Natural de Alvega, João Paulo Santos cresceu num meio rural marcado pela agricultura de subsistência, contexto que, segundo o próprio, contribuiu para a formação de valores como a solidariedade, a responsabilidade coletiva e a proximidade às pessoas.
Foi durante o serviço militar que despertou o interesse pelo serviço público e pela carreira nas forças de segurança, motivado pela observação do trabalho operacional no terreno, o que o levou a ingressar na Academia Militar com destino à GNR.
Ao longo da carreira, o coronel, agora comandante territorial da GNR de Santarém, passou por vários patamares de comando, com especial destaque para as funções desempenhadas em Ponte de Sor e Abrantes, entre 2003 e 2016, que considera determinantes no seu percurso profissional e pessoal.




“Santarém é um distrito simultaneamente urbano e rural, com forte mobilidade, diversidade territorial e realidades muito distintas, o que exige uma atuação baseada na presença diária, na previsibilidade e na confiança das populações”, afirmou à Lusa o comandante territorial da GNR, que assinala dois meses no cargo.
João Paulo Santos tomou posse a 20 de fevereiro como comandante do Comando Territorial de Santarém da Guarda Nacional Republicana (GNR), sucedendo a Duarte da Graça, assumindo funções numa unidade que já conhecia enquanto 2.º comandante entre 2023 e 2026.




Natural de Alvega, tem 50 anos e ao longo da carreira comandou os destacamentos territoriais de Abrantes e de Ponte de Sor, tendo ainda desempenhado funções no Comando Territorial de Leiria.
No plano operacional, o novo comandante aponta como prioridade a proteção das populações mais vulneráveis, incluindo idosos, vítimas de violência doméstica e crianças, bem como a prevenção da criminalidade e a redução da sinistralidade rodoviária.
“Proteger os mais vulneráveis, servir o interior com proximidade, prevenir a sinistralidade rodoviária e preservar o meio ambiente são prioridades permanentes da nossa atuação”, referiu.

A dimensão territorial do distrito, que conjuga áreas urbanas, rurais, industriais e florestais, obriga, segundo o responsável, a respostas diferenciadas e a uma gestão flexível dos meios.
Essa realidade implica “reforçar o patrulhamento no interior, garantir presença nos principais eixos rodoviários e apostar na fiscalização ambiental em meio florestal e agrícola”, acrescentou.
No que diz respeito à segurança rodoviária, o comandante sublinha o tráfego intenso nas principais vias do distrito, como a A1, A13, A15 e A23, onde considera essencial manter uma presença permanente e fiscalização ativa.
“Temos muitas vítimas por despiste e colisões associadas a ultrapassagens e comportamentos de risco, o que exige uma condução defensiva e uma forte presença da Guarda”, referiu.
Na sinistralidade rodoviária, registaram-se 5.355 acidentes em 2025, mais do que os 5.028 contabilizados em 2024, tendo igualmente aumentado o número de vítimas mortais, de 28 para 30.

A prevenção de incêndios rurais é outra das áreas prioritárias, num distrito com forte componente florestal e agrícola, onde o papel da GNR é descrito como central na vigilância, fiscalização e investigação.
Já os incêndios florestais aumentaram de 342 ocorrências em 2024 para 419 em 2025, tendo sido detidas três pessoas por suspeita de incêndio, quando no ano anterior não houve detenções.
Nesse âmbito, a GNR registou ainda a constituição de cinco arguidos e a identificação de 22 suspeitos em 2025, face a quatro arguidos constituídos e 13 suspeitos identificados em 2024.

O comando territorial integra ainda o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), considerado “um pilar essencial” na proteção dos recursos naturais e no combate aos crimes ambientais.
João Paulo Santos destaca igualmente a importância do policiamento de proximidade, em especial nas zonas rurais e envelhecidas, onde a Guarda desenvolve programas dirigidos a idosos isolados.
“Cuidar dos mais velhos é uma responsabilidade assumida pela instituição perante a sociedade”, afirmou.
O comandante sublinha ainda que a criminalidade no distrito exige atenção constante, com destaque para os crimes contra o património, violência doméstica e tráfico de droga.
Dados da GNR indicam que a criminalidade geral aumentou de 9.471 ocorrências em 2024 para 9.860 em 2025, tendo a criminalidade violenta e grave descido de 232 para 214 casos. Os crimes de violência doméstica também registaram uma descida, de 751 para 700 participações.
“Vivemos uma realidade exigente, onde é fundamental investir na recolha de informação e numa investigação eficiente para que a justiça seja célere”, disse.

João Paulo Santos acrescenta que a gestão dos recursos humanos e operacionais representa um dos principais desafios da liderança distrital, num contexto de elevada exigência e escrutínio público.
“Não podemos deixar uma ocorrência sem resposta, pelo que o desafio passa por estabelecer prioridades e gerir os meios disponíveis de forma eficiente”, concluiu.
c/LUSA
