Com a mente de todos os portugueses ocupada com o problema do Coronavírus torna-se secundário tudo o que não seja apelar ao respeito pelas instruções das autoridades de saúde, seguir as recomendações e não desvalorizar as consequências desta epidemia. Eliminar este vírus é uma responsabilidade, sim, das autoridades, mas sem o empenho de todos e o cumprimento escrupuloso das recomendações dadas, tudo será mais lento, mais difícil e mais doloroso.
Por outro lado, é impossível não verificar que, apesar de há quase 3 meses ouvimos falar deste perigo, as autoridades não tenham preparado com maior cuidado a crise que agora chegou.
Se num momento destes é impossível garantir que tudo corra bem, e sabendo que algumas medidas só podem ser tomadas em cima da hora, é estranho que não se tenham logo acautelado questões como formação de profissionais, reserva de equipamentos de proteção ou mesmo a pré-preparação de hospitais civis e militares para qualquer eventualidade. Não faz sentido ver hospitais desesperados a comprar equipamentos especiais de pintores para que os seus médicos possam atuar em segurança.
Há consequências que são inevitáveis mas há outras que eram perfeitamente evitáveis. Como se explica que seja agora, em cima da hora, que se apresse formação de enfermeiros para ajudar na Linha de Saúde24? Por precaução isso não deveria estar já feito para o caso de vir a ser necessário?
É nestes momentos que precisamos de lideranças fortes e de sangue frio. Este é um daqueles momentos em que mais vale pecar por excesso de zelo do que por irresponsabilidade.
O medo de tomar medidas mais drásticas permite a irresponsabilidade das pessoas e pode levar a consequências mais dramáticas para todos. O Governo e as autoridades têm e terão a solidariedade quer das pessoas quer dos partidos para aprovarem as medidas que forem necessárias, desde que exista uma ação transparente e de verdade.
