A professora Júlia Pereira, de 35 anos, ativista feminista e LGBTI+, é a candidata do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara do Entroncamento nas próximas autárquicas, defendendo a inclusão e o amplificar das vozes mais “silenciadas”, foi hoje anunciado. A candidatura à Assembleia Municipal será liderada por Santiago Mbanda Lima, ativista luso-angolano, antirracista e defensor dos direitos das pessoas intersexo.
“Esta é uma campanha feita com as pessoas e para as pessoas. Trazemos para o centro do debate as vozes que mais têm sido silenciadas — por uma cidade que escuta, que acolhe, que inclui e enfrenta o futuro de cabeça erguida”, disse à Lusa a candidata do BE à Câmara do Entroncamento.
Júlia Mendes Pereira, atual coordenadora da concelhia do BE, é natural de Lisboa e residente no Entroncamento, tendo sido a segunda candidata nas listas do partido pelo círculo de Santarém nas eleições legislativas de 18 de maio. É dirigente distrital e nacional do BE.
Licenciada em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Universidade de Lisboa, frequenta o mestrado em Ensino de Português na Universidade de Coimbra.
Com um percurso na “luta pelos direitos humanos”, Júlia Pereira é dirigente da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, da Associação Anémona — movimento pela saúde transgénero, e antiga dirigente da Transgender Europe, organização internacional de defesa das pessoas LGBTI+.
Em comunicado, o BE afirma que Júlia Pereira “é também uma mulher transgénero”, sendo a sua candidatura “um marco na visibilidade e participação política de pessoas trans no poder local” em Portugal.

“A extrema-direita avança quando o medo ocupa o lugar da esperança. A nossa candidatura representa o orgulho na liberdade: contra o autoritarismo, o racismo, o machismo e todas as formas de opressão. Ventura, Meloni, Bardella, Orbán, Netanyahu ou Trump são rostos de uma visão do mundo que queremos derrotar com coragem, solidariedade e liberdade”, afirmou a candidata do BE.
O BE do Entroncamento anunciou ainda que a candidatura à Assembleia Municipal será liderada por Santiago Mbanda Lima, 36 anos, ativista luso-angolano, antirracista e defensor dos direitos das pessoas intersexo.
Fundador da Ação Pela Identidade, é também membro do SOS Racismo e estudou Gestão e Ciências Sociais, com enfoque na Antropologia.
“A democracia não se defende com neutralidade, defende-se com posicionamento. Esta campanha não será sobre consensos fáceis, mas sobre escolher de que lado da história queremos estar. Estamos com quem resiste à violência racista e ao neofascismo, aqui e no mundo inteiro”, declarou Santiago Mbanda Lima, citado e comunicado.

Nas eleições autárquicas de 2021, o BE conquistou representação na Assembleia Municipal e nas assembleias de Freguesia, tendo a atual candidatura assumido como prioridade “reforçar a presença institucional e apresentar uma alternativa progressista às forças conservadoras que ameaçam o executivo” camarário.
“Face ao avanço da extrema-direita, em Portugal e no mundo, o Bloco apresenta-se como uma força de combate, mobilizada em defesa da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos”, sustenta.
A Câmara Municipal do Entroncamento é liderada pelo PS, que nas eleições de 2021 obteve 32,45% dos votos (três eleitos), tendo o PSD conquistado também três vereadores (31,7%) e o Chega um (11,2%).
Além de Júlia Pereira, pelo BE, os candidatos já anunciados são Mário Balsa, professor, que concorre pelo PS, Rui Madeira, professor e atual vereador, pelo PSD, Nelson Cunha, sociólogo, pelo Chega, e João Félix, pela CDU.
Nas autárquicas de 2021, estavam inscritos no concelho 17.012 eleitores.
As eleições autárquicas estão previstas decorrer entre setembro e outubro.
C/LUSA
