Eleitos da Assembleia Municipal Jovem em conferência para decidirem os nomes para secretários da mesa. Foto: mediotejo.net

‘O Jovem e a Política’, ‘Escola’, ‘Ocupação de Tempos Livres’ e ‘Os Jovens e o Ambiente’ eram os temas agendados para a sessão do dia 28 de outubro. À semelhança das Assembleias Municipais dos adultos, a Assembleia Municipal Jovem segue um regimento onde estão definidas as regras do seu funcionamento.

Por isso, coincidindo com o início do novo ano letivo, houve necessidade de substituir os deputados que entretanto saíram da escola. “Eu abaixo assinado, afirmo solenemente pela minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas”. O juramento foi lido, por vezes, numa leitura ainda hesitante, pelos novos deputados.

A dirigir os trabalhos estava o presidente da Assembleia Municipal, José Casanova. Numa mesa ao lado estavam quatro dos cinco eleitos do executivo camarário, faltando a vereadora Elisabete Ferreira.

Com a nova composição da Assembleia Jovem definida, havia necessidade de se eleger os dois secretários da mesa. Fez-se um compasso de espera para que os eleitos chegassem a um consenso e acabou por ser entregue apenas uma lista única respeitando a paridade, ou seja, um rapaz e uma rapariga. Por voto secreto, um a um, os pequenos deputados elegeram Bernardo Morgado e Sara Cotrim para aqueles dois lugares.

No período antes da ordem do dia, foi apresentado “um voto de louvor à professora Isabel Saúde pelos seus 28 anos à frente da nossa escola” que foi aprovado por unanimidade e aclamação.

No ponto “assuntos gerais de interesse para o concelho”, Bernardo Morgado, o jovem mais interventivo, anunciou que iria abordar os temas da cultura e da organização territorial.

Começou por enaltecer o executivo pelos eventos culturais que tem promovido e pelas comemorações dos 800 anos do foral de Pedro Ferreiro, mas criticou a ausência de atividades na freguesia do Beco, questionando a prometida “política cultural descentralizada”. Em resposta, o presidente da Câmara reconheceu que “há muita coisa para limar”.

“Para o ano vamos ter de melhorar as atividades culturais”, anunciou Bruno Gomes, explicando que estas tinham de ser realizadas até novembro porque advinham de uma candidatura comunitária financiada, com prazos apertados.

Sobre a localização da anunciada estátua de Pedro Ferreiro, o responsável pelo primeiro foral da vila, o autarca disse que “ainda não tem um local específico definido”.

Explicou ainda questões de gestão orçamental referindo que os 3 milhões e 300 mil euros disponíveis em orçamento estão comprometidos com as obras e com os custos com pessoal, alertando para as dificuldades e limitações orçamentais.

Foto: mediotejo.net

Bernardo Morgado questionou ainda sobre a recuperação da Casa do Ensaio no Carril, imóvel que se encontra em avançado estado de degradação.  O presidente da Câmara respondeu que se trata de assunto que o preocupa, mas lembrou que é um projeto para 1 milhão e meio de euros e nesta altura não há liquidez nem enquadramento para financiamento comunitário.

Sobre o tema da desagregação de freguesias, o jovem deputado perguntou sobre o caso de Areias e Pias e de Nª Srª do Pranto (Paio Mendes e Dornes), freguesias agregadas desde 2013. Em resposta, Bruno Gomes referiu que compete às populações e às assembleias de freguesia decidir, mostrando-se disponível para acatar as decisões deste órgão considerado fulcral para decidir eventuais desagregações.

Ainda nesta primeira parte, o presidente da Câmara começou por enaltecer a realização da Assembleia Jovem e a capacidade crítica dos seus elementos, lembrando que foi enquanto estudante que se iniciou na atividade política.

Na mesma linha, o presidente da Assembleia lembrou: “o futuro são vocês”. Apelou à união de todos por uma causa: “a vontade de termos um concelho melhor. Somos todos ferreirenses”.

No ponto “O Jovem e a Política”, Bernardo Morgado mostrou-se cético em relação aos jovens de Ferreira do Zêzere, dando como exemplo a forma como decorreram as eleições para a associação de estudantes da escola Pedro Ferreiro. Aproveitou para perguntar quando começam as obras na escola, quem financia e se já há projeto.

Bruno Gomes disse que ainda não tem resposta nesta altura, estando em cima da mesa duas hipóteses: requalificação das atuais instalações ou um novo edifício. Adiantou que o projeto ainda está numa fase inicial, sendo que a decisão vai depender do financiamento.

Seguiram-se intervenções sobre assuntos mais diversos como o problema do pavimento em asfalto na escola, que provoca ferimentos em caso de queda, ou a falta de bebedouros, questões que o presidente da Câmara tomou nota e prometeu corrigir.

Bruno Gomes aproveitou para elencar alguns problemas que surgiram sem ninguém esperar e que têm reflexos na gestão camarária, como a guerra na Europa, a crise energética, a falta de mão de obra, o aumento de custos, tudo questões que condicionam os projetos e as obras.

Ocupação de tempos livres e problemas ambientais no concelho foram outros temas abordados pelos jovens deputados.

A Assembleia Municipal Jovem apresenta-se como “um espaço de reflexão e debate entre jovens, servindo como reforço democrático e sustentando-se numa real implementação de políticas mais orientadas para as necessidades dos mais jovens cidadãos de Ferreira do Zêzere”.

Trata-se de “um espaço que permite aos jovens a exposição das suas ideias no presente e para o futuro, assim como partilhar problemas, encontrando soluções comuns para os mesmos”. Um exemplo de cidadania e de intervenção democrática, as sessões da Assembleia Jovem prometem fazer escola em Ferreira do Zêzere.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *