Laura Agostinho brilha nos Jogos da CPLP com três medalhas de ouro e é recebida em festa no aeroporto de Lisboa. Foto: DR

Entre abraços, flores, cartazes e palavras de incentivo, o orgulho era visível nos rostos de todos os presentes na chegada na terça-feira ao aeroporto de Lisboa, com a família de Laura Agostinho a não esconder a emoção pelo regresso da jovem atleta após uma prestação notável em Timor Leste em representação de Portugal. Tendo partido de seguida com a sua família para umas merecidas férias, Laura Agostinho partilhou ao telefone com o mediotejo.net a experiência que viveu em Dili durante cerca de duas semanas.

“Foi uma experiência inesquecível. Representar Portugal é sempre um enorme privilégio, e estar em Timor-Leste com tantos atletas de países irmãos foi algo que nunca vou esquecer”, disse Laura Agostinho, ainda emocionada com a experiência vivida no outro lado do Mundo e com a receção no aeroporto após a participação nos Jogos Desportivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Eu fui para lá um bocado sem saber como é que seria e surpreendeu-me muito pela positiva, não só pela malta de lá, que foi super acolhedora, pelo apoio e carinho que nos deram, como pelos resultados desportivos. As emoções foram… acho que foram de todos positivas. Não esperava sair de lá com as três medalhas, confesso. Esperava ter realmente uma muito boa competição mas nunca imaginei tudo isto”.

Com os olhos postos no futuro, a jovem velocista, que se destacou nos 100 metros, salto em comprimento e na estafeta mista 4×100 metros, provas onde participou e que em todas ganhou, já traça novos objetivos: “Agora é tempo de descansar um pouco, aproveitar as férias, mas já estou a pensar nas próximas marcas. Quero muito atingir os mínimos para os campeonatos da Europa e do Mundo”, declarou, tendo feito notar que a dedicação à vertente académica vai andar sempre de mãos dadas com a vertente desportiva.

Laura Agostinho brilha nos Jogos da CPLP com três medalhas de ouro e é recebida em festa no aeroporto de Lisboa. Foto: DR

ÁUDIO | LAURA AGOSTINHO, ATLETA VENCEDORA DE TRÊS MEDALHAS DE OURO:

A participação de Laura Agostinho nos Jogos da CPLP reforça o investimento que tem vindo a ser feito na formação de jovens atletas em Portugal, em geral, e em Abrantes, neste caso em particular pela Academia Susana Estriga, clube que a atleta representa, e que inspira toda uma geração a acreditar que o talento, aliado ao esforço e à dedicação, pode levar longe — mesmo muito longe.

Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e o anfitrião Timor-Leste foram os países participantes numa competição para jovens até aos 16 anos, onde foram realizadas oito modalidades: atletismo, basquetebol, futebol, karaté, taekwondo, ténis, voleibol de praia e xadrez, entre 17 e 27 de julho.

Abrantina Laura Agostinho conquistou medalha de our onos 100 metros nos Jogos da CPLP. Foto: Confederação do Desporto de Portugal

Laura Agostinho, atleta sub18 (2009) da Academia Susana Estriga Sport – Associação, de Abrantes, foi convocada para a Seleção Nacional da Federação Portuguesa de Atletismo para representar Portugal em duas provas individuais (100 metros e salto em comprimento), tendo vencido ambas.

A atleta abrantina participou e venceu ainda a estafeta mista 4×100 metros, fechando com chave de ouro uma participação internacional que ficará para sempre na sua memória.  

Abrantina Laura Agostinho faz o pleno e conquista três medalhas de ouro nos Jogos da CPLP. Foto: FPA

No total, a Missão portuguesa conquistou 42 medalhas na 12.ª edição dos Jogos Desportivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Formada por 105 elementos, incluindo 56 atletas, a delegação nacional acumulou 26 medalhas de ouro, nove de prata e sete de bronze, competindo em modalidades como atletismo, basquetebol 3×3, futebol, karaté, taekwondo, ténis, voleibol de praia e xadrez.

