Apresentação pública do CTeSP em Energias Renováveis, que decorreu na ESTA, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

O curso foi apresentado publicamente na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes na quarta-feira, 24 de janeiro, momento em que Cecília Batista, diretora da Escola Superior de Tecnologia de Tomar (ESTT), explicou ao mediotejo.net que se trata de um curso com a duração de dois anos, “que vem na linha profissionalizante”, dando sequência ao ensino profissional.

“É um curso que se compõe em quatro semestres, três que são de aulas e um semestre de formação em contexto de trabalho. Fundamentalmente é isto que vai acontecer, um conjunto de disciplinas, algumas de caráter mais genérico, formação geral e científica, e depois há também um conjunto de disciplinas técnicas. No final, teremos a formação em contexto de trabalho”, indicou.

O Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP), confere uma Qualificação Profissional de Nível V, que dá acesso via concurso interno a diversas Licenciaturas do IPT (dispensando a candidatura ao Concurso Nacional de Acesso). Os diplomados poderão ingressar em diversas licenciaturas do IPT “por esta via, sem passar pelo Concurso Nacional de Acesso. No final do CTeSP podem ingressar num curso de licenciatura com um concurso especial”, deu conta Cecília Batista.

Cecília Batista, diretora da Escola Superior de Tecnologia de Tomar (ESTT). Foto: mediotejo.net

“Não confere grau, mas confere um diploma. As pessoas que terminarem com aproveitamento, recebem um diploma que os habilita a ter uma profissão numa dada área específica, neste caso, nesta área emergente que é a das energias renováveis”, referiu a diretora da ESTT.

Mário Gomes é docente do IPT e o coordenador desta formação que pretende entrar em funcionamento já no início do próximo mês. Sobre a importância do CTeSP, disse que as energias renováveis são uma “área emergente” e de “muita importância no contexto atual, dado que é necessário fazer a transição energética”.

ÁUDIO | Cecília Batista, diretora da ESTT

“Estamos aqui a falar de uma mudança de paradigma. O paradigma tradicional consiste em energias baseadas em combustíveis fósseis, mas é necessário mudar cada vez mais para a utilização de energias renováveis e, principalmente, ao nível da eletrificação da atividade económica”, explicou.

A formação do IPT irá focar a produção de eletricidade através de energia solar e através da energia eólica. Ao nível da energia solar, será feito um destaque para a tecnologia dos sistemas fotovoltaicos, enquanto ao nível dos sistemas eólicos, irá ser abordada a tecnologia de aerogeradores de eixo horizontal.

Foto: mediotejo.net

“Juntamente com as energias renováveis, a produção de eletricidade a partir destas principais fontes de energia tem uma unidade curricular que é complementar a estas e é essencial, que são os sistemas de armazenamento de energia elétrica, por forma a criar aqui uma harmonia em todo o setor”, sublinha o docente.

Os diplomados irão adquirir competências ao nível dos sistemas fotovoltaicos, em termos de planeamento, de apoio ao projeto de sistemas fotovoltaicos e ao nível da execução e instalação dos mesmos.

“Do mesmo modo, ao nível das energias eólicas, colocação de aerogeradores, instalação, planeamento, assistência ao projeto e, obviamente, que depois na fase de operação e exploração dessas instalações”, afirmou Mário Gomes.

ÁUDIO | Mário Gomes, diretor do CTeSP em Energias Renováveis

O CTeSP em energias renováveis conta ainda com a componente da manutenção, integrando uma unidade curricular que irá focar a manutenção dos equipamentos e sistemas de energias renováveis. “Porque é importante, para manter os equipamentos a funcionar ao longo do tempo de vida útil”, justifica o diretor do curso.

Ao nível das principais diferenças entre os cursos profissionais e um CTeSP, Mário Gomes afirma que este último é um curso de Ensino Superior e, por isso, está presente uma “componente técnico-científica bastante significativa”.

Mário Gomes é docente do IPT e o coordenador do CTeSP. Foto: mediotejo.net

“Há de ter as disciplinas das matemáticas, das físicas, uma forte componente na área da eletrotecnia e depois todas aquelas quatro ou cinco disciplinas nucleares em torno das energias renováveis”. Com o CTeSP em energias renováveis, o IPT espera dotar os diplomados com as competências necessárias para planear, conceber, ajudar ao projeto, assistir na execução e instalação e depois na operação e exploração destes sistemas de energias renováveis”, concluiu Mário Gomes.

Dado tratar-se de um curso financiado pelo PRR, os diplomados terão direito a bolsas de mérito após a conclusão do curso, de acordo com o respetivo Regulamento de atribuição de bolsas.

“O PRR, que tem sido uma ferramenta muito importante no contexto europeu e nacional de alguma forma, neste caso em concreto da formação, materializa-se no apoio que nós IPT recebemos para colocar de pé este conjunto de formações”, explicou João Patrício, pró-presidente do IPT.

