“As razões que me levaram a aceitar este desafio foram, essencialmente, incentivos e apoios vários, quer de camaradas do Partido Socialista, quer de pessoas até fora do PS. Eu senti isso, e ainda hoje sinto isso, pessoas que me contactam, pessoas que me telefonam, pessoas que mandam mensagens a incentivar e, portanto, senti esse peso da responsabilidade perante esses incentivos e apoios mais variados e muitos, quer dentro do partido, quer fora do partido. E quer a nível local, a nível regional, fora daqui de Torres Novas, senti isso. Foi esse peso e também a vontade de ser útil. De tentar fazer alguma coisa de útil pelo nosso concelho”, disse ao nosso jornal o candidato do PS à Câmara de Torres Novas.
“Tenho uma ideia clara para o futuro de Torres Novas e faço questão sempre de ter como referência a ética, o rigor, compromisso, proximidade com os nossos militantes, com os nossos poderes autárquicos e com os munícipes em geral. É importantíssimo a unidade, a unidade dentro do PS, e por outro lado, estabelecer pontes entre todos nós, mas também com pessoas de fora do PS. Volto a repetir, tenho sentido palavras também de incentivo e de apoio de pessoas que, algumas nem sei o que é que são, e outras que são de outras áreas políticas, umas à esquerda e outras à direita, que me têm incentivado e dado apoio”, afirmou.
A comissão política concelhia do PS de Torres Novas foi a votos para escolher entre os dois nomes que se apresentaram como candidatos a presidente da câmara nas autárquicas deste ano, com José Trincão Marques, 58 anos, atual presidente da Assembleia Municipal, a obter o apoio de 26 dos 37 votantes, contra 11 do atual vice-presidente do município, Luís Silva.
A Câmara de Torres Novas é presidida desde 2013 por Pedro Ferreira (PS), que não se pode recandidatar ao cargo devido à limitação de mandatos.
Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1990, José Trincão Marques, 58 anos, militante do PS desde 2001, e advogado há mais de 30 anos, com participação ativa em vários órgãos e institutos da Ordem dos Advogados Portugueses, tem desempenhado diversos cargos autárquicos, sendo presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas desde 2015 e presidente da Assembleia da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo desde 2015.

Mestre em Gestão e Conservação da Natureza e Doutorando em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Lisboa, José Trincão Marques foi assessor jurídico do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e da Reserva Natural do Paul do Boquilobo durante cerca de quinze anos, tendo destacado, em declarações ao mediotejo.net, o imenso potencial do concelho, a vários níveis, e a importância da intermunicipalidade, para projetar Torres Novas na região onde se insere.
“O concelho de Torres Novas é um concelho riquíssimo de vários pontos de vista, quer do ponto de vista da localização geográfica, quer do ponto de vista da relação privilegiada que pode ter, e até desenvolver, com municípios vizinhos, criando escala e criando massa crítica. Estou a pensar em municípios aqui mesmo vizinhos… Alcanena, Entroncamento, Barquinha, Tomar, os limítrofes, pelo menos esses… Ninguém consegue fazer nada sozinho e, portanto, é importante haver essa intermunicipalidade”, declarou.
“Depois, continuou, “o concelho de Torres Novas tem também potencialidades riquíssimas do ponto de vista de recursos e pode tornar-se uma referência na nossa região. Eu defendo isso e aqui tem potencialidades naturais, riquíssimas, históricas, culturais, que podem ajudar a projetar o concelho e a torná-lo uma referência”, sublinhou, tendo destacado a importância da “captação de emprego jovem qualificado” para o desenvolvimento do concelho.
“Isso implica a captação de emprego jovem qualificado, que é muito importante, de maneira a tentar fixar pessoas no nosso concelho, qualificadas e com poder económico, para que constituam aqui família, que possam contribuir para o desenvolvimento do nosso concelho”, afirmou Trincão Marques.
