Em causa está a Rua Sacadura Cabral, no centro histórico de Tomar. Foto: Google Maps (2014)

A interrupção do trânsito na Rua Sacadura Cabral, no centro histórico de Tomar, foi motivo de discórdia entre a vereação da oposição (PSD) e o atual executivo (PS), tendo a vereadora Lurdes Ferromau Fernandes (PSD) criticado o facto da maioria socialista não ter ouvido as pessoas residentes nem as ter informado. Os vereadores do PSD apresentaram também na reunião de executivo uma proposta de Programa Municipal de Desfibrilhação, a ser debatida na próxima reunião de 30 de maio.

Em causa está a interrupção do trânsito na Rua Sacadura Cabral – às sextas-feiras (19h-24h), sábados (12h-24h) e domingos (12h-24h), “em virtude da vontade de revitalizar o comércio da zona histórica”, conforme se constata em edital datado de 6 de maio de 2022 – assunto levado a reunião de Câmara, na segunda-feira, dia 16 de maio, pela vereadora Lurdes Ferromau Fernandes que afirmou que algumas pessoas “tiveram a surpresa desagradável” de ver a rua ter sido interditada ao trânsito.

“Os vereadores do PSD desde sempre defenderam a relação de proximidade com o cidadão, com o munícipe, como a atitude mais nobre do poder autárquico. Consideram que mau foi não terem ouvido as pessoas residentes na respetiva rua, pior foi as pessoas residentes nessa mesma rua não terem sido informadas e baterem literalmente com o nariz na grade, porque o edital é do dia 6 de abril e a interdição é desse mesmo dia, a partir das 19 horas”, apontou a edil.

Intervenção de Lurdes Ferro Mau Fernandes (PSD).

A autarca disse ainda que a vereação afeta ao PSD discorda “totalmente com estas atitudes que são tomadas pelo executivo, de forma unilateral e sem diálogo por aquilo que nos foi referido”, apontando que desta forma se constata que o executivo “está de costas voltadas para o cidadão”. A edil defendeu ainda que, se o objetivo é a revitalização do centro histórico, “deveria haver um plano que fosse conhecido e que pudesse receber contributos”.

Em resposta, Hugo Cristóvão (PS), vereador e vice-presidente da autarquia que presidiu à reunião tendo em conta a ausência de Anabela Freitas, começou por dizer que “era importante perceber” se os vereadores são a favor ou contra a medida.

O vereador socialista afirmou depois que a transição para pedonal de mais ruas no centro histórico da cidade constava do programa sufragado pelos tomarenses, “como é aliás o caminho natural não só do nosso centro histórico mas da generalidade dos centros históricos, um caminho que já vem sendo seguido e que em bom rigor até começou antes desta governação”, disse Cristóvão.

Resposta de Hugo Cristóvão (PS).

“A vivência numa cidade e particularmente num centro histórico é assim também, há sempre muitas opiniões contrárias, não se consegue agradar a toda a gente”, afirmou o autarca que concedeu que a medida pode sempre ser revista até porque está em causa apenas a colocação de uma grade durante os dias de interdição, não estando previstas outras alterações físicas como as que o executivo pretende vir a fazer na Rua Infantaria 15, adiantou, referindo que no entanto estas “ainda estão longe no horizonte”.

Sobre a elaboração de um plano Hugo Cristóvão defendeu que a cidade é “uma entidade viva, nomeadamente a nível do seu comércio”, com comércios a abrir e a fechar, pelo que “não faria sentido” fechar ruas onde não existisse essa necessidade por parte dos estabelecimentos comerciais nesse local, exemplificou o vereador, dizendo que a ideia é portanto “ir-se avaliando à medida que a necessidade se impõe, ou pelo menos é solicitada”.

“Portanto isto tem de facto a ver com o dinamismo do comércio, e por muito que nos custe – e eu percebo claramente a questão dos moradores – mas não há centro histórico sem vida comercial, sem pessoas que venham ao comércio, e nomeadamente sem realmente as muito desejadas esplanadas que é aquilo que cada vez mais os tomarenses e aqueles que nos visitam desejam”, afirmou o vice-presidente tomarense em jeito de conclusão, fazendo ainda menção às questões relacionadas com a Proteção Civil, “porque essa sim é algo que tem de estar acima de tudo o resto”, defendeu.

A vereação do PSD quer implementar um Programa Municipal de Desfibrilhação no concelho tomarense. Foto: DR

Ainda durante a reunião camarária, também o vereador Tiago Carrão (PSD) fez uso da palavra para apresentar sucintamente a proposta do Partido Social Democrata de Tomar para a implementação de um Programa Municipal de Desfibrilhação.

Conforme a proposta a que o mediotejo.net teve acesso, esta assenta em três eixos: na instalação de uma rede municipal de Desfibrilhadores Automáticos Externos (DAE) – em locais com grande afluência de pessoas (equipamentos municipais, escolas), locais de alto risco (equipamentos desportivos, unidades de saúde), ou Juntas de Freguesia e outros espaços públicos – na formação de pessoas em Suporte Básico de Vida e em Desfibrilhação Automática Externa e em campanhas de sensibilização e informação sobre a reanimação e uso de Desfibrilhador Automático Externo.

A importância desta medida reforça-se se se tiver em conta que “após uma paragem cardiorrespiratória, todos os minutos contam: por cada minuto que passa sem manobra de Suporte Básico de Vida (SBV) e
desfibrilhação, a hipótese de sobrevivência diminui 7 a 10%”, pode ser-se no documento, dados também referidos por Tiago Carrão.

A proposta vai ser efetivamente discutida na próxima reunião de Câmara, a 30 de maio.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comment

  1. Tou certo k na festa dos tabuleiros a vida do centro histórico, leia-se o comércio, esplanadas e monumentos segundo o PS, estão mais k dispostos a decorar as ruas e fazer todo o trabalho necessário.

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