Ourém pede estado de calamidade, Governo decide não prolongar situação de alerta no país. Foto: Pedro Pereira

O presidente do Município de Ourém disse hoje esperar que seja decretado o estado de calamidade no concelho, à semelhança do que foi avançado pelo Governo em relação à serra da Estrela. Os incêndios deste verão já destruíram seis mil hectares em Ourém. O Governo decidiu não prolongar a situação de alerta no país devido ao risco de incêndio florestal elevado, que deixará de vigorar a partir das 00:00 de quarta-feira.

“Acabei de ouvir decretar o estado de calamidade na serra da Estrela. Espero que o tratamento seja idêntico para o concelho de Ourém, onde temos prejuízos incalculáveis, sobretudo na agricultura e na floresta. Os prejuízos são avultadíssimos”, reforçou Luís Albuquerque.

Os incêndios deste verão já destruíram seis mil hectares em Ourém, acrescentou o autarca, ao lembrar que 70% do concelho é constituído por floresta.

“Já não havia grandes incêndios há alguns anos e foi-se acumulando todo o combustível. Mesmo com a limpeza das faixas, era praticamente impossível travar o fogo, dada a intensidade do vento e a velocidade do incêndio”, constatou.

Luís Albuquerque defendeu, por isso, que se aposte mais em “faixas de contenção em mosaico”, para que sejam mais resistentes às chamas.

O incêndio que deflagrou na sexta-feira em Espite, concelho de Ourém, e que se reativou hoje entrou em fase de resolução, assim como o novo foco que surgiu esta tarde na freguesia de Matas e Cercal, segundo a Proteção Civil.

De acordo com o sítio da internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, às 21:00, o incêndio em Carvalhal, na freguesia de Espite, estava em fase de conclusão, assim como os de Seiça e em Matas e Cercal. sendo que, ao início da noite, nos três locais, estavam ainda perto de 500 operacionais no terreno, apoiados por cerca de 150 veículos. N distrito de Santarém, cerca das 21:00, o único incêndio que estava em fase de resolução era em Rio Maior, não havendo nenhum incêndio por controlar.  

O Governo vai decretar o estado de calamidade para responder às necessidades do território da área ardida da serra da Estrela, anunciou hoje a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva.

Segundo a governante, o estado de calamidade será decretado pelo Conselho de Ministros e “dará condições para que todos, Estado e autarquias, possam responder às necessidades” do território.

Mariana Vieira da Silva falava aos jornalistas no final de uma reunião conjunta entre Governo e autarcas de seis municípios abrangidos pelo Parque Natural da Serra da Estrela – Manteigas, Celorico da Beira, Covilhã, Guarda, Gouveia e Seia – e ainda de Belmonte, também presente por ter sido atingido pelas chamas, para “avaliar as necessidades e respostas integradas para estes concelhos” na sequência do incêndio que afetou a região.

Governo decide não prolongar situação de alerta no país

O Governo decidiu não prolongar a situação de alerta no país devido ao risco de incêndio florestal elevado, que deixará de vigorar a partir das 00:00 de quarta-feira, anunciou hoje o ministro da Administração Interna.

“Em função deste quadro de melhoria significativa a partir de quarta-feira das condições meteorológicas, entendemos que era possível aliviar as restrições associadas ao perigo de incêndios rurais e decidimos, por isso, não prolongar a situação de alerta para além das 24:00 do dia de amanhã [terça-feira]”, disse o ministro José Luís Carneiro em conferência de imprensa.

O governante falava na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANEPC), onde justificou a decisão com um regresso a partir de quarta-feira a um “quadro regular de verão, pese embora o quadro conhecido de todos de seca severa e seca extrema”.

Ainda assim, sublinhou que “a situação continua a exigir especiais cuidados” pelo que a ANEPC mantém o país em alerta laranja em 16 distritos na terça-feira e em cinco distritos na quarta-feira.

Segundo o ministro, o alerta laranja vai centrar-se “muito particularmente nos distritos do norte e do centro” do país.

José Luís Carneiro adiantou ainda que vão manter-se em “funções de patrulhamento e fiscalização 300 patrulhas diárias da Guarda Nacional Republicana (GNR)”, a quem caberá a coordenação com “mais 300 patrulhas que integram várias entidades externas” como os municípios, referiu.

“Ou seja, manter-se-á o patrulhamento dissuasor reforçado”, disse o ministro.

A ANEPC, acrescentou, fará o pré-posicionamento de meios terrestres e aéreos consoante o risco no território e “manterá, como é regular, a sua avaliação diária para, em função das necessidades e das alterações das previsões meteorológicas poder adaptar e ajustar a resposta às necessidades que venham a ser diagnosticadas e que resultam das condições no terreno”.

Mário Rui Fonseca

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Agência Lusa

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