No próximo dia 22 de maio, o Salão Nobre dos Paços do Concelho de Tomar acolhe a iniciativa “Internacionalizar a partir de Tomar”, promovida pela NERSANT, em parceria com o Município de Tomar e o Instituto Politécnico de Tomar. Este evento representa um exemplo concreto de cooperação institucional e uma aposta clara numa abordagem integrada à internacionalização empresarial, aliando os recursos do poder local, a capacidade técnica e científica do meio académico e as redes da associação empresarial regional do Ribatejo.
Este contexto ganha particular relevância num momento em que o estatuto PME Líder 2024, atribuído pelo IAPMEI, distinguiu 13 394 empresas em todo o país, das quais 260 pertencem à região do Médio Tejo. Estes números são um reflexo claro do dinamismo, da resiliência e do potencial de crescimento do tecido empresarial regional.
Mas, mais do que um motivo de celebração, este reconhecimento deve servir de impulso para uma reflexão estratégica mais ampla: como pode o Médio Tejo transformar este dinamismo em ambição internacional?
O Estatuto PME Líder, criado pelo IAPMEI, distingue empresas com solidez financeira, capacidade de inovação e desempenho económico acima da média. Este selo de reputação empresarial oferece vantagens competitivas significativas para as empresas reconhecidas. Num país com a dimensão de Portugal, a internacionalização das empresas não é apenas uma opção, mas uma necessidade estratégica para garantir crescimento sustentado, diversificação de mercados e resistência a choques externos.
O Médio Tejo, com a sua forte tradição industrial, localização estratégica privilegiada e recursos humanos qualificados, está, em minha opinião, bem posicionado para se afirmar como um polo dinamizador da internacionalização na região Centro.
De acordo com os dados apresentados pelo IAPMEI, na região do Médio Tejo a maioria das empresas distinguidas são de pequena dimensão, seguindo a tendência nacional, onde 71,9% das PME Líder são pequenas empresas. Apesar da sua escala, estas organizações demonstram um potencial notável para crescimento e expansão internacional. O acesso a condições preferenciais de financiamento, a uma rede de serviços especializados e ao prestígio associado ao selo PME Líder constitui ferramentas essenciais para impulsionar o salto qualitativo rumo à internacionalização.
Mais do que um motivo de celebração, este reconhecimento deve servir de impulso para uma reflexão estratégica mais ampla: como pode o Médio Tejo transformar este dinamismo em ambição internacional?
Rui Serrano
A nível regional, os apoios à internacionalização, tanto nacionais como locais, bem como as redes de cooperação já existentes com o Instituto Politécnico de Tomar e a NERSANT, criam um ecossistema favorável para que as empresas possam ambicionar ir mais além. Um exemplo concreto é a recente candidatura “Médio Tejo + Internacional”, submetida pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo em copromoção com a NERSANT ao programa Centro 2030, evidenciando o compromisso regional com este objetivo estratégico.
Contudo, o potencial das empresas do Médio Tejo só poderá ser plenamente realizado se existirem condições físicas adequadas para a sua instalação e expansão. A disponibilidade de espaços empresariais modernos, bem equipados e estrategicamente localizados é um fator determinante para atrair investimento e reter talento.
Neste momento, vários municípios da região estão a avançar com projetos ambiciosos neste domínio: Alcanena prepara-se para lançar uma empreitada de 6,3 milhões de euros para a infra-estruturação do seu novo Parque Empresarial, que contará com 140 hectares e 56 lotes; Ourém vai avançar com a ampliação da Zona Industrial de Caxarias, num investimento de cerca de 2,1 milhões de euros, criando mais 19 lotes empresariais; Abrantes, através da Zona Livre Tecnológica (ZLT), procura reinventar a zona industrial do Pego, apostando nas energias renováveis após o encerramento da central a carvão. Já no caso de Tomar, o actual Parque Empresarial já não responde às necessidades do tecido empresarial, estando previsto, no novo PDM, o avanço de uma nova área de atividades económicas na Asseiceira. Em suma, sem estas infraestruturas implementadas, existe o risco de ver projetos e talento a deslocalizarem-se para regiões com maior capacidade de resposta.
Estas novas áreas industriais e empresariais serão determinantes para responder à crescente procura de terrenos infraestruturados, permitindo a instalação de novos projetos e criando condições para que o Médio Tejo se afirme como um verdadeiro polo de atração de investimento.
Internacionalizar exige visão estratégica, capacidade de adaptação e uma forte cooperação entre empresários, autarquias e entidades regionais. O poder local deve continuar a criar condições para atrair investimento, apoiar a qualificação dos recursos humanos e facilitar o acesso a incentivos. Por seu lado, os empresários devem encarar a internacionalização como um desígnio coletivo, apostando na qualidade, na inovação e na diferenciação como fatores competitivos essenciais.
O verdadeiro desafio, no futuro próximo, passa por transformar o dinamismo local numa presença global consistente, tirando partido dos apoios existentes, das redes de cooperação consolidadas e do conhecimento acumulado na região. Para tal, é essencial garantir infraestruturas de qualidade que permitam às empresas crescer com ambição e posicionar o Médio Tejo como um dos motores económicos da região Centro, nestes tempos de crescente incerteza global.
