Foto: Jorge Santiago

Uma vez mais, partiste antes do jogo acabar. Alguém te retirou antes do tempo. Já nos nossos velhos tempos era assim. Corrias, por vezes, mais do que alguns. Esforçavas-te mais do que outros. Mas, ou ficavas no banco, ou saías antes do jogo acabar. Sem uma lamúria, sempre com aquele sorriso de quem sofre com os outros e pelos outros.

Com o tempo, foste ganhando outros jogos e outras corridas. E o tempo rolou…

Depois, depois foram anos e anos sem te ver ou te falar. Até que um dia, alguém me disse que tinhas tropeçado na vida. Mas que te tinhas conseguido levantar. Liguei-te, e percebi que não estavas à espera. Acredita que nem eu. Foi, então, a última vez que falámos.

Agora, assim de supetão, partiste antes do jogo acabar. Não é justo, Ernesto. Nem para ti, nem para os teus.

Não me despedi de ti, da forma como é normal que se faça. Dei um abraço ao Zé Tó, que sei “que to fez chegar”. De resto, ficam-me as memórias. As boas memórias de um Bom Amigo. Dos do peito e de perto. Porque de longe se faz perto.

Até sempre, meu ‘Bom Ernesto’…

adelino (zé guido)

11 maio 2018

Adelino Pires nasceu em Portalegre, em 1956, num dia de solstício de verão. Cresceu no Tramagal e viveu numa mão cheia de lugares. Estudou, inspirou, transpirou, e fez acontecer meia dúzia de coisas ao longo do tempo. Alfarrabista no centro histórico de Torres Novas, gosta do que faz e faz o que gosta. Mais monge que missionário, cronista nalguns jornais, publicou um livro em 2015 (“Crónicas Com Preguiça”). É nos seus escritos vadios que, no dia a dia, vai olhando o que sente.

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