Andrey Koval, artista ucraniano residente em Abrantes, apareceu no meu atelier há mais de dois anos. Simples, sorridente e curioso.  Pediu para se inscrever mas fiquei atónito quando me mostrou os seus trabalhos anteriores, belíssimos desenhos e retratos. “Mas afinal o que pretendes em inscrever-te aqui?” perguntei-lhe, ao que me respondeu que queria aprender a técnica do óleo. Nem vale a pena dizer que a aprendeu bem e rapidamente até que ficou com uma menção de honra num concurso nacional.

KAO é um ser complicado, como todos os artistas, e talvez a sua timidez e o facto de ser tão reservado não o ajudem a ser conhecido como merece. Mas ele tenta cada vez mais melhorar o seu trabalho, o seu traço, o seu objetivo…e nada o demove, o que é digno de registo.

Viver num pais diferente, com língua e cultura diferentes não é fácil mas ele conseguiu o apoio de amigos, que o ajudam. Agora ele está a expor na galeria municipal de Entroncamento, a sua primeira exposição pessoal, e devo dizer que é muito agradável e profissionalmente válida.

Um desenho impecável, proporções bem definidas, cores suaves e temas fáceis de assimilar à primeira vista, mas com um “background” de filosofias asiáticas, psicadélicas e de origem balcânicas nem sempre fáceis de assimilar.

Espero que possam visitar a exposição, merece certamente ver o uso do “Dry brush” (óleo sobre cartolina com pincel seco) ou a caneta de cor sépia e os últimos trabalhos informáticos.

Kao demonstra claramente que um artista pode expressar o que sente no coração com varias técnicas e suportes, ele faz retrato na rua, desenhos de fantasia, reproduções e muito mais. E sempre com um sorriso enigmático no rosto.

O que há mais para dizer se não para ir ver e conhecer Kao? Só um pequeno reparo…porque um artista residente e conhecido em Abrantes vai realizar uma exposição em Entroncamento e não em Abrantes? Talvez o Dr. Luís Dias possa responder mas está muito preocupado com o futuro super museu…quem sabe?

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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