As obras de requalificação do edifício antigo, do século XIX, no centro de Rossio ao Sul do Tejo, que funciona como lar, eram “fundamentais” caso contrário a instituição acabaria por fechar portas ”por questões de segurança”, explicou o padre Adelino Cardoso, responsável pela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), no âmbito de uma visita efetuada pela responsável da Segurança Social distrital, Paula Carloto, e pelo presidente do município, Manuel Jorge Valamatos, acompanhado da vereadora da Ação Social, Raquel Olhicas.
A direção da instituição deliberou avançar então com a intervenção, mesmo desconhecendo se haveria qualquer apoio financeiro. A aprovação da candidatura ao Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES) acabou por chegar, no momento em que a obra estava praticamente concluída, com um apoio financeiro de 80% a constituir-se como “uma excelente ajuda”. O próprio município viria também a comparticipar com cerca de 50 mil euros, para aquisição de equipamentos.

Segundo Adelino Cardoso “estas instituições precisam muito de apoio. Os nossos idosos trabalharam imenso, deram muito ao país” importa portanto “que o Governo olhe para eles. Há muito idosos sozinhos, isolados, sem condições financeiras para irem para um local digno”. As dificuldades financeiras “são uma das causas que faz surgir os lares ilegais. Mas vão para onde se a sociedade não dá resposta?”.
Nos espaço adjacentes ao edifício que serve como lar, pensa-se agora numa sala para abrir à comunidade. A ideia passa por “criar um espaço aberto à comunidade, um espaço de convívio, de confraternização” e para “reabilitar o tecido urbano junto ao lar que está degradado e aí criar uma sala grande” para a população rossiense, disse o padre Adelino Cardoso.
Segundo Adelino Cardoso, o financiamento do programa PARES para a reabilitação do lar foi na ordem dos 80%, tendo o apoio sido reforçado, posteriormente, com mais 20% sobre o valor base da empreitada, o que constituiu uma importante alavanca financeira para a instituição. Vivemos sempre no limiar e queremos manter os postos de trabalho. Sem as obras a instituição teria de fechar portas”, declarou.

ÁUDIO | PADRE ADELINO CARDOSO, CENTRO SOCIAL DE ROSSIO:
Por isso, esta planificação surgiu muito antes do Centro Social Paroquial de Rossio ao Sul do Tejo ter visto aprovada a sua candidatura, avaliada em cerca de 400 mil euros, sendo o resultado da empreitada de requalificação do lar muito elogiada, com os responsáveis do Centro Social, que conta com 22 idosos na valência de lar e 17 no apoio domiciliário, a apontarem desde já à recuperação de outros espaços, adjacentes ao edifício-sede, e que se encontram devolutos, ideia incentivada pela responsável da Segurança Social.
“Um ponto prévio a dizer, para dar mais uma vez os parabéns a esta instituição, pela magnífica obra que aqui tem. Nós, Estado, devemos agradecer genuinamente a todas estas instituições, como esta, e está aqui o Sr. Padre a ouvir-nos, que dedicam com paixão e, sobretudo, com muita compaixão, o tratamento, o acompanhamento de todas estas pessoas que estão no final da sua vida e que carecem da melhor atenção que lhes possamos dar. Nesse sentido, o agradecimento da Segurança Social, enquanto representante do Estado, com obrigações nesta matéria”, disse Paula Carloto aos jornalistas, no final da visita, tendo depois comentado o apoio às IPSS que estão a decorrer no distrito com o apoio do PARES.




