OPJ 2026: Município de Vila Nova da Barquinha incentiva participação juvenil. Foto arquivo: CMVNB

A “Jornada de história local: 50 anos de 25 de Abril” vai ter lugar na sexta-feira, 13 de dezembro, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha. O evento, promovido pela Associação de Desenvolvimento Cultural “Palha de Abrantes” e pelo município, tem início às 9h30 e, além da apresentação da edição 44 da revista de história local Zahara, vai contar com um painel de palestrantes onde se incluem os nomes de Carlos Matos Gomes e Francisco Fanhais, naturais da Barquinha.

Com o objetivo de fazer uma reflexão em torno do meio século de liberdade em Portugal, a Jornada conta com a participação de ilustres oradores, com destaque para os naturais de Vila Nova da Barquinha – o escritor Carlos Matos Gomes e o cantor Francisco Fanhais.

Carlos de Matos Gomes, escritor de pseudónimo Carlos Vale Ferraz, é natural de Vila Nova da Barquinha, tendo nascido a 24 de julho de 1946, sendo coronel do Exército hoje na situação de reformado.

Esteve envolvido desde o início na conspiração dos oficiais portugueses que deu origem ao 25 de Abril de 1974. Fez parte da primeira Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães, constituída na Guiné-Bissau no verão de 1973. Fez parte do Grupo de Oficiais que ocupou o poder na Guiné no dia 26 de Abril de 1974. Foi membro da Assembleia do MFA.

Paralelamente à carreira militar, Matos Gomes desenvolve desde 1982 uma continuada atividade literária. Como romancista publicou vários romances entre os quais ‘Nó Cego’ (1982), ‘ASP – De Passo Trocado’ (1984), ‘Soldadó’, (1988); e ‘Os Lobos Não Usam Coleira’ (1995), adaptado ao cinema pelo realizador António-Pedro de Vasconcelos com o título ‘Os Imortais’ (2004).

No cinema foi autor do argumento do filme ‘Portugal SA’, do realizador Ruy Guerra, colaborou com Maria de Medeiros no filme ‘Capitães de Abril’ e com Joaquim Leitão nos filmes ‘Inferno’ e ‘20.13 – Purgatório’, tendo participado ainda na ficção ‘Conta-me Uma História’, de João Botelho.

O ex-sacerdote católico e cantor português de intervenção, Francisco Fanhais, nasceu em Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, a 17 de maio de 1941.

Antifascista, inicialmente sacerdote, teve destacada participação contra a ditadura, sobretudo através da música portuguesa de intervenção. Entrou para o seminário com 10 anos e foi ordenado padre aos 23. Através da música tornou-se uma das mais ativas vozes dos chamados católicos progressistas.

Impedido de cantar, de exercer o sacerdócio e de lecionar nas escolas oficiais, emigrou para França em 1971. Entretanto tornou-se militante da LUAR, força revolucionária liderada por Emídio Guerreiro.

Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974 e colaborou nas campanhas de dinamização cultural do Movimento das Forças Armadas. Em 1975 foi um dos participantes no disco ‘República’ de José Afonso, gravado ao vivo em Itália.

Francisco Fanhais fez da música de intervenção a sua arma. Foi a música de Zeca Afonso que o despertou para a luta. Tocaram juntos e foram amigos. Uma amizade para a vida que a música uniu. E jamais separará. Dos homens que com Zeca Afonso gravaram o ‘Grândola Vila Morena’, em França, é ele o resistente.

PROGRAMA:

09:30 | Abertura

09:45 | Geração D: Carlos Matos Gomes

10:45 | Saúde: Isabel do Carmo, Nelson Baltazar, Alexandre Tomás

12:30 | Momento musical com Francisco Fanhais

14:30 | Paz social: Roque Amaro, Luísa Barbosa Pereira, Rui Tavares

16:30 | Apresentação da revista Zahara n.º 44 e de livros de história local

A entrada é livre.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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