sido ordenado sacerdote no Convento de Balsamão, no concelho de Macedo de Cavaleiros, em 1965”.

“Foi enviado para Inglaterra, onde esteve integrado na comunidade religiosa da referida Congregação. Mas, em 1972, por motivos graves, o governo geral da mesma Congregação demitiu-o. Esta decisão de expulsão da congregação religiosa de que era membro foi confirmada pelo Vaticano, através da Congregação dos Religiosos e Institutos Seculares”, continua.

Desde essa altura que a Igreja Católica não reconhece a Humberto Gama “qualquer legitimidade para as actividades religiosas ou de exorcismo que realiza, sendo abusivos o título de “padre” com que se apresenta, o uso de vestes sacerdotais e a prática de ritos religiosos”.

“É igualmente abusiva a divulgação de uma sua fotografia com o Papa João Paulo II, para tentar legitimar e provar a sua condição de padre e para servir de cartão de visita para ser contactado nos arredores de Fátima”, pode ler-se na mesma nota.

Apela a diocese que “a quem se encontra em dificuldades que julga serem espirituais, aconselha-se o recurso a uma prática cristã regular e a solicitar a ajuda de quem mereça confiança para o poder fazer e tenha o reconhecimento da Igreja, quer seja um sacerdote, um religioso ou religiosa ou mesmo um cristão leigo. Recomenda-se, por outro lado, aos sacerdotes e a outros fiéis cristãos capazes de ajudar pessoas em dificuldade psico-espiritual que as acolham com caridade, as escutem com paciência e inteligência, façam oração por elas e, conforme as situações, as encaminhem para outros apoios adequados ao caso em questão”.

O texto é assinado pelo vigário geral, Jorge Guarda, com data de 28 de fevereiro de 2011.

O “Padre” Humberto Gama foi deixado em liberdade no sábado, 4 de agosto, após audição judicial, devendo apresentar-se periodicamente.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

Deixe um comentário

Leave a Reply