O vereador António Louro, o comissário europeu Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, e o deputado do PSD Duarte Marques, de visita em 2018 às áreas afetadas pelos incêndios. Foto: mediotejo.net

 O deputado do PSD, Duarte Marques, reclamou hoje por um “tratamento igual” para os concelhos destruídos pelos incêndios, posição que defendeu esta manhã na audição com o Ministro do Planeamento e Infraestruturas.“Temos a obrigação de alertar o governo para a falta de apoio aos concelhos que arderam durante o verão e onde não houve vítimas mortais”, afirmou o deputado, natural de Mação, tendo referido ser “lamentável a discriminação existente”, dando como exemplo de “diferença de apoio às pessoas e às empresas” os concelhos de Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Abrantes e Tomar (Santarém), Gavião (Portalegre), mas também Oleiros e Fundão (Castelo Branco), municípios também fortemente afetados pelos incêndios e cujas empresas não beneficiam dos mesmos apoios concedidos a outras, em outras localidades.

“Há uma grande discricionariedade de apoio entre umas regiões e outras, tendo em conta os incêndios de agosto e os de outubro”, afirmou na sua intervenção no debate, na especialidade, das propostas de Orçamento do Estado e Grandes Opções do Plano para 2018, e pedindo o “empenho” do ministro da tutela para que “o país seja todo tratado por igual”.

Vasco Estrela, presidente da CM de Mação, recebeu o comissário europeu a quem expôs a situação do concelho pós incêndios. Foto: mediotejo.net

Trata-se de mais um ato daquela que diz ser sua obrigação perante as gentes de Mação, uma “defesa intransigente daquilo que entende ser o tratamento que o concelho reclama, é básico, não estamos a pedir nada de excecional”, afirmou.

“Não posso enquanto representante máximo do concelho, ainda por cima com todos os antecedentes e com tudo o que se passou neste verão, ficar bem com a minha consciência e com aquilo que entendo que deve ser o tratamento que este concelho tem direito, quando verifico que num concelho onde arderam 27 mil hectares de floresta, onde houve a destruição que houve… parece-nos que há algum tratamento por parte do Governo, não diria preferencial mas diferenciado em relação a algumas regiões do país, nomeadamente aquelas onde aconteceram aquelas infelicidades, que há pouco referi, falo em concreto dos incêndios da zona de Pedrógão e dos agora chamados incêndios do dia 15 de outubro”, deu a entender.

Segundo o autarca, o tratamento tem sido diferenciado em diversos patamares, concretizando que “no caso de Pedrógão, no apoio aos agricultores, em que numa primeira fase foram contemplados os apoios para a recuperação para o potencial produtivo, aos pequenos agricultores, até 1000 euros, até 5 mil euros, sem grandes formalismos para as pessoas retomarem a sua vida normal. Situação que não aconteceu em Mação e noutros concelhos que arderam naquela altura de julho e de agosto”.

Num segundo ponto, Vasco Estrela refere-se a medida no âmbito da Segurança Social e empresas. “Ontem sou surpreendido com a notícia de que, afinal, a Segurança Social agora vai pagar, nos concelhos que arderam em 15 de outubro, aos pequenos agricultores até ao montante de 1000 euros ou mais de 1000 euros, e portanto, parece que há aqui uma atenção agora específica para este tipo de situações. Pergunto: e os outros concelhos que arderam entretanto?”.

Quanto aos animais e falta de alimentação para os mesmos, o autarca admitiu esforço do município para garantir o mínimo necessário. “Durante todo este período a Câmara Municipal de Mação conseguiu, através dos bons ofícios da Direção-Geral de Agricultura, aceder a quatro toneladas de alimentação para animais, sendo certo que no concelho de Mação já foram disponibilizadas cerca de 200 toneladas. E obviamente não foi pelo Governo”, disse, retorquindo de imediato.

“Teve de ser a CM Mação, nomeadamente com organizações de produtores, com a Acripinhal, com a AmarMação, através de um conjunto de outras entidades todas não-governamentais, e junto de iniciativa privada, conseguimos encontrar soluções para a alimentação desses animais. Pois bem, acontece que aquando dos incêndios de 15 de outubro o Governo automaticamente disponibiliza 600 toneladas de alimentação”, afirmou.

Na listagem dos municípios abrangidos por este apoio, o município de Mação não estava incluído, frisou Vasco Estrela. “Não fazia parte daqueles incêndios do dia 15 de outubro. E eu pergunto: Os animais no concelho de Mação é suposto comerem o quê? E nos outros concelhos que arderam entretanto durante este período? O que é suposto acontecer?”, questionou, afirmando que as coisas #não estão a ser geridas da forma mais correta”.

“Acho que há aqui questões que convém que sejam esclarecidas e encontrarem-se critérios claros e objetivos. Porque, dentro daquilo que eu puder, não irei permitir e não me irei calar se não sentir que o concelho de Mação tem o tratamento que, infelizmente, terá direito a ter devido à devastação que houve aqui de área ardida, de potencial agrícola que foi destruído, das casas que foram destruídas, e os munícipes do concelho e as pessoas que aqui perderam tudo ou quase tudo, com o devido respeito, têm o mesmo direito que todos os outros”, declarou.

Essa é a minha primeira obrigação, e portanto eu acho que quando as coisas atingiram uma determinada dimensão a outros níveis, penso que nos esquecemos que de facto há um outro Portugal que ardeu. Porque arderam aqui cerca de 500 mil hectares, 27 mil foram no concelho de Mação, provavelmente fomos o concelho do país que mais ardeu ou muito próximo disso, obviamente que não queremos este título para nada. Mas temos de ser ressarcidos da mesma forma e com os mesmos benefícios que os outros podem vir a ser. Não encontro razões para ser de maneira diferente só porque não ardeu no dia 15 de outubro, ardeu no dia 15 de agosto. Isso não é critério para que os municípios sejam ou não sejam, digamos, abrangidos por este ou por aquele apoio.

*C/ Joana Santos

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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