Não sei se existe alguma relação entre as agressões que o homem tem feito ao meio ambiente e a memória que cada um de nós tem, mas a verdade é que não me lembro de assistir a tamanha falta de memória coletiva e desconhecimento das lei e das responsabilidades individuais.
Apesar de tudo, não é o esquecimento ou a memória seletiva destas personagens que me surpreende, porque se elas foram capazes de se servir da forma que todos nós vamos tendo conhecimento, estes lapsos de memória acabam por mostrar coerência no carácter de quem não olhou a meios para atingir os seus fins.
O que me pode surpreender é que este argumento vazio seja suficiente para ilibar responsabilidades, porque se está provado que houve gestão danosa tem que se condenar quem negligentemente permitiu que isso acontecesse.
O mesmo se passa em relação ao desconhecimento das nossas responsabilidades civis e tributárias. Se há coisa que todos, ou quase todos, sabemos, é que não podemos alegar o desconhecimento da lei como argumento para justificar o seu não cumprimento ou a sua violação.
É uma questão de princípio, de regra… e atrevo-me mesmo a afirmar, de cidadania!
Mas por enquanto, o que vou observando é que, excetuando a condenação popular, e aqui tenho que reconhecer que se deu um passo em frente porque o procedimento normal era “abafar” a discussão pública destes casos, não tenho assistido a mais nenhum tipo de condenação.
Espero que não estejamos na presença da estratégia habitual do “é preciso mudar para tudo fique na mesma”, porque enquanto as decisões continuarem a beneficiar os infratores, a “cultura” de corrupção que se vive… nunca deixará de se viver!
Por isso, é preciso coragem para o dizer, mas é preciso mais coragem para o fazer… e enquanto andarmos a fazer de conta que a nossa justiça já funciona apenas estamos a ser cúmplices de um sistema que continua a não funcionar.
E que fique claro, na minha opinião a corrupção que existe no nosso país não tem sexo, nem idade, nem cor… ela é sistémica e contamina quem se aproxima dos poderes de decisão. E as relações perigosas entre estes poderes apenas facilitam o seu contágio…
