Sérgio Godinho foi um dos convidados do FALA, em Alcanena. Foto: CMA

À terceira é de vez: depois de duas edições que permitiram perceber a adesão do público a propostas e conceitos diferentes, o FALA – Festival Literário de Alcanena apresenta este ano um programa consolidado que traduz a aposta que o município decidiu fazer, como explicou ao mediotejo.net a vereadora da Cultura, Marlene Carvalho, no primeiro de quatro dias deste evento cultural.

Um dos pontos diferenciadores deste festival literário é o cruzamento da literatura com outras expressões artísticas que possam entrar em “diálogo” com os livros, desde a ilustração à música, teatro ou dança.

A vereadora da Cultura, Marlene Carvalho, com João Morales, um dos dinamizadores do FALA. Foto: CMA

Até domingo, 16 de junho, serão promovidos mais de uma dezena de encontros com escritores, sessões de contos, oficinas de ilustração, laboratórios de escrita, caminhadas literárias, palestras, conversas com tiktokers, instagrammers e youtubers, teatro de rua, exposições, feira do livro e animação infantil e musical, entre outras atividades.

Com uma programação muito eclética – “este é um festival para todos”, como frisa Marlene Carvalho – o FALA decorre maioritariamente na Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira e no Jardim das Lagoas. Na área exterior envolvente, além da feira do livro e diferentes zonas de “chill out”, há pela primeira vez seis “barraquinhas” gastronómicas, exploradas por associações do concelho.

Nesta terceira edição, o orçamento do FALA fixou-se em cerca de 30 mil euros, integrando iniciativas dos 50 anos do 25 de Abril e criando um “cartaz mais ambicioso”, como explica Marlene Carvalho, que inclui a gravação ao vivo do “Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer”, com Carlos Vaz Marques, João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira.

Nas muitas sessões que preenchem os quatro dias de FALA, destacam-se figuras como André Carrilho, Hugo Gonçalves, Nuno Saraiva ou Sérgio Godinho.

Hugo Gonçalves (sábado, 19h00) foi guionista da série Rabo de Peixe, da Netflix e o seu romance “Revolução”, que acompanha um drama familiar desde o fim do Estado Novo até ao PREC, foi considerado por Miguel Real, crítico do Jornal de Letras, como um dos melhores romances de 2023. Antes, o seu “Deus Pátria Família” foi semifinalista do prémio Oceanos, e “Filho da mãe” finalista dos prémios P.E.N. Clube e Fernando Namora.

O município espera este ano uma afluência “acima das 3 000 pessoas” durante os quatro dias de festival, entre público da região e amantes dos livros que chegam de outros pontos do país.

André Carrilho, um dos mais conceituados cartunistas nacionais e ilustrador de vários livros infantis e históricos, inaugura no FALA a exposição “Impressões”. É colaborador regular de publicações como a New Yorker e Vanity Fair, e entre as dezenas de prémios que já recebeu figuram o Grande Prémio do World Press Cartoon e o Gold Award pela Society for News Design.

O FALA foi criado em 2022, no âmbito da estratégia de desenvolvimento económico apresentada pelo atual executivo, visando reforçar “literacias e hábitos de consumo de cultura”, valorizar a “identidade cultural do território” e “criar novos públicos”, em diferentes idades. O envolvimento com a comunidade escolar é assumido como “fundamental” e determinou a data do festival: em junho, no final do ano letivo.

Tendo sempre a preocupação de “olhar para dentro”, entusiasmando aqueles que vivem em Alcanena e promovendo autores locais, o FALA ambiciona também ser olhado (e reconhecido) de fora. Marlene Carvalho diz que este festival foi pensado para funcionar como um “fator de atractividade”, para que “mais pessoas queiram visitar Alcanena nesta altura e tenham razões para ficar mais dias”.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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