“Quanto às obras que estão a ocorrer no âmbito do PARES, o Estado mais não faz do que a sua obrigação. Esta é a obrigação do Estado, dar meios, dar condições, para que, sem qualquer tipo de preconceitos ideológicos, a sociedade privada, através das IPSS, possa dar resposta a todos aqueles que precisam de respostas, seja na área da infância, seja na área da juventude, seja na área dos idosos, seja na deficiência, na saúde mental, seja onde for. Esta é a obrigação do Estado. Portanto, pergunta-me se há muitas obras a correr. Graças a Deus, há”, declarou.
“Há muitas no âmbito do PARES, há muitas no âmbito do PRR. Pena tenho eu que não haja ainda mais. E que possa levar a melhores respostas e mais eficientes respostas no distrito de Santarém”, disse Paula Carloto, tendo feito notar que o lar em Rossio está preenchido, tem lista de espera, e que a situação é uma realidade em todo o distrito. “Sobretudo em IPSS como esta, cuja resposta é francamente boa e adequada e onde se sente que cada idoso é uma pessoa feliz”.
“E, portanto, a resposta é boa, mas é sempre insuficiente. Ou tem sido até agora insuficiente. É por isso que no distrito de Santarém vamos também começar agora a tentar desenvolver outro tipo de respostas que possam completar esta resposta que está a ser muito bem desenvolvida pelas IPSS, em termos de acolhimento para idosos, que é uma resposta que já existe, mas que não tem sido desenvolvida, e que nós vamos começar a tentar impulsionar para ajudar a dar resposta a esta necessidade premente no distrito. O estudo está a ser feito mas é uma resposta que já está institucionalizada. É só preciso trabalhá-la, divulgá-la e monitorizá-la no sentido de perceber se ela vai ou não responder àquilo que são as nossas necessidades. Mas eu espero que sim. E estou convencida que sim. É por isso que estou a apostar nela”, declarou.

ÁUDIO | PAULA CARLOTO, SEGURANÇA SOCIAL DISTRITAL DE SANTARÉM:
No final, questionada sobre a as obras de requalificação que tinha visitado no lar no Rossio, a responsável não regateou nos elogios.
“Olhe, só lhe posso dizer numa palavra. Fiquei encantada. Gostei muito da obra do ponto de vista arquitetónico e do ponto de vista da construção que aqui está feita. Mas, sobretudo, gostei muito de ver e de sentir a compaixão com que se tratam as pessoas e a alegria no rosto de cada idoso com quem falei. Isso, para mim, é o fundamental. Isso é o que nos move e é por isso que aqui estamos”, afirmou.
Também o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, acompanhou a visita às obras realizadas, tendo declarado existir um grande investimento por parte das IPSS no concelho e que o município tem vindo a acompanhar esse processo.
“Há muito que incentivámos e nos mobilizámos todos para esse grande investimento, porque estamos a falar obviamente de uma resposta importantíssima no nosso concelho para encontrar boas soluções para que os nossos idosos tenham, digamos, uma vida tranquila. Este trabalho das nossas IPSS é absolutamente extraordinário e fundamental para garantirmos qualidade na prestação de serviços aos mais idosos”, notou.
“E nós temos vindo a acompanhar, percebemos o momento em que estes grandes investimentos acontecem, no Souto, nas Mouriscas, no Tramagal, em Abrantes, no Vale das Mós, no Rossio, em São Miguel”, exemplificou, tendo lembrado um “momento de pandemia que deixou bastantes fragilidades nas nossas IPSS. A seguir, como sabem, esta guerra na Europa e a inflação disparou, os preços dos combustíveis, da energia, de forma absolutamente brutal. E isto tem um impacto na nossa comunidade, em termos gerais, e nas nossas IPSS. Foi por isso que, sabendo que as nossas IPSS estavam num momento de investimento, num momento de atividade económica significativa, entendemos que era um momento também de ajudar a encontrar as melhores soluções, as melhores respostas para o momento difícil que estavam a passar”, dando conta que o município atribuiu apoios financeiros às IPSS do concelho.
“Já sem investimento, as nossas IPSS já passam momentos difíceis. Imaginem as IPSS que estão em fase de investimentos, de grandes investimentos, em que tiveram apoios, que depois, em tempo de obra, viram os valores da obra aumentar exponencialmente”, realçou.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
Em agosto de 2020 surgiu o PARES 3.0, programa de apoio ao investimento para novas construções e para reabilitação de infraestruturas.
No concelho de Abrantes foram quatro as Instituições Particulares de Solidariedade Social que viram as suas candidaturas ao programa PARES aprovadas. Para além do Centro Social Paroquial de Rossio ao Sul do Tejo, também o Centro Social Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira, em Tramagal, o Centro Solidariedade Social do Souto e a ACATIM – Associação Comunitária de Apoio à Terceira Idade de Mouriscas estão a realizar investimentos de construção e/ou de requalifcação.
