Fabíola Cardoso do Bloco de Esquerda em ação de campanha para as eleições legislativas de 30 de janeiro. Créditos: BE

Fabíola Cardoso, candidata à Assembleia da República do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de Santarém, reuniu no domingo, 16 de janeiro, com o movimento proTEJO, tendo sido realçada a preocupação por um Tejo livre e limpo, e com caudais ecológicos de modo a salvaguardar a biodiversidade. O movimento ambientalista foi representado por Paulo Constantino e Ana Silva. A reunião decorreu na Ribeira de Santarém, junto ao rio Tejo.

Em nota de imprensa, o BE dá conta que a candidata aproveitou a oportunidade para fazer um balanço do trabalho de defesa do Rio Tejo e de toda a sua bacia hidrográfica ao longo do mandato, na Assembleia da República, contra a poluição e em defesa de caudais ecológicos e rios livres. Ficou também a conhecer as perspetivas futuras do proTEJO, bem como os seus projetos ecológicos para o futuro a médio prazo.

Para a bloquista, “salvaguardar os nossos rios é determinante para salvaguardarmos a sustentabilidade da vida na Terra e a biodiversidade que a suporta”. A candidata esclarece que “a prioridade do Bloco é assegurar um Rio Tejo livre, com objetivo de restabelecer os equilíbrios ecológicos”, acrescentando que há “muito trabalho a ser feito na remoção de obstáculos, como açudes, em toda a extensão do rio, mas também na despoluição e naturalização do Nabão, do Almonda, do Alviela ou do Rio Maior”, lê-se na mesma nota.

Fabíola Cardoso referiu que “as práticas agrícolas intensivas e ultra-intensivas causam enormes danos, pois recorrem à elevada utilização de agroquímicos, que têm um peso considerável na emissão de gases com efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global e todas as consequências conhecidas”.

Afirmou ainda que os problemas ambientais e de saúde pública causados pelas indústrias da suinicultura, na contaminação das linhas de água, solos e ar, também não podem continuar a ser ignorados.

E criticou “a cativação dos fundos europeus por parte dos grandes empresários agrícolas, o que impede um real investimento em modelos de agricultura que privilegiem a biodiversidade, através de práticas ecológicas e produções biológicas, essenciais para o desenvolvimento rural “.

Fabíola Cardoso classificou como “triste, a autorização do governo aos estudos para a expansão em 300 mil hectares de área regada no Ribatejo, Oeste e Setúbal, através da construção de mais de 10 barragens no Tejo e afluentes”.

A candidata à Assembleia da República quer, ainda, ver em prática algumas das propostas do Bloco de Esquerda, como: devolução da autonomia às Administrações de Região Hidrográfica; promoção de culturas menos exigentes, tendo em conta a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos; criação do Plano Nacional de Restauração Fluvial, tendo em vista a remoção de açudes e barragens, bem como a recuperação da qualidade da água e dos habitats; revisão da Convenção de Albufeira para fixar caudais mínimos diários; criação de um Plano de Gestão da Bacia Hidrográfica do Rio Tejo à escala ibérica, a fim de cumprir a Diretiva Quadro da Água.

Fabíola Cardoso do Bloco de Esquerda em ação de campanha para as eleições legislativas de 30 de janeiro. Créditos: BE

Bloco de Esquerda quer corrigir injustiças no trabalho por turnos

Na passada sexta-feira, ainda em ação de pré-campanha, a candidata bloquista reuniu com a direção do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar. A iniciativa realizou-se no âmbito da pré-campanha eleitoral do partido e serviu para “ouvir quem trabalha e conhece a realidade laboral do distrito”, segundo Fabíola Cardoso.

A recandidata ao Parlamento enfatizou “a urgência de políticas que ponham cobro à precariedade selvagem e que ofereçam estabilidade aos trabalhadores e às suas famílias” e considerou, ainda, que “é necessário legislar o recurso abusivo ao trabalho por turnos e à laboração contínua”, por constituírem “autênticas armas de arremesso constantemente utilizadas contra os trabalhadores”. Escalas de turno que superam o horário de trabalho, retirada de dias de descanso, não pagamento das horas extraordinárias são alguns dos problemas muito presentes nas empresas.

Admitiu que “a realidade do distrito de Santarém é alarmante” e que é “incompreensível o governo PS e António Costa terem negligenciado investimentos na ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho”. Para a cabeça-de-lista do Bloco “o PS tem culpas na falta de meios, sejam humanos ou técnicos, na ACT, o que implica o aumento da impunidade” e do “grassar de situações irregulares e ilegais, com prejuízos financeiros e familiares para os trabalhadores e as trabalhadoras “.

Fabíola Cardoso elogiou o papel do STIAC, cujos “apoio, proteção e informação são fundamentais” para muitos trabalhadores que têm os seus direitos diminuídos. A bloquista demonstrou-se ainda muito preocupada com as condições impostas aos imigrantes, que são explorados por empresas de trabalho temporário, enquanto os donos das empresas contratantes “lavam as mãos como Pilatos”.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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