José dos Santos Jesus, mais conhecido por José Bioucas, foi hoje a enterrar, no cemitério do Cabacinho, em Abrantes, perante largas centenas de populares que quiseram dar o seu último adeus a um homem muito estimado na comunidade.

José Bioucas, primeiro presidente da Câmara Municipal de Abrantes eleito democraticamente, entre 1976 e 1990, faleceu na terça-feira, 3 de novembro, aos 87 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória.

Trabalhou em prol do município numa altura em que tudo estava por fazer, desde estradas, a canalizações, esgotos e acesso a eletricidade, e numa época em que Portugal havia acabado de sair da fase de 48 anos de Estado Novo e não havia acesso a fundos comunitários nem se falava ainda da CEE ou de União Europeia.

BIOUCASPB

A data de nascimento oficial é 25 de março de 1928, embora tenha nascido um dia antes da data que conta na certidão. José “Bioucas” sempre foi avesso a falar de política, desde que há mais de 20 anos deixou a governança autárquica. Depois de sair da Câmara, em 1990, dedicou-se exclusivamente ao Centro de Recuperação Infantil de Abrantes (CRIA), instituição que fundou com Lourdes Jorge, de Tramagal.

 

Indefetível apoiante da necessidade da construção de uma nova ponte sobre o Tejo na zona do Tramagal, a bem do desenvolvimento da região, Bioucas foi voluntário nos Bombeiros Municipais de Abrantes, dos 18 aos 60 anos, onde conduzia viaturas e ajudava a apagar incêndios, mesmo depois de já ser autarca.

“A minha postura foi sempre a de ajudar a comunidade”, dizia Bioucas, numa das suas últimas declarações públicas. Hoje a comunidade despediu-se dele, de forma emocionada.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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