O Instituto Politécnico de Tomar (IPT) está a assinalar em 2016 os seus 30 anos de existência pelo que Eugénio Pina de Almeida, presidente da instituição, aproveitou a cerimónia de Abertura Solene do Ano Letivo 2016/2017, para fazer um balanço daqueles que foram os sucessos mas também os desafios da instituição.
A sessão, realizada esta quarta-feira, 16 de novembro, contou com a presença de diversos convidados, entre os quais alguns autarcas da região.

Eugénio Pina de Almeida referiu que houve quem gracejasse consigo com o facto de começar todos os discursos, em cerimónias solenes, com a frase categórica “vivemos tempos de mudança ou o mundo está a mudar” para depois detalhar. “Não só vivemos tempos de mudança como também a própria mudança está a mudar”, referiu, numa alusão à eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.
“A transformação que iniciamos no IPT alertou a maior parte de nós para uma Era de incerteza que já estamos a viver. Por isso, o IPT transformou a sua estrutura, renovou e adequou a sua oferta formativa ou criado redes de cooperação com agentes da região. Temos que começar a reflectir, já, sobre o que está a acontecer à nossa volta e os seus reflexos nos próximos 30 anos no Instituto Politécnico de Tomar”, frisou.

Eugénio Pina de Almeida identificou não só os sucessos dos últimos 30 anos de atividade como também aquelas que foram as principais ameaças e desafios: “em meados de 2005/2006, o efeito combinado da evolução negativa da demografia, da estagnação económica e da política educativa para o ensino superior de então, colocam os primeiros grandes desafios aos pequenos e médios institutos politécnicos do interior do país que são confrontados, subitamente, com a diminuição do número de alunos e a manter as estruturas físicas e humanas rígidas construídas a pensar em mais alunos”.

O responsável referiu que, por ser um dos Institutos Politécnicos mais pequenos, foi um dos que mais cedo e mais fortemente sofreu as consequências destas transformações estruturais.
“O Instituto Politécnico de Tomar foi dos primeiros a procurar adaptar-se em conformidade. E fê-lo apostando em novas ofertas formativas, alterando a sua estrutura de gestão, criando uma rede de formação tecnológica regional e ficando a pertencer ao primeiro grupo de instituições de ensino superior que criaram os TESP – Curso de Técnico Superior Profissional”, enumerou.
Para Eugénio de Almeida, todas estas acções foram conduzidas a pensar num objectivo: preservar a matriz politécnica, ou seja, defender o conjunto de características que diferenciam o ensino praticado nos institutos politécnicos daquele que é o ensino das universidades.
“Tem uma dimensão mais humana, é um ensino mais profissionalizado, com uma orientação de oferta formativa que serve os empregadores da região, nas áreas em que o IPT consegue ser excelente”, defendeu.
Augusto Mateus proferiu a alocução “Desafios de uma Instituição de Ensino Superior na terceira década do século XXI – contributos para uma renovação estratégica do IPT”, tendo realçado que é necessário que a instituição seja “pragmática” neste momento de viragem que coincide com os seus primeiros 30 anos. “Penso que estamos perante um fim de ciclo. E os próximos trinta serão mais difíceis e menos conhecidos”, disse.

Na ocasião foi ainda anunciada a chegada de 50 alunos na próxima semana provenientes da República do Congo, na sequência de um protocolo que foi estabelecido entre o IPT e aquele país. Os alunos, indicou Gil Galacho (representante do Ministro do Ensino Técnico e Profissional, da Formação Qualificante e do Emprego da República do Congo) só ainda não chegaram porque tiveram problemas com a obtenção do visto.
Foi ainda referido por Liliana Francisco, aluna da instituição, que no segundo semestre do passado ano letivo, se avançou com a fusão das duas associações de estudantes (Escolas Superior de Tecnologia e Escola Superior de Gestão) numa única: a União Associativa de Estudantes da Instituição. A cerimónia terminou com uma homenagem aos colaboradores com 25 anos de serviço ao IPT.
Fundado em outubro de 1986, o Instituto Politécnico de Tomar – com campus em Tomar e Abrantes e várias unidades de formação em diversos concelhos do Médio Tejo – agrega cerca de 2 mil alunos e 350 funcionários, entre corpo docente e não docente.
