Nascemos em Portugal mas qualquer um de nós podia ter nascido noutro lado qualquer. Confesso que não tenho certeza no rigor científico desta afirmação, mas em teoria, ela não deixa de fazer sentido.
Vem isto a propósito da violência que tem entrado pelas nossas televisões vindas de Ghouta e que não pode deixar indiferente o ser humano menos sensível.
Nós que nascemos cá e que temos a sorte de não ter nascido lá, percebemos que felizmente não é connosco e sentimo-nos relativamente seguros porque o “inferno na terra” está suficientemente longe para nos poder preocupar.
É assim que pensa a maioria de nós, esquecendo que todos aqueles inocentes que hoje sofrem de forma desumana não pediram para nascer lá e sem perceberem porquê, são vítimas da ganância, do egoísmo e da cobardia humanas.
Não consigo imaginar o sofrimento daquelas pessoas nem consigo imaginar a vida daquelas pessoas… e em bom rigor, talvez seja um exagero chamar vida a algo que provavelmente não existe.
Pode não parecer, mas estamos em pleno século XXI e eu continuo sem conseguir perceber o que se está a passar pois há muito que se ultrapassou o limite da guerra para se entrar no campo do massacre.
Sim, é um massacre o que está a acontecer na Síria. A brutalidade das fotos publicadas na Time Magazine comprovam-no. Um massacre com responsabilidades coletivas. De quem está por trás das armas e de todos quantos permitem que continuem por trás das armas a destruir uma cidade e a matar inocentes.
Já estou farto dos discursos politicamente corretos, dos ultimatos que deixam tudo na mesma e das diplomacias que nada resolvem. E enquanto se continua a perder tempo… em Ghouta continuam a perder-se vidas.
Assistimos placidamente a uma repetição do que se passou em Homs, em Dabiq, em Aleppo e em tantas outras cidades daquela região do mundo.
Há limites para o sofrimento humano e devia haver limites para a hipocrisia humana. A história recente diz-nos o contrário. Deixou de haver limites para um e começo a ter dúvida que alguma vez tivesse havido limites para a outra.