Questionado sobre se, caso seja eleito presidente de câmara, tal implicará uma rutura ou uma linha de continuidade com os últimos 32 anos de governação autárquica socialista em Torres Novas (20 anos com António Rodrigues e depois, agora, com quase 12 anos com Pedro Ferreira como presidente, José Trincão Marques apontou a um meio termo.
“É evidente que há aqui linhas de continuidade, mas também a expressão de personalidade de cada um e também a experiência de vida de cada pessoa também faz com que possa haver diferentes abordagens em determinados assuntos, como é lógico. Portanto, eu diria que é um misto das duas coisas, de continuidade e de inovação, que é isso que se pretende, não é? Tem que haver aqui um trabalho coletivo, de grupo, promovendo união e pontes dentro do Partido Socialista e para fora do Partido Socialista, isso é muito importante, tentando captar gente válida da sociedade civil, abrindo o partido, portanto, a estes cargos políticos também para pessoas que até agora não tiveram ligadas à política, mas incluindo sempre e não excluindo. Portanto, unindo e não partindo, basicamente é isso”, declarou.

ÁUDIO | JOSÉ MANUEL TRINCÃO MARQUES, CANDIDATO PS A TORRES NOVAS:
Questionado sobre Luís Silva, atual vice-presidente do município e que foi também a votos na concelhia do PS para a definição do candidato à presidência da câmara, Trincão Marques elogiou, não só a postura de Luís Silva como o capital politico que detém em prol do partido. O candidato do PS nas eleições autárquicas deste ano deixou ainda uma palavra ao atual presidente, Pedro Ferreira, que está a cumprir o terceiro mandato, e uma mensagem à população torrejana.
“Em relação ao Luís Silva, eu fiz questão… fiquei sentado ao lado dele na reunião da concelhia. Fui o primeiro a cumprimentá-lo e, aliás, nós tivemos uma intervenção de apresentação, chamemos-lhe assim, oral, cada um de nós, e eu fiz questão de o cumprimentar, de elogiar também a postura dele, sempre correta que teve nisto tudo e, portanto, volto a fazê-lo. Cumprimentá-lo, elogiar a postura dele sempre correta que teve para comigo e pronto para aceitar um abraço. Basicamente é isso que eu que eu posso fazer, continua a ser meu amigo, independentemente de termos disputado este lugar, portanto, desejo-lhe felicidades. Basicamente é isso e é um quadro útil no Partido Socialista”, declarou.
“Para a população de Torres Novas dizer que estou motivado, tenho motivação para este projeto, penso que posso ser útil para o nosso concelho. Penso que tenho uma visão estratégica que, em breve, será apresentada. É necessário sangue novo, com motivação, coragem e determinação para fazer estas tais intervenções, para que Torres Novas se constitua uma referência na nossa região e se desenvolva, aproveitando todos os recursos e vantagens comparativas que tem relativamente a outros concelhos”.
Por outro lado, acrescentou, numa declaração sobre o atual presidente, Trincão Marques disse que “Pedro Ferreira é uma referência na política local em Torres Novas, é uma referência para o Partido Socialista, ganhou as eleições com várias maiorias absolutas. É uma pessoa que pode e deve continuar a dar muita coisa a Torres Novas com o seu contributo. É uma referência no associativismo e na área social, da solidariedade social. Uma pessoa com muita proximidade, com uma personalidade calma, sempre dialogante, é também uma inspiração para mim em algumas atitudes que ele tem, de ouvir as pessoas, que é sempre importante ouvir e de estar próximo das pessoas. Nesse aspeto, ele é uma referência para mim. Espero, e tenho a certeza, que ele continuará a dar o contributo dele à sua maneira em Torres Novas”, concluiu.
A Câmara de Torres Novas integra, em resultado das eleições autárquicas de 2021, cinco eleitos do PS, um da coligação PSD/CDS-PP e um do Movimento P’la Nossa Terra, enquanto a Assembleia Municipal tem 18 eleitos socialistas e a coligação Afirmar Torres Novas cinco, tantos quantos os independentes. O BE tem dois assentos e a CDU um.
As eleições autárquicas deverão decorrer entre setembro e outubro de 2025.
