Mais de 50 concelhos de vários distritos, entre eles Santarém, estão em perigo máximo de incêndio devido ao tempo quente. No Médio Tejo as temperaturas podem ultrapassar os 40 graus, pelo menos até quarta-feira, tendo o comandante David Lobato assegurado o estado de prontidão dos bombeiros e apelado à população para haja como agente de proteção civil. As autoridades de saúde pública também emitiram alertas para os cuidados a ter com o calor.
O comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, disse ao mediotejo.net que o risco de incêndio rural aumentou substancialmente com a subida das temperaturas, que ultrapassaram os 40 graus na região na segunda-feira, num quadro com ventos de leste, tendo assegurado o estado de prontidão do dispositivo para responder às ocorrências.
A aposta, notou, passa pela vigilância e pré-posicionamento dos meios, incluindo as carrinhas com kits de primeira intervenção, de modo a efetuar um ataque rápido e musculado a uma ignição em fase inicial. “Nenhum fogo nasce grande”, lembrou, para justificar a importância de um ataque inicial forte e eficaz. David Lobato apelou ao apoio da população, para que se mantenha atenta e vigilante e alerte as autoridades para comportamentos suspeitos de pessoas na floresta.

ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDANTE PROTEÇÃO CIVIL MÉDIO TEJO:
O dispositivo de combate a incêndios rurais (DECIR) na sub-região do Médio Tejo para a fase mais crítica, desde 1 de julho e até 30 de setembro, com cerca de 600 operacionais, 145 veículos e três meios aéreos, entre outros meios e entidades.
David Lobato disse que o dispositivo operacional (DECIR 2024) “é similar ao do ano passado”, contando na fase mais crítica, além dos 600 operacionais, viaturas e meios aéreos, com três máquinas de rasto e o apoio de meios humanos e materiais de várias entidades, como o ICNF, UEPS/GNR, Afocelca e municípios, a par das novas tecnologias, com sistemas de apoio à decisão por georeferenciação e acompanhamento em tempo real das condições do vento e do terreno.
“A análise que foi feita é que estes meios são suficientes para aquilo que é o nosso histórico e mantemos os mesmos homens, os mesmos meios, e não alterámos a dinâmica”, afirmou, sobre um dispositivo que assenta em premissas como “o pré-posicionamento de meios”, a “monitorização permanente”, uma “deteção precoce” e o “despacho imediato e musculado de meios”.

David Lobato lembrou que, aos 600 operacionais na fase Delta, de 01 de julho a 30 de setembro, “a sub-região tem cerca de 900 bombeiros no quadro ativo e que são também mobilizáveis, se houver essa necessidade” de apoio.
“Se não acontecerem [os incêndios] todos ao mesmo tempo”, o dispositivo tem a “capacidade de os debelar numa fase muito inicial”, assegurou.
Acionado Alerta Vermelho de Saúde Pública por Calor Extremo
A Unidade Local de Saúde do Médio Tejo (ULS Médio Tejo) informa que as autoridades locais de Saúde Pública decretaram na segunda-feira, 22 de julho, um “alerta vermelho de saúde pública”, devido ao calor extremo que se vai sentir nos próximos dias nos concelhos da região.
Com a ativação de um “alerta vermelho de Saúde Pública” – que é acionado sempre que se atingem temperaturas superiores a 38º centígrados – existe um aumento considerável do risco de ocorrerem complicações associadas ao calor, junto dos públicos mais vulneráveis – os idosos, os idosos isolados, bebés e crianças pequenas e a população acamada ou dependente de terceiros.
Muito importante também é a vigilância dos utentes portadores de doença crónica (diabetes, hipertensão arterial, doença pulmonar crónica, insuficiência renal, entre outras). O calor extremo poderá levar à descompensação aguda da patologia diagnosticada, com efeitos graves para a saúde.
Junto da população idosa estão em maior risco os idosos que residem sozinhos, sem rede familiar, ou com a rede familiar fora da região. Também têm risco acrescido aqueles que habitam zonas mais isoladas e casas com dificuldades de arrefecimento térmico.
Para evitar as consequências muito graves para a saúde dos mais idosos deve evitar-se a exposição solar e reforçar, com a máxima frequência, a hidratação, bebendo água ou sumos de fruta naturais sem adição de açúcar. A hidratação deve ser feita mesmo se a pessoa não tiver sede. Recomenda-se igualmente a deslocação do idoso para residência de um familiar, ou adotar medidas que garantam o conforto térmico da sua residência.
Caso se verifique a total ausência, ou mesmo a inexistência de uma rede familiar associada à pessoa idosa, deve ser esta referenciado por quem o conhecer – como vizinhos, ou comerciantes. Qualquer pessoa poderá referenciar um idoso a viver isolado às autoridades, como a GNR, PSP, Proteção Civil, Câmaras Municipais, ou Juntas de Freguesia, entre outros, nomeadamente através linha de saúde SNS24 (808242424). Ao agir preventivamente possibilita-se a intervenção rápida possível junto deste público tão sensível ao calor.
A faixa de população idosa, por norma, também toma muitos medicamentos, e é necessário reforçar a mensagem que os medicamentos têm de ser mantidos a temperatura inferior a 25°, sob pena de ficarem adulterados. A melhor maneira de proceder á colocar os remédios no frigorífico, enquanto a região atravessa esta vaga de calor.
Em grande risco de padecer de problemas de saúde provocados pelo calor encontram-se, também, todos os trabalhadores que desenvolvem a sua atividade laboral ao ar livre – como por exemplo, trabalhadores da construção civil, cantoneiros, e profissionais ligados às atividades turísticas. Estes devem reforçar a hidratação, proteção solar, e fazer pausas frequentes, procurando sombras.
As autoridades de Saúde Pública do Médio Tejo alertam também para o risco elevado de todas as pessoas que estão a assistir a festividades locais, festivais de música, ou romarias religiosas. Nestes eventos, com grandes aglomerações de pessoas, existe maior dificuldade de encontrar sombras e acesso fácil a água.
Por fim, a ULS Médio Tejo alerta toda a população, que os sintomas, ou agudização dos mesmos, provocados pelo calor extremo, poderão manifestar-se até ao final desta semana, sendo necessária uma maior vigilância junto das pessoas mais vulneráveis.
c/LUSA