ÁUDIO | João Patrício, pró-presidente do IPT

Assim, o CTeSP em energias renováveis contempla um apoio que se traduz na concessão de bolsas de mérito após a conclusão do curso. “São bolsas visando o incentivo à conclusão, dirigidas aos diplomados, bolsas estas que cobrem o montante das propinas, (…) na casa dos 600 euros por ano”, afirma.

Para além do valor das propinas anuais se encontrar coberto, a formação do IPT conta ainda com um incentivo específico, dirigido às diplomadas do sexo feminino.

João Patrício, pró-presidente do IPT. Foto: mediotejo.net

“Uma vez que a União Europeia constatou que há poucas mulheres nestas áreas mais tecnológicas, há um incentivo adicional para estudantes do sexo feminino que preencham determinadas condições, nomeadamente terem um aproveitamento de relevo e que se reveste num apoio adicional que corresponde ao pagamento de uma terceira propina”, destaca João Patrício.

O apoio por parte do PRR cinge-se a esta edição, que terminará no ano de 2025 sendo, por isso, a última a ser coberta pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

A componente pedagócia desenvolve-se ao longo de 3 semestres, com formação em contexto de aula e em laboratório. Além disso, estão ainda previstas visitas às empresas do setor, destacando-se a parceria com a Endesa e que possibilitará “um trabalho forte de campo. Podemos deslocar-nos a vários locais que estejam a ser preparados para a produção de energias renováveis”, sublinha Cecília Batista.

A Endesa, enquanto parceira, irá proporcionar a possibilidade de realização de “um número significativo” de estágios nos seus parques.

Foto: mediotejo.net

Ana Carreto, responsável pela área da sustentabilidade e economia circular da Endesa Geração Portugal, sublinha que esta parceria é “muito importante” para a empresa, na medida em que corresponde a “mais uma forma de capacitar as pessoas locais para tudo o que é referente às energias renováveis”.

“A transição energética pela qual estamos a passar é muito importante e temos poucas pessoas qualificadas, tanto na região quer a nível nacional como a nível europeu ou mundial, porque estamos em transição energética e há todo um processo de requalificação de pessoas e de capacitação de pessoas”, destaca.

ÁUDIO | Ana Careto, sustentabilidade e economia circular da Endesa Geração Portugal

Marcando agora presença na região do Médio Tejo, a Endesa afirma que “faz todo o sentido” capacitar pessoas da região para desenvolverem a sua atividade profissional nesta área.

Desta forma, a Endesa associou-se ao IPT, não só na elaboração daquilo que são os conteúdos programáticos do curso, como também através do compromisso de “proporcionar a maioria dos estágios que estão inerentes ao curso em si”.

“O curso tem dois anos, os timings estão alinhados com aquilo que será o projeto da Endesa e teremos aqui a possibilidade de integrar pessoas formadas já com algum conhecimento, nas atividades que a Endesa irá desenvolver, enquanto estagiários e depois proporcionar-lhes ao nível de emprego. Não só diretamente na Endesa, mas também teremos muitos fornecedores com os quais iremos trabalhar e que vão precisar de pessoas qualificadas na região, porque será uma mais-valia para a região se o tivermos”, destaca.

Ana Carreto, responsável pela área da sustentabilidade e economia circular da Endesa Geração Portugal. Foto: mediotejo.net

Para Ana Carreto, este é um curso abrangente não só ao “nível das temáticas que a Endesa irá palicar”, mas também pelo facto de abranger “todas as temáticas” das energias renováveis. “As pessoas ficarão qualificadas não só a trabalhar em parques renováveis, mas também a exercer outras atividades associadas às energias renováveis”, acrescenta.

O CTeSP do IPT vem complementar a atual oferta da Escola Rural de Energia, que compreende cursos “mais pequenos e específicos”, direcionados na área dos “fotovoltaicos, operação e controlo”.
A responsável pela área da sustentabilidade e economia circular da Endesa apelou a que os interessados se inscrevam, lembrando que ainda existem vagas disponíveis e sublinhando que estes diplomados “irão ser necessários” em 2025, data em que será concluído o CTeSP.

Podem inscrever-se todas as pessoas que possuam uma das seguintes qualificações: curso de ensino secundário ou de habilitação legalmente equivalente; curso de ensino secundário profissional de Nível IV; diploma de especialização tecnológica (CET); grau de ensino superior que pretenda a sua requalificação profissional; candidatos que tenham sido aprovados nas provas especialmente adequadas destinadas a avaliar a capacidade para frequência do ensino superior dos maiores de 23 anos.

A parte letiva é composta por 708 horas presenciais e 640 horas de formação em contexto de trabalho (estágio). As candidaturas são efetuadas online através do portal de candidaturas do IPT, AQUI e terminam a 27 de janeiro de 2024.

Foto: mediotejo.net

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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1 Comment

  1. E Abrantes mais uma vez a perder. Se a central era em Abrantes, se a perda de postos de trabalho fez-se sentir com mais acuidade no concelho de Abrantes e mais uma série de situações que no poderíamos elencar, não seria lógico que este curso fosse alocado à ESTA? Ou esta entidade só serviu para assinarem os protocolos como se o curso ficasse em Abrantes. E o que diz a isto a Câmara Municipal de Abrantes?

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