Na tarde de 10 de agosto, quinta-feira, dezenas de moradores ocuparam as ruas da aldeia de Paúl, Abrantes, com um olho no evoluir das chamas e o outro nas suas habitações. Viaturas de combate do Corpo de Bombeiros, máquinas de rasto, viaturas do exército, meios aéreos e sapadores florestais trabalhavam para tentar defender as moradias e a população.

No caminho da Chainça, uma das aldeias do concelho de Abrantes, até Paúl, várias viaturas estavam paradas nas laterais das vias. Os seus condutores observavam o fumo e as labaredas, que roubavam a cena, no meio da vasta floresta. Com ar de preocupação e a fazer comentários sobre como se poderia ter prevenido e não deixado o fogo chegar a tamanha proporção, a quantidade de pessoas só aumentava para observar.

Um habitante da aldeia de Paúl, exclamou: “Eu nunca vi nada como isto!” enquanto um outro questionava, “como pode uma chama que se podia apagar com o pé, logo que começou, chegar a este ponto?”, enquanto se ouvia o estalar do material combustível a ser consumido pelo fogo e a grande cortina de fumo queria esconder todo o azul do céu e também o sol, avermelhado entre as nuvens negras.

Moradores assustados com a dimensão das chamas Foto: mediotejo.net

Um dos moradores, já idoso, que vive numa habitação mais afastada de onde estava localizado o incêndio, orientou um de seus vizinho a ficar atento, pois dali a alguns instantes poderia estar ao pé dele.

A Guarda Nacional Republicana (GNR), estava presente, garantindo que nenhuma rua de acesso ficasse obstruída, de modo que as viaturas de combate ao incêndio pudessem circular livremente. Havia muito trabalho a ser realizado, com vários meios terrestres e humanos a movimentarem-se pela região.

GNR, restringindo o acesso à aldeia Foto: medirotejo.net

De maneira repentina pode-se ouvir, no rádio dos Bombeiros, um dos combatentes pedindo orientação ao comando, “onde posso abastecer de água? Está mesmo a acabar”.

O vento forte impulsionava as chamas fazendo com que vários reacendimentos ocorressem ao mesmo tempo e que as chamas alcançassem alturas cada vez maiores, inclusive chegando ao topo das árvores.

Uns corriam e punham-se a molhar, com a mangueira de rega, o seu quintal. Outros estavam sentados sobre muros à espera do que iria acontecer e ainda outros, que é o caso dos combatentes, encaravam as chamas gigantescas, numa luta desigual.

Vinicius Alevato

Vinicius Alevato, 30 anos, estudante de comunicação, está a aprender a
observar uma região com o olhar atento aos factos. Acredita no
jornalismo de proximidade e na importância de servir as pessoas através
da boa informação.

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