O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, alertou hoje, de visita aos concelhos de Mação, Sertã e Vila de Rei, afetados pelo incêndio que deflagrou no sábado, que caso não haja união entre todas as instituições, será impossível enfrentar problemas como os incêndios. Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a necessidade de as instituições estarem unidas e colaborarem para ser possível enfrentar os fogos florestais.
Marcelo Rebelo de Sousa visitou na tarde desta sexta-feira os concelhos de Mação, Vila de Rei e Sertã, particularmente as freguesias de Cardigos e Amêndoa, contactando com as gentes e as forças que apoiaram no combate aos incêndios que lavraram naquele território maçaense entre 20 e 23 de julho, consumindo 6 mil hectares de área ardida, deixando cerca de 15 aldeias em sobressalto e atingindo cerca de 4 habitações.
O Presidente da República, após recolher informação sobre o incêndio e necessidades do concelho, visitou ainda a praia fluvial de Cardigos, apelando a que não se deixe de visitar as áreas afetadas pelos fogos, uma vez que contêm infraestruturas e património que resistem e que valem a pena desfrutar.
O Presidente iniciou a sua visita no Quartel de bombeiros de Cardigos, cumprimentando um a um, entre forças envolvidas no combate ao incêndio, nomeadamente bombeiros, sapadores florestais, operadores de máquinas de rastos, voluntários e operadores dos kits de incêndio das freguesias, bem como as forças de autoridade, caso da GNR e GIPS.
Igual a si próprio, fez o seu percurso de sorriso no rosto, mas evitando falar aos jornalistas para não se desviar do seu primeiro objetivo, uma vez que pretendia no terreno “recolher informações e testemunhos” no sentido de poder pronunciar-se sobre o tema. Marcelo ouviu ainda as manifestações de populares que se insurgiam revoltados com mais uma tragédia que afrontou o concelho de Mação, levando muito daquele que é o sustento das famílias do concelho: a floresta.

Marcelo Rebelo de Sousa fez-se acompanhar do executivo da Câmara Municipal de Mação, pelo presidente da Junta de Cardigos, Carlos Leitão, e pelo presidente de Junta de Amêndoa, Luís Lopes, bem como pelo Secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, pelo presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Carlos Mourato Nunes, e por Ana Abrunhosa, presidente da CCDRC.
O governante pôde inteirar-se da área ardida e do modelo de combate, tendo estado na viatura MacFire, ferramenta de monitorização do desenvolvimento dos incêndios e apoio ao combate que o Município de Mação desenvolveu, onde conheceu em pormenor a dimensão das áreas afetadas sendo que, depois, a comitiva visitou o perímetro do fogo parando e passando em algumas das aldeias atingidas em Cardigos e Amêndoa, caso de Roda, Sarnadas, Casas da Ribeira, Freixoeiro, Cabo, Freixoeirinho, e outras.

Os elementos da Proteção Civil maçaense levaram ainda o Presidente da República a comprovar o cumprimento no terreno daquilo que a legislação veio exigir, nomeadamente a criação das faixas de contenção feitas pela autarquia e que permitiram circular em segurança entre as aldeias durante os dias de martírio causado pelas chamas.
Momento ainda para visita à Santa Casa da Misericórdia de Cardigos, onde distribuiu abraços de conforto e sorrisos aos idosos e colaboradores, que numa tarde de acalmia, prontamente receberam o governante de braços abertos e com simpatia, não deixando de dar alguns recados a Marcelo.
Por outro lado, o governante, depois de saber que os agentes de turismo do concelho estavam preocupados com o número de cancelamentos de reservas após a tragédia causada pelo incêndio, quis ainda passar na Praia Fluvial de Cardigos, cumprimentando os concessionários e apelando a todas as pessoas para que não deixem de aproveitar o verão nesta região, independentemente de os concelhos terem sido atingidos pelo fogo.

O Presidente da República conheceu o equipamento e cumprimentou os veraneantes presentes na praia fluvial, mostrando-se visivelmente agradado e dando alento ao município para que aposte na divulgação destes ex-libris do concelho, no sentido de continuar a atrair mais e mais frequentadores.
O Presidente da República deixou ainda um convite aos portugueses para visitarem as praias fluviais daquela região. “Neste mês em que se vai entrar, quem queira vir, deve vir e deve percorrer o território, conhecer as pessoas e contribuir para a dinamização económica desta área”, referiu.
Ficou ainda o convite, feito por Vasco Estrela, presidente da CM Mação, para que Marcelo Rebelo de Sousa possa vir mergulhar nas três praias fluviais do concelho ainda este verão. Algo que, à partida, e havendo tempo na agenda, Marcelo certamente cumprirá.
Após a visita ao concelho de Mação, Marcelo Rebelo de Sousa continuou o seu périplo pelos concelhos afetados pelos fogos recentemente, nomeadamente Vila de Rei e Sertã.
Em declarações à Agência Lusa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, alertou que caso não haja união entre todas as instituições, será impossível enfrentar problemas como os incêndios.
Durante a visita, o Presidente da República sublinhou a necessidade de as instituições estarem unidas e colaborarem para ser possível enfrentar os fogos florestais.
“Todos juntos é muito difícil enfrentar questões como esta. Se não houver essa conjugação de esforços que felizmente tem havido genericamente por todo o país, então não é muito difícil, é impossível”, disse o Presidente da República, que respondia a uma pergunta dos jornalistas sobre as acusações trocadas entre o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela.
Durante esta sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa visitou várias localidades do concelho de Mação, no distrito de Santarém, e nos concelhos da Sertã e de Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, afetadas pelo incêndio que deflagrou no sábado e que terá consumido mais de 9000 hectares de floresta, sendo que 6 mil foram devastados em Mação, concelho com 95% de área ardida entre 2017 e 2019.

Parou também em Vale da Urra, concelho de Vila de Rei, para falar com os familiares do único ferido grave do incêndio, antes de seguir para o Centro Geodésico de Portugal, onde, com a ajuda de binóculos, pôde perceber melhor a evolução do incêndio entre sábado e terça-feira, dia em que foi dado como dominado. Seguiu para Cumeada, já na Sertã, onde foi recebido por dezenas de populares que se preparam para a festa local.
O chefe de Estado realçou que as populações e instituições “aprenderam com 2017” e “vão continuar a aprender”, porém, este “é um processo contínuo e um processo complexo”.
“Penso que na sociedade portuguesa estamos de acordo com uma realidade fundamental: tudo o que se fizer para apostar no interior ou nos interiores – são vários e a várias velocidades – é essencial para alterar um panorama que, se não for alterado, poderá ter consequências no futuro que não serão felizmente aquelas que ocorreram no passado, mas que serão sempre negativas”, notou Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas num dos últimos pontos da sua visita, a aldeia da Cumeada, na Sertã, distrito de Castelo Branco.
Fotos: Paulo Jorge de Sousa e Joana Rita Santos
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Texto: c/ LUSA