Abrantina Laura Agostinho conquista três medalhas de ouro nos Jogos da CPLP. Foto: CDP

A treinadora Susana Estriga falou num momento alto, de “orgulho e muita alegria” como sendo o culminar de uma época de muto trabalho, tendo apontado a altos voos para a jovem atleta, desde que mantenha a humildade, o foco no trabalho e treino desportivo, a par da conciliação com a vida pessoal e académica.

Susana Estriga e Laura Agostinho no Estádio Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

ÁUDIO | SUSANA ESTRIGA, TREINADORA DE LAURA AGOSTINHO:

Depois de conquistar a medalha de ouro na final dos 100 metros nos XII Jogos Desportivos da CPLP, que decorreram no Estádio Municipal de Díli, em Timor-Leste, a atleta abrantina Laura Agostinho, em representação da seleção de Portugal, destacou-se na no salto em comprimento, tendo conquistado nova medalha de ouro com um salto em que atingiu a distância de 5,47 metros.

O salto em comprimento seria a segunda grande conquista da jovem Laura Agostinho, de apenas 15 anos, a nível internacional, mas não se ficaria por aqui, tendo fechado a sua prestação pela selecção nacional com a conquista da estafeta mista 4×100 metros.

Abrantina Laura Agostinho conquista segunda medalha de ouro nos Jogos da CPLP. Foto: CDP

A seleção nacional de atletismo, que Laura Agostinho integrou, esteve em destaque ao longo de toda a competição, protagonizando uma excelente prestação que culminou na conquista de um total de 17 medalhas: 11 de ouro, 5 de prata e 1 de bronze.

Laura Agostinho conquista no 1º dia medalha de ouro nos 100 metros

Na final dos 100 metros femininos, disputada na segunda-feira, a portuguesa Laura Agostinho cortou a meta com o tempo de 11 segundos e 98 centésimos (11.98), com Leonor Freitas (Portugal) a ficar em segundo lugar (12, 28) e Silvanilda Silva, de Cabo Verde, em terceiro, com o tempo de 12.44.

Esta foi a primeira grande conquista da jovem Laura Agostinho a nível internacional, tendo no final da participação vencido todas as provas que disputou.

Abrantina Laura Agostinho conquista medalha de ouro nos Jogos da CPLP

A velocista abrantina, que já esteve na Roménia, pela Desporto Escolar, e em Salamanca, Espanha, pela Federação Portuguesa de Atletismo, onde participou este ano no Encontro Ibérico de Estafetas, tendo integrado o quarteto formado pela Katerina Quinn, Laura Agostinho, Margarida Oliveira e Diana Indeque que bateu o recorde nacional por 83 centésimos.

Pela primeira vez um clube de Abrantes colocou o nome de uma atleta escrito num recorde nacional sub18 e nos 4×100 metros no âmbito da Federação Portuguesa de Atletismo.

Agora, com esta prestação em Timor Leste, o céu é o limite para uma jovem “sonhadora, determinada e insatisfeita por natureza”, e que tem uma enorme margem de progressão.

Em comunicado, Susana Estriga, treinadora da atleta, disse que “desde que” Laura Agostinho “iniciou o seu percurso na modalidade as suas qualidades acima da média foram identificadas por todos” e que, “para todos os que têm acompanhado o seu percurso com quase quatro anos, esta convocatória é o reconhecimento do seu talento e do nosso trabalho”.

“Com uma invulgar capacidade de trabalho e uma dedicação ímpar, o seu talento catapultou-a rapidamente para o patamar nacional”, pode ler-se na informação publicada na página do Ases Estriga, academia de desporto de Abrantes que a jovem atleta representa.

“Neste processo, onde nunca estivemos sozinhos, foi fundamental o apoio de todos aqueles que acreditaram no seu potencial e que investiram na sua formação e nas condições de treino”, refere a mesma nota, tendo apontado a convocatória para a selecção nacional como um momento de ”emoção e orgulho”.

“Sabendo que a família e a treinadora têm desempenhado um papel muito importante no percurso da atleta, esta representação nacional está a ser vivida, por todos, com grande emoção e orgulho”, pode ler-se.

A seleção nacional de atletismo conquistou um total de 17 medalhas de ouro nos Jogos da CPLP. Foto: FPA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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