O Governo vai apresentar a 29 de junho o modelo do leilão da capacidade elétrica sobrante que inclui a antiga Central do Pego, em Abrantes, após sucessivos adiamentos, segundo o Ministério do Ambiente e Energia.
“No próximo dia 29 de junho vai ser anunciado o modelo do leilão de capacidade sobrante (onde se inclui a área da rede elétrica de serviço público da antiga Central do Pego) e de armazenamento autónomo para 750 MVA de capacidade em baterias”, disse à Lusa fonte oficial do Ministério do Ambiente e Energia.
Segundo a tutela, nessa data serão divulgados “os detalhes” do procedimento [do leilão], incluindo o calendário do concurso e os pontos de ligação à rede abrangidos.
Uma das novidades do modelo passará pela criação de mecanismos de compensação para os municípios e populações das áreas abrangidas pelos projetos vencedores.
Segundo a Ministério do Ambiente e Energia, está prevista a “partilha da receita obtida no âmbito da atividade dos centros eletroprodutores”, procurando garantir a aceitação local dos investimentos associados à descarbonização e à soberania energética.
A informação surge depois de vários adiamentos de um processo aguardado em Abrantes e na região do Médio Tejo desde o encerramento da Central a Carvão do Pego, em 2021.
Em julho de 2025, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) anunciou a intenção de lançar um leilão para atribuição de 300 megawatts (MW) de potência de injeção na rede elétrica no nó do Pego, destinado exclusivamente a eletricidade produzida a partir de fontes renováveis.
O concurso deveria ter avançado ainda em 2025, mas foi posteriormente adiado para o primeiro trimestre de 2026.
Em dezembro passado, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que o procedimento seria lançado até ao final de março deste ano, prazo que acabou por não ser cumprido.
A capacidade disponível resulta da infraestrutura elétrica deixada pela antiga central a carvão, considerada um dos mais importantes pontos de ligação à rede nacional.
Atualmente, parte dessa capacidade está já reservada ao projeto vencedor do concurso de transição justa lançado em 2021 e adjudicado à Endesa em 2022.
O projeto, em fase de implementação, prevê um investimento de cerca de 600 milhões de euros e combina produção solar e eólica com hidrogénio verde, utilizando 224 MW dos cerca de 600 MW disponíveis no local.
O objetivo do novo leilão passa por aproveitar a capacidade remanescente existente na rede elétrica associada ao complexo energético do Pego.
A apresentação marcada para 29 de junho ocorrerá no âmbito de uma estratégia mais ampla de reforço da capacidade de armazenamento e produção renovável anunciada pelo Governo.
Na semana passada, durante uma conferência sobre energia organizada pelo jornal ECO, Maria da Graça Carvalho revelou que o executivo vai lançar um leilão para 750 MVA de armazenamento em baterias e colocar em consulta pública a Estratégia Nacional para o Armazenamento de Energia.
Segundo a governante, Portugal atingiu nos primeiros três meses de 2026 uma incorporação renovável de 80,7% na eletricidade produzida, o valor mais elevado da União Europeia.
O Governo pretende reduzir em 50% a dependência nacional dos combustíveis fósseis até 2035, apostando no reforço das redes elétricas, do armazenamento de energia e da produção renovável.
Para a região do Médio Tejo, o aproveitamento da capacidade sobrante do Pego é encarado como uma oportunidade para consolidar o papel do território na transição energética nacional, após o encerramento da central a carvão e o processo de reconversão económica associado.
c/Lusa

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