Arrancou esta quinta-feira, em Ourém, mais uma edição do Fórum Social, iniciativa promovida pela Câmara Municipal e que durante dois dias reúne profissionais, entidades públicas e privadas e especialistas das áreas social e da saúde para debater estratégias de intervenção comunitária e combate à violência.
Na sessão de abertura, Humberto Antunes, vereador com o pelouro da Ação Social e Saúde, manifestou a “enorme satisfação” pelo início dos trabalhos e pela presença de várias entidades locais, tendo destacado que o Fórum Social representa o compromisso do município com “uma intervenção social sólida e inovadora”, sustentada no conhecimento das necessidades reais da comunidade.
Numa intervenção marcada pela preocupação com os desafios atuais, lembrou que o concelho enfrenta problemas “cada vez mais complexos”, como dificuldades económicas, envelhecimento populacional, crise habitacional, solidão e novos fluxos migratórios.

Face a este cenário, defendeu que só uma intervenção “consciente, eficaz e articulada entre todos os intervenientes, públicos e privados” permitirá manter a coesão social e proteger as populações mais vulneráveis. Sublinhou ainda a importância da proximidade ao território e da articulação diária entre a autarquia e as entidades locais.
O vereador classificou o Fórum Social de Ourém como “peça fundamental” para reforçar a reflexão, o debate e a aprendizagem conjunta, consolidando a intervenção social enquanto pilar do desenvolvimento local.
No final da sua intervenção, deixou ainda uma palavra a todos os profissionais que trabalham diariamente no cuidado e proteção da população, afirmando que o encontro deverá ser “inspirador” e contribuir para a identificação de novas respostas sociais.




A primeira intervenção do Fórum Social de Ourém foi dedicada ao tema “O trabalho da Ordem dos Assistentes Sociais”, apresentada por Ana Sofia Branco, membro da Direção da Ordem. A oradora começou por contextualizar o processo de criação da entidade reguladora, sublinhando que a implementação da Ordem dos Assistentes Sociais resultou de “20 anos de trabalho e perseverança” de várias gerações de profissionais, culminando na tomada de posse há cerca de um ano.
Ana Sofia Branco explicou que a Ordem assume como missão central garantir a qualidade técnica, ética e deontológica da profissão, ao mesmo tempo que procura valorizar o papel dos assistentes sociais nos vários contextos de intervenção.

Durante a sessão, destacou que o trabalho diário destes profissionais promove o bem-estar, assegurando o acesso das pessoas aos seus direitos, serviços e políticas públicas, contribuindo assim para a segurança, a coesão social e o sentimento de pertença na comunidade.
De acordo com a oradora, a intervenção dos assistentes sociais é fundamental para garantir acesso a serviços, promover reconhecimento social, combater o isolamento e fomentar a participação na comunidade, incluindo na saúde mental e na promoção de estilos de vida saudáveis.
Ana Sofia Branco apontou ainda que a Ordem tem vindo a consolidar o seu papel regulador, trabalhando na acreditação de formação, na elaboração de referenciais de intervenção em áreas como saúde mental, migrações, habitação ou infância e juventude, e na emissão de pareceres sobre medidas políticas com impacto social.


Quanto ao futuro, a oradora destacou como prioridade reforçar a participação dos assistentes sociais na definição de políticas públicas e aprofundar metodologias colaborativas e inovação social. Reconheceu também o isolamento que muitos profissionais enfrentam nas suas organizações, defendendo que a Ordem deverá ser um espaço de apoio, partilha e reflexão sobre um trabalho que “mexe profundamente com a dimensão humana e ética” de quem o exerce.
A intervenção terminou com um apelo à valorização do conhecimento produzido no terreno, defendendo que o saber acumulado pelos assistentes sociais merece ser traduzido em produção científica e reconhecido pela sociedade.
Seguiram-se intervenções de Sónia Guadalupe, da Universidade de Coimbra e de Katiuska Cruz, do Politécnico de Leiria. A tarde contou com a presença de Paula Carloto de Castro, Diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Santarém, e da equipa da Fundação Manuel Violante – Programa Miles.

O programa do Fórum Social prossegue amanhã, dia 28 de novembro, sendo dedicado ao tema da violência doméstica, com a abertura a cargo de um vereador da autarquia e de Patrícia Ferreira, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
Ao longo do dia, serão realizados vários painéis temáticos, incluindo testemunhos em primeira pessoa e reflexões sobre o impacto da violência doméstica nas famílias, com intervenções de Renata Benavente (Câmara Municipal de Almada), Ana Carla Gonçalves e Patrícia Calado, ambas assistentes sociais da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica.
Durante a tarde, serão ainda debatidos os processos de análise retrospetiva de homicídio em contexto de violência doméstica e a intervenção em rede, com contributos de Ana Caetano e Susana Mota (EARHVD) e de entidades parceiras da Rede Local de Intervenção em Violência Doméstica de Ourém (RLIVVD).